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Publicado em 26/07/2022

Revisado em 22/07/2022

Julho Verde – novidades para tumores de cabeça e pescoço


Julho Verde – novidades para tumores de cabeça e pescoço
No mês de em que é celebrado o Dia Mundial de prevenção destas doenças (27/07), o Instituto Vencer o Câncer destaca avanços no tratamento.

A Lei 14.328/22, sancionada em abril, criou oficialmente o Julho Verde – Mês Nacional de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), esta é a quinta neoplasia mais comum no Brasil, tanto em homens quanto em mulheres. Abrange língua, boca (mais incidente nos homens), laringe, faringe, seios paranasais e cavidade nasal, glândulas salivares, ossos da face, pele e a tireoide (mais comum nas mulheres).

Entre os principais fatores de risco para estes tumores estão o tabagismo e o consumo de álcool. A doença também é causada pela infecção por HPV e pelo vírus Epstein-Barr, lesões pré-malignas e depressão imunológica.

Ainda de acordo com o INCA, mais de 75% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, o que piora o prognóstico e compromete a qualidade de vida do paciente.

A oncologista clínica Giselle Rocha, do Hospital Israelita Albert Einstein e colaboradora do Instituto Vencer o Câncer, separou pesquisas importantes na área de cabeça e pescoço, apresentadas no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO 2022), realizado em junho, que podem representar avanços no tratamento destes pacientes.

O primeiro estudo avaliou se pacientes com carcinoma de nasofaringe de risco intermediário tratados com radioterapia de intensidade modulada poderiam ser poupados de quimioterapia concomitante. Os resultados mostraram que a radioterapia pode ser utilizada de forma isolada nesses pacientes, fornecendo controle e sobrevida comparáveis quando utilizada de forma simultânea com a quimioterapia.

Giselle Rocha ressalta que a cisplatina é um agente quimioterápico bastante indicado para tratamento concomitante à radioterapia nas neoplasias de cabeça e pescoço. Um ensaio randomizado, multicêntrico, de não inferioridade, comparou a indicação da cisplatina 100mg/m² a cada 3 semanas por 3 ciclos versus cisplatina 40mg/m² semanal por 7 semanas simultâneas a radioterapia definitiva.

Este estudo confirma que a quimioterapia concomitante com cisplatina semanal não é inferior a ciclos a cada 3 semanas, sendo mais bem tolerada e com menos interrupções, hospitalizações e toxicidade, e pode ser considerada como um dos padrões de tratamento nessa população de pacientes.

 

Opção à cisplatina

Muitos pacientes, no entanto, têm contraindicação ao uso da cisplatina, fazendo-se necessária a troca por outras quimioterapias, ou com a opção por utilizar a radioterapia isolada.

Neste sentido, outro estudo, também apresentado no Congresso, randomizou pacientes adultos com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço localmente avançado elegíveis para quimiorradiação ou adjuvante, e inelegíveis para uso de cisplatina. Avaliou o benefício do medicamento docetaxel em associação a radioterapia.

Como resultados, tivemos uma sobrevida livre de doença em dois anos de 30,3% no braço da radioterapia isolada versus 42% no grupo de pacientes que receberam radio e docetaxel.

Os resultados mostram que a adição do antineoplásico à radioterapia melhorou a sobrevida livre de doença e sobrevida global em carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço localmente avançado, sendo mais uma opção de tratamento para os pacientes que não são candidatos ao uso da cisplatina.

Mais informações sobre os tumores de cabeça e pescoço podem ser acessadas em https://vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-cabeca-e-pescoco-tipos-de-cancer/