Câncer / Notícias

Sergio Azman

Publicado em 09/03/2015

Revisado em 06/03/2017

Paciente teve câncer confundido com gravidez

Susan Antunes Melro Filho, de 33 anos, engravidou dois meses após ter o primeiro filho, mas sofreu um aborto espontâneo. Pouco depois  teve sintomas como fraqueza e vômito. Um médico pediu um exame chamado beta-HCG e a informou de que mais uma vez ela estava grávida. Infelizmente, o causador dos sintomas era um coriocarcinoma gestacional, tipo raro de câncer.

Susan conta que o médico que fez o acompanhamento do beta-HCG quando teve o aborto não deu a devida atenção, e acha que se tivesse um cuidado maior o problema poderia ter sido diagnosticada antes. “Meu quadro era gravíssimo, o tumor já estava bem avançado porque não tive sintomas. Eu passei praticamente oito meses com o tumor crescendo dentro de mim sem sentir nada. Fui ter dor, vômito, quando o tumor já estava em estágio muito avançado”, diz.

O oncologista concorda que se o diagnóstico tivesse sido realizado mais precocemente, as complicações poderiam ter sido menores. “Ela já chegou em estágio avançado, e tivemos que entrar logo com a quimioterapia. Ao fazer a primeira sessão ela teve uma hemorragia, porque este tipo de tumor, quando morre, tende a sangrar muito. Nesses sangramentos ela quase morreu. Foi salva por vários procedimentos que usam pequenas partículas desenhadas para estancar o sangramento e que são colocadas dentro dos vasos que nutrem o tumor, a chamada embolização tumoral”, diz.

Susan foi parar na UTI, e precisou voltar novamente para o centro cirúrgico para fazer uma nova embolização, porque a hemorragia não cedia. “Fiquei dois meses internada, tive infecção pulmonar, metástases no pulmão, problemas respiratórios, derrame na pleura, tive que fazer alguns procedimentos bem dolorosos”, lembra.

O tratamento completo durou oito meses, período que teve que morar em São Paulo na companhia do pai, e deixou o filho aos cuidados da mãe, em Maceió. “Meu esposo me deu todo o apoio, mas não pode ficar comigo em São Paulo por causa do trabalho. Foi muito difícil para toda a família. Meu filho fez aniversário e eu estava longe, não presenciei diversos momentos do desenvolvimento dele”, lamenta.

Difícil, mas não impossível

Sem recorrência da doença e livre da quimioterapia há cinco meses, hoje ela está 99% curada e já voltou a trabalhar. “Sou psicóloga, trabalho com crianças com câncer. Já conhecia todo o processo do adoecimento, da questão do emocional, e acabei vivenciando não como profissional, mas como paciente.” O conhecimento prévio ajudou a enfrentar o tratamento. Muitas vezes ela desenhava, e através desses desenhos expressava muito do que estava sentindo. “Era uma forma de externar minhas emoções, o medo da morte, da dor, a saudade da família.”

Para Susan, o que ficou de aprendizado foi viver o presente da melhor maneira possível. “Vivo um dia de cada vez.” A mudança na autoimagem, a queda do cabelo, a tonalidade da pele, isso tudo mexe muito com o emocional, principalmente das mulheres. Por isso, afirma que é importante que os pacientes saibam que isso é passageiro. “Você recupera o peso, o cabelo cresce novamente, a cor da pele volta ao normal. É um momento de perda, um luto simbólico, mas que faz parte. É difícil, mas não impossível.”