Dia a Dia do Paciente / Efeitos Colaterais

Juliana Conte

Publicado em 29/06/2015

Revisado em 24/09/2019

Perda de peso atinge 50% dos pacientes e é problema gravíssimo

A desnutrição é uma das complicações mais recorrentes durante o tratamento para o câncer. Mais de 50% dos pacientes podem passar por essa condição. O risco de um indivíduo em tratamento apresentar problemas com a alimentação é três vezes maior do que o observado em portadores de outras doenças. As razões são diversas: efeitos da quimioterapia que podem alterar o paladar e diminuir o apetite; radioterapia, que dependendo da região causa limitações na hora da deglutição; abalo psíquico que a doença acarreta etc.

Sucos que ajudam a controlar náuseas

O problema é grave e é necessário intervenção terapêutica o mais breve possível, já que se o paciente estiver com um quadro de desnutrição, ele não aguenta passar por todo tratamento oncológico. É uma complicação se torna causa de óbito em 20% a 40% dos portadores de câncer.

Segundo o dr. Jone Robson de Almeida, diretor do Departamento de Nutrologia do A.C. Camargo Cancer Center, qualquer perda de peso involuntária maior que 10% pode ser caracterizada como desnutrição. O acúmulo de perdas que o organismo sofre com esse problema (proteínas, carboidratos e gorduras) acaba atrapalhando o processo de cicatrização, coagulação, aumenta o risco de infecção, sangramentos e dificulta o prognóstico, pois até fazer atividades rotineiras, como lavar louças, fica impossível. Por conta dessa condição, se o paciente oncológico precisar de uma cirurgia, ele não poderá fazer. “Quando faltam nutrientes, o corpo vai pegando tudo o que tem pela frente para se manter. Ou seja, quando não há reserva de carboidratos, gorduras, ele perde proteína e, consequentemente, massa muscular.”

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A avaliação nutricional do paciente deve ser feita assim que ele iniciar o tratamento. Entretanto, ainda de acordo com o dr. Almeida, apesar de o Ministério da Saúde estabelecer a obrigatoriedade de todos os hospitais terem uma equipe de terapia nutricional, das 5 mil instituições que existem no Brasil somente 20% possuem esse tipo de serviço. “É uma vergonha. Porque na maioria das vezes, depois de inúmeras idas e vindas a diversos médicos, até conseguir fechar o diagnóstico, o paciente já chega desnutrido. Uma pesquisa recente mostra que 60% dos indivíduos, quando vão internar, já estão abaixo do peso. Isso é grave, pois quando o déficit calórico ultrapassa as 10 mil calorias, o risco de mortalidade dobra. Por exemplo, a pessoa tem que se manter numa dieta diária de 2 mil calorias. Aí, num dia ela só come 1500. No outro, 1000. Quando esse esse déficit soma 10 mil, vira um grande problema, porque essa falta prejudica todo o organismo e o tratamento oncológico não progride.”

Agravantes que levam à desnutrição

Outra questão que agrava a dificuldade para o paciente se alimentar é a localização do tumor. Câncer de pulmão e de cérebro, por exemplo, podem causar sonolência. O paciente só tem vontade de dormir o dia inteiro e passa a se alimentar muito mal. “Já o paciente com tumor de laringe, na hora que vai comer acaba engasgando, então passa a comer menos. No decorrer de algumas semanas ele perde muitos quilos. Com um tumor no esôfago, a passagem da comida fica bem estreita. A pessoa já não consegue mais comer um bife, pois fica difícil engolir. Aí passa a só preferir sopas, caldos e líquidos. Mas com o passar do tempo esse estreitamento pode chegar a tal ponto que ele não consegue nem tomar água”, afirma o nutrólogo.

Complica ainda mais o fato de que tais tumores aumentam o gasto de energia diário, chegando a 150% do usual. É como se o paciente corresse diariamente mais de 5 horas por dia. Nesses casos, para tentar estabilizar o quadro e fazer com que o paciente não perca mais peso, os médicos entram com os chamados suplementos alimentares, que possuem um alto valor calórico e podem ser adicionados à refeição na forma líquida ou pó, batidos com alguma fruta.

Quando a alimentação oral fica prejudicada por conta da localização do tumor, a recomendação é promover a nutrição por sonda. Se ainda assim não se conseguir o ganho de peso, é usada a nutrição parenteral, usando uma solução já pronta para ser absorvida, composta de diversos nutrientes e vitaminas, que é injetada diretamente na veia.

Dicas para para ingerir mais calorias e proteínas sem aumentar o tamanho das refeições

  • Misture aveia, granola ou musli ao leite e adicione passas, nozes e mel;
  • Adicione queijo ralado aos molhos cremosos e vegetais;
  • Prefira carnes ensopadas, massas, vegetais e outras preparações usando bastante molho, que estimula o apetite.

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