Dia a Dia do Paciente / Efeitos Colaterais

Publicado em 19/09/2014

Revisado em 08/03/2017

Por que o paciente com câncer pode perder muito peso?

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A presença de um tumor pode levar à perda de peso involuntária por diversas razões. Muitas vezes, o próprio estado psicológico associado ao diagnóstico de um câncer leva à diminuição do apetite. Em algumas situações, a localização do tumor torna a alimentação mais difícil, como, por exemplo, tumores que dificultem o trânsito normal do alimento pelo trato digestivo, como tumores que afetem direta ou indiretamente o esôfago, estômago e intestinos. Algumas consequências dos tumores, como o acúmulo anormal de líquido dentro do abdômen, também podem dificultar a tolerância aos alimentos na quantidade adequada.

Muitos tumores causam redução expressiva do apetite. O paciente simplesmente não tem vontade de comer, não sente fome. Da mesma forma, há tipos de câncer que causam, por si só, desgaste nutricional.

Há ainda os efeitos colaterais do tratamento do câncer que afetam temporariamente o paciente, dificultando sua alimentação. Entre os mais frequentes estão enjoos, vômitos, diarreia, mucosite e a própria inapetência.

Tudo isso contribui para a perda progressiva de peso ao longo do tratamento, podendo levar o paciente a estados exagerados de desnutrição, que chamamos de caquexia. [relacionados]

É importante que o paciente com câncer e seus familiares saibam que o emagrecimento progressivo diminui a resistência do organismo a infecções e reduz a tolerância a tratamentos necessários como radioterapia e quimioterapia. Portanto, um paciente que mantém o peso tolera muito melhor os tratamentos que lhe são necessários para o combate ao câncer, sejam cirúrgicos, radioterápicos ou quimioterápicos. Quando a perda de peso é muito intensa, muitas vezes a caquexia torna-se irreversível.

Então, é importante que o paciente, familiares e médicos tenham consciência de que o processo de desnutrição começa muito antes da perda de peso; quando o paciente já se perdeu 10%, 20% ou 30% do peso corporal, o processo é, muitas vezes, irreversível.

Torna-se, portanto, redundante enfatizar que se preste muita atenção às alterações alimentares desde o início do tratamento, contemplando quantidade e qualidade dos alimentos ingeridos pelo paciente e tomando as providências necessárias, sejam  quais forem, para impedir uma perda de peso significativa.

A elaboração de cardápios que favoreçam o ganho de peso e que agradem ao paciente, o hábito de fracionar a dieta em várias porções ao dia, tentando respeitar o limite de ingesta do paciente em cada refeição, e o uso de suplementos completos do ponto de vista nutricional, que muitas vezes contêm nutrientes específicos para diferentes tipos de câncer, são estratégias úteis na luta contra a caquexia.

É preciso ter cuidado para que a alimentação do paciente com câncer não seja uma tortura para ele e seus familiares. Atingir o equilíbrio entre a preocupação com a alimentação do paciente, os esforços para que ela seja adequada e o prazer de se alimentar é importante e difícil, exigindo em algumas situações o auxílio do médico responsável pelo paciente ou de um profissional especializado, como o nutricionista ou médico nutrólogo.