Dia a Dia do Paciente / Nutrição

Publicado em 04/09/2013

Revisado em 08/03/2017

O papel da dieta na saúde

Até que ponto se pode prevenir o aparecimento de doenças? Nossas escolhas em relação aos hábitos de vida podem estimular ou inibir o aparecimento de um câncer?

Muitos estudos relacionam o aparecimento de doenças com fatores externos como dieta, tabagismo, atividade física e com fatores próprios do indivíduo, como a hereditariedade. Os fatores externos que muitas vezes dependem das “nossas” escolhas representam a possibilidade de “fazermos nossa parte” para nos manter saudáveis. Assim, podemos preparar nosso organismo para combater fatores inflamatórios e de estresse tanto metabólico quanto psicológico que podem desencadear doenças.

Um alerta, entretanto, faz-se necessário: um organismo saudável pode inibir o desenvolvimento de várias doenças, porém não há garantia de proteção total porque os fatores hereditários ou outros fatores externos, como o tabaco, por exemplo, também entram em jogo. Mas uma coisa é certa: se estamos saudáveis, “mente sã em corpo são”, estamos mais preparados para enfrentar qualquer batalha.

A ciência da nutrição sempre esteve relacionada à saúde. Alimentamo-nos, antes de tudo, para NUTRIR nossas células. Claro que, atrelados a isso, existem fatores psicológicos (“hum, esse bolo me lembra do bolo que minha avó fazia…”), sensoriais (“acho esse bolo muito doce”, ou “prefiro alimentos mais temperados”) e, por que não dizer, sociais (”vou tomar um copo de refrigerante agora porque até eu fazer um suco vai demorar muito e hoje eu estou com muita pressa”) que nos auxiliam nas escolhas alimentares. E, por obviedade, escolhemos aquilo de que gostamos e que nos dá prazer e, de preferência, que não dê muito trabalho para preparar. Com isso, muitas vezes, agradamos mais ao paladar e facilitamos nossa rotina em detrimento de uma nutrição mais saudável.

Embora o câncer seja conhecido há milênios, aumentos constantes de suas taxas de aparecimento começaram a ser observados após o século XIX, com a chegada da industrialização, tendo importância a exposição a fatores ambientais relacionados à urbanização, como dieta e estilo de vida.

Nota-se que indivíduos que migram de um determinado país passam progressivamente a apresentar taxas de incidência e de mortalidade de câncer semelhantes às observadas no novo país. Isto demonstra que a incorporação de hábitos culturais, ambientais e alimentares pode predispor à doença ou ajudar na sua prevenção.

Sabe-se que cerca de 35% dos diversos tipos de câncer ocorrem em razão de fatores dietéticos. É possível identificar, por meio de estudos epidemiológicos, associações relevantes entre alguns padrões alimentares observados em diferentes regiões do globo e a prevalência de câncer. Outros fatores, tais como o tabagismo, a obesidade, a falta de atividade física e a exposição a tipos específicos de vírus, bactérias e parasitas, além do contato frequente com algumas substâncias carcinogênicas, como produtos de carvão e amianto, também merecem ser salientados como responsáveis pelo surgimento do câncer em diversos casos.

O Comitê de Peritos do World Cancer Research Fund registra medidas como atividade física regular, controle do peso corporal e o não uso de tabaco, que associadas a uma dieta mais saudável, podem reduzir em cerca de 60% a 70% a incidência de câncer no mundo.

Sendo assim, os benefícios decorrentes das modificações no estilo de vida, incluindo-se as modificações dietéticas, para redução mundial das taxas de incidência e de mortalidade por câncer já estão razoavelmente documentados. A adoção de hábitos saudáveis, incluindo a alimentação, constitui fator de prevenção contra o desenvolvimento de vários cânceres.