Dia a Dia do Paciente / Nutrição

Sergio Azman

Publicado em 17/06/2015

Revisado em 24/09/2019

Óleo de peixe pode interferir na eficácia da quimioterapia

De acordo com uma nova pesquisa publicada online no JAMA Oncology, suplementos de óleo de peixe e até mesmo certos peixes podem prejudicar a eficácia da quimioterapia. O grupo de pesquisa havia identificado previamente em modelos animais que os ácidos graxos ômega 3 podem resultar em resistência à quimioterapia com cisplatina, neutralizando sua atividade. Essa é uma área ainda em investigação.

Uma equipe do Instituto do Câncer da Holanda, em Amsterdã, avaliou o uso de óleo de peixe entre 118 pacientes com câncer submetidos à quimioterapia. Entre os pacientes com câncer, 35 disseram tomar suplementos de óleo de peixe regularmente, e 13 utilizavam suplementos com ácidos graxos ômega 3. A equipe que realizou o estudo também avaliou os níveis de ácidos graxos em 50 voluntários saudáveis após terem consumido ou peixe (20) ou suplementos de óleo de peixe (30).

Os pesquisadores observaram que os níveis de ômega 3 nos voluntários saudáveis aumentaram após o consumo de 10 ml de óleo de peixe, com a normalização dos níveis sanguíneos 8 horas após o consumo. Uma elevação mais prolongada foi observada com a dose de 50ml. O consumo de 100g dos peixes arenque e cavala também aumentou os níveis de ômega 3. O atum, no entanto, não alterou os níveis sanguíneos do ácido graxo, e o salmão mostrou apenas um pequeno aumento, com rápida normalização.

“Nossos resultados estão em linha com uma consciência crescente da atividade biológica de vários ácidos graxos e seus receptores, aumentando a preocupação com a utilização simultânea de óleo de peixe e quimioterapia”, afirmaram os autores do estudo. “Até que mais dados estejam disponíveis, aconselhamos os pacientes a evitar temporariamente o óleo de peixe ao menos nos dias anterior e posterior à quimioterapia”, acrescentaram.

A nutricionista Cristiane Hanashiro, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que a suplementação com ômega 3 deve ter uma indicação individual, considerando o momento do tratamento. “Ele pode ser tanto um aliado como prejudicar, depende da situação. Durante o tratamento o paciente passa por várias fases, e em cada uma delas existe uma melhor recomendação de nutrientes, suplementações, medicações e alimentação. Caso o paciente tenha a necessidade, o médico e o nutricionista farão a indicação”, diz. Segundo Cristiane, a presença do ômega 3 na dieta deve ser variada, sem levar a um excesso do nutriente no organismo. “Sempre vale lembrar que o ideal é equilíbrio e moderação”, diz.

Referência: Increased Plasma Levels of Chemoresistance-Inducing Fatty Acid 16:4(n-3) After Consumption of Fish and Fish Oil. JAMA Oncology, 2015; DOI: 10.1001/jamaoncol.2015.0388