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Sergio Azman / Agência Onconews

Publicado em 02/05/2016

Revisado em 21/06/2019

Estudo mostra necessidade da radioterapia sem atrasos

A necessidade da radioterapia em tempo adequado já é de conhecimento de médicos e profissionais da saúde há tempos. Agora, um estudo apresentado no congresso anual da American Association for Cancer Research (AACR 2016) reforça que atrasar o tratamento com radioterapia pode aumentar o risco de surgimento de tumores de mama.

Para realizar o estudo, os pesquisadores identificaram 5.916 mulheres no Registro de Câncer do Missouri diagnosticadas com carcinoma ductal in situ primário entre 1996 e 2011 e tratadas com cirurgia conservadora da mama. Dessas mulheres, 1053 (17,8%) receberam radioterapia oito ou mais semanas após a cirurgia, período definido como atraso. Além disso, 1.702 (28,8%) não receberam radioterapia durante o primeiro ciclo de tratamento. O restante das mulheres (53,4%) recebeu radioterapia no prazo de até oito semanas após a cirurgia.

Durante um acompanhamento de 72 meses, 182 mulheres (3,1%) desenvolveram tumores mamários. Em comparação com as mulheres que realizaram a radioterapia em tempo oportuno, o risco de tumores de mama aumentou 26% entre as pacientes que atrasaram a radioterapia e 35% para as mulheres que não realizaram radioterapia.

“Os grupos mais afetados pelo atraso na radioterapia foram mulheres com menos acesso aos serviços de saúde e com maior carga de doença. Este estudo mostra que é importante para as mulheres entenderem os benefícios da radioterapia em tempo adequado após a cirurgia conservadora da mama”, afirmou a principal autora do estudo, Ying Liu, professora de cirurgia na Escola Universitária de Medicina de Washington.

Cenário da radioterapia no Brasil preocupa

No Brasil, os pacientes que precisam receber o tratamento radioterápico no sistema público de saúde enfrentam longas filas, o que pode comprometer o sucesso do tratamento. A Organização Mundial da Saúde estabelece que haja um aparelho para cada 250 a 300 mil habitantes. Seguindo essa perspectiva, o país precisaria ter 680 aparelhos no Brasil. “O Brasil tem um déficit de cerca de 200 aparelhos de radioterapia que, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) está levando a que os tratamentos sejam retardados de uma forma inaceitável”, afirma Eduardo Weltman, presidente da Sociedade Brasileira de radioterapia (SBRT).

Veja também: Faltam máquinas de radioterapia no Brasil

O plano brasileiro de expansão da radioterapia prevê a compra centralizada de 80 equipamentos radioterápicos: 36 deles destinados à ampliação de serviços e 44 à criação de novos centros de radioterapia em 23 unidades da federação, alcançando 65 municípios. Para Weltman, o programa é louvável, mas insuficiente, na medida em que não vai repor nem a metade das nossas necessidades. “Além disso, a remuneração insuficiente dos serviços de radioterapia, mesmo que os 80 aparelhos sejam instalados rapidamente, deverá levar ao colapso do sistema como um todo, resistindo apenas aqueles que têm subsídio governamental ou privado para seu funcionamento”, alerta.

Some-se a isso a velocidade da implementação do programa de expansão. A licitação para as novas máquinas aconteceu em 2013, mas até o momento, nenhum aparelho foi instalado. “A informação que tenho recebido é que até o final deste ano 22 aparelhos deverão estar instalados e funcionando, mas isto somente o tempo confirmará”, diz o especialista.

Referência: Abstr 2576 – Radiation therapy delay and risk of ipsilateral breast tumors in women with ductal carcinoma in situ

http://www.abstractsonline.com/Plan/ViewAbstract.aspx?mID=4017&sKey=ac4b77a1-3d78-4c6f-941b-1e77ea4a4ab2&cKey=591aed3e-4709-44a8-8704-b70e214d1fe5&mKey=1d10d749-4b6a-4ab3-bcd4-f80fb1922267