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Valeria Hartt

Publicado em 05/03/2015

Revisado em 08/03/2017

Terapia de reposição hormonal aumenta risco de câncer de ovário

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Um estudo divulgado pela revista Lancet, uma das mais prestigiadas publicações científicas, mostra que a reposição hormonal pode aumentar o risco de desenvolver câncer de ovário. Em câncer de mama, entretanto, a reposição hormonal com estrógeno puro mostra resultados conflitantes.

A descoberta foi anunciada por pesquisadores europeus, que revisaram os dados de 52 estudos epidemiológicos com 21.488 mulheres na pós-menopausa, todas com câncer de ovário, e identificaram que o risco foi significativamente maior em usuárias do que em não usuárias de reposição hormonal.

Outro achado importante desta investigação mostra que a duração e o período de uso de hormônios influenciam o risco para o câncer de ovário, que foi fortemente relacionado com o caráter recente de utilização, até cinco anos antes do diagnóstico, mesmo naquelas mulheres que fizeram reposição de curta duração, com média de três anos de uso.

Nas ex-usuárias, que haviam interrompido o uso de hormônios há mais tempo, os riscos tinham cessado, mas durante os primeiros anos após o fim da reposição hormonal, o risco permaneceu elevado. A razão de risco variou de acordo com o tipo de tumor e foi significativamente maior para os dois tipos mais comuns de câncer de ovário (tumor seroso e tumor endometrioide). Para esses dois tipos, o risco se manteve maior em mulheres que fizeram uso prolongado, grupo que continuou a apresentar risco aumentado para o câncer de ovário mesmo uma década após a cessação da terapia hormonal.

Os números não foram diferentes para a reposição à base de estrogênio ou para as terapias combinadas com progesterona, o que demonstra que qualquer esquema de reposição hormonal traz o mesmo risco associado para a neoplasia de ovário.

O alerta vale para pacientes e médicos e põe em xeque a terapia tão empregada pelos ginecologistas para prevenir a osteoporose e auxiliar na gestão dos sintomas associados à menopausa. “Deve se pesar os ricos e benefícios quando se prescreve reposição hormonal”, diz o oncologista Antonio Carlos Buzaid, Chefe Geral do Centro Oncológico Antonio Ermírio de Moraes (COAEM).

Atualmente, cerca de 6 milhões de mulheres recebem terapia de reposição hormonal nos Estados Unidos e no Reino Unido e os pesquisadores estimam um número comparável em outros países. O estudo europeu pode modificar os padrões atuais de tratamento e promover uma revisão mundial das diretrizes médicas.