Tipos de câncer / Câncer de estômago



Câncer de estômago | Tratamento

ESTADIAMENTO

Os quatro estádios estão descritos abaixo:

Estadiamento do câncer de estômago.

Estadiamento do câncer de estômago.

TRATAMENTO

O tipo de tratamento é definido a partir do estádio em que a doença se apresenta. O tratamento abordado neste capítulo refere-se exclusivamente aos adenocarcinomas, tumores gástricos mais comuns.

Estádio I

Nessa fase, em que o tumor está confinado ao estômago, em geral com invasão superficial, a doença é altamente curável por meios cirúrgicos. Pode-se recorrer a uma cirurgia endoscópica (infelizmente, poucos são os candidatos a esse procedimento, porque mesmo tumores ainda localizados, com frequência, invadem mais profundamente a parede gástrica) ou uma cirurgia radical. Neste último caso, partes do esôfago e do intestino poderão ser removidas. Ocasionalmente, também é preciso retirar o baço. Na gastrectomia total, o cirurgião fará uma reconstrução do trânsito digestivo pela união do intestino delgado ao esôfago, com o intuito de criar um novo reservatório para substituir o estômago.

Tumor confinado ao estômago, com invasão superficial da parede, e o tratamento específico para esta fase da doença.

Tumor confinado ao estômago, com invasão superficial da parede, e o tratamento específico para esta fase da doença.

Estádios II, III e IVA

Para o estádio II, em que o tumor invade a camada muscular do estômago, e/ou compromete até seis linfonodos próximos ao estômago; ou estádio III, em que invade a serosa ou compromete de sete a 15 linfonodos, ou estádio IVA, em que invade mais de 15 linfonodos ou órgãos vizinhos, o tratamento indicado é a cirurgia radical, acompanhada ou não de quimioterapia, com ou sem radioterapia.

Tumor invadindo a camada muscular, podendo comprometer até seis linfonodos próximos ao estômago, e o tratamento específico para esta fase da doença.

Tumor invadindo a camada muscular, podendo comprometer até seis linfonodos próximos ao estômago, e o tratamento específico para esta fase da doença.

 

Tumor infiltrando a serosa do estômago, podendo comprometer de sete a 15 linfonodos linfáticos próximos ao estômago, e o tratamento específico para esta fase da doença.

Tumor infiltrando a serosa do estômago, podendo comprometer de sete a 15 linfonodos linfáticos próximos ao estômago, e o tratamento específico para esta fase da doença.

 

Tumor com comprometimento de mais de 15 linfonodos ou órgãos vizinhos e o tratamento específico para esta fase da doença.

Tumor com comprometimento de mais de 15 linfonodos ou órgãos vizinhos e o tratamento específico para esta fase da doença.

Cirurgia radical

O tratamento mais usado nesses estádios é a cirurgia (gastrectomia), que deve incluir a remoção do tumor, dos linfonodos regionais e das estruturas vizinhas invadidas por proximidade. Como, em geral, o risco de disseminação da doença é mais alto nesses casos, há indicação de quimioterapia complementar, que pode ser realizada antes (neoadjuvante) ou depois da cirurgia (adjuvante). Com a mesma preocupação, alguns grupos acrescentam radioterapia ao tratamento complementar, depois da cirurgia.

Quimioterapia adjuvante (pós-operatória)

No caso de lesões que ultrapassaram a camada muscular e chegaram até a serosa do estômago ou comprometeram os linfonodos, a quimioterapia pode reduzir a chance de recidiva do tumor. A duração do tratamento é de 18 a 24 semanas.

Quimioterapia neoadjuvante (pré-operatória)

Em tumores que invadem pelo menos a camada serosa da parede gástrica, recomenda-se a administração de quimioterapia pré-operatória, pois além de poder reduzir o tamanho do tumor, facilitando a futura cirurgia, aumenta as chances de cura. A duração do tratamento neoadjuvante é da ordem de nove a 12 semanas antes da cirurgia e pelo mesmo período após a gastrectomia. As medicações com atividade antineoplásica indicadas no tratamento adjuvante ou neoadjuvante incluem cisplatina, oxaliplatina, 5-fluorouracil, paclitaxel, docetaxel, irinotecano, capecitabina e epirrubicina.

Radioterapia pós-operatória

Pacientes em boas condições clínicas, operados de tumores que invadem até a camada serosa ou os linfonodos regionais, podem beneficiar-se da associação de radioterapia à quimioterapia após a cirurgia. A quimioterapia é administrada durante o tratamento radioterápico por cerca de cinco semanas, terminada a radioterapia, o tratamento quimioterápico continua.

Estádio IVB

Quando o câncer atinge o estádio IVB, invadindo órgãos como pulmões, fígado, peritônio ou ossos, o tratamento indicado é a quimioterapia, com ou sem trastuzumabe, além do acompanhamento nutricional.

Tumor com comprometimento de órgãos distantes, como pulmões, fígado e ossos, e o tratamento específico para esta fase da doença.

Tumor com comprometimento de órgãos distantes, como pulmões, fígado e ossos, e o tratamento específico para esta fase da doença.

  • Quimioterapia

Os medicamentos mais utilizados são: cisplatina, oxaliplatina, 5-fluorouracil, docetaxel, paclitaxel, irinotecano, capecitabina, epirrubicina e mitomicina C. Os efeitos colaterais mais observados são queda de cabelo, fadiga, náusea, vômito, aftas na boca, diarreia, maior predisposição a infecções, zumbido nos ouvidos, formigamento nos dedos das mãos e dos pés e alteração da função renal. Em geral, são efeitos colaterais transitórios e de leve intensidade.

Em algumas situações diagnosticadas através da análise do próprio tumor, que demonstra a presença da proteína HER-2 na membrana de célula cancerosa, acrescenta se à quimioterapia um novo medicamento, um anticorpo chamado trastuzumabe, a fim de potencializar seus efeitos benéficos. A escolha do esquema inicial depende da atividade das drogas empregadas, mas também da idade e do estado de saúde do paciente.

  • Aspectos nutricionais

Em caso de tumores muito avançados, que obstruem a passagem de alimentos, é possível introduzir uma prótese (stent) no local para vencer a obstrução ou realizar uma cirurgia com o objetivo de ligar a parte proximal (sadia) do estômago ao intestino delgado.

Caso esses procedimentos não sejam viáveis, é possível se estudar a colocação de sonda nasoenteral (introduzida pelo nariz para ultrapassar a zona de obstrução), de realização de gastrostomia (sonda colocada diretamente no estômago através da parede abdominal) ou de jejunostomia (sonda colocada
diretamente no intestino delgado através da parede abdominal).