Tipos de câncer / Câncer de pulmão



Dra. Ana Paula Garcia Cardoso.

Dra. Ana Paula Garcia Cardoso

Dra. Ana Paula Garcia Cardoso é médica Oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Câncer de pulmão | Tratamento

ESTADIAMENTO DO CÂNCER DE PULMÃO DE CÉLULAS NÃO PEQUENAS

Os quatro estádios do câncer de pulmão de células não pequenas são mostrados abaixo:

 

TRATAMENTO

O Câncer de Pulmão é dividido em dois grandes grupos, o câncer de pulmão de pequenas células e o de não pequenas células com características e tratamentos diferentes, motivo pelo qual ambos serão abordados separadamente.

 

Câncer de pulmão de pequenas células

  • Doença limitada

Nesses casos o tratamento consiste em quimioterapia em combinação com radioterapia no tórax. Em geral, a radioterapia é feita no início da quimio (preferencialmente nos primeiros 30 dias do início da QT). Após o término da quimioterapia, geralmente 4 ciclos, os pacientes que tiveram respoata parcial ou completa recebem radioterapia cerebral, chamada radioterapia profilática do crânio, também conhecida como PCI. Essa radioterapia é administrada para reduzir a incidência de metástases cerebrais, com impacto em sobrevida.

Como o câncer limitado é potencialmente curável, estão indicados tratamentos mais agressivos.

  • Doença extensa

Nesses casos, a cura é muito difícil e o paciente deve ser tratado para controle da doença e melhoria da qualidade de vida. Ao contrário do que ocorre com a doença limitada, a radioterapia não é usada conjuntamente com a quimioterapia; em geral, utiliza-se a quimioterapia e mais recentemente, a imunoterapia. Normalmente, o paciente recebe de quatro a seis ciclos de quimioterapia associada a imunoterapia e depois permence com imunoterapia de manutenção.

Ao término da quimioterapia, nos pacientes que tiveram resposta parcial ou completa e não desenvolveram doença no sistema nervoso central, pode-se considerar a radioterapia para o tórax e radioterapia profilática de crânio como nos casos de doença limitada, para diminuir o risco de recidiva da doença nesse órgão ou preferencialmente seguimento com RNM de crânio de três em tês meses. Alguns pacientes podem apresentar comprometimento do cérebro no momento do diagnóstico. Nesses casos, pode-se iniciar o tratamento com quimioterapia (que também auxilia na diminuição das metástases cerebrais) e depois administrar radioterapia para melhor controlar a doença do cérebro.

 

Câncer de pulmão não pequenas células estadios I a III

 

Nesses estadios, a cirurgia é a principal parte do tratamento, sendo a melhor oportunidade para sobrevida e cura a longo prazo. Nos últimos anos, graças ao avanço das técnicas cirúrgicas e cuidados pós operatórios, pacientes que tinham indicação de cirurgia, porém eram considerados inoperáveis devido as suas comorbidades clínicas, hoje são canditados a cirurgia o que lhes permite um melhor prognóstico.

Pacientes nos estágios I e II devem ser submetidos a ressecção cirúrgica completa, sempre que possível. A quimioterapia adjuvante, ou seja, aquela que é realizada após a cirurgia, tem papel importante no estágio II, aumentando a sobrevida destes pacientes.

Pacientes no estágio III, comprovadamente se beneficiam de quimioterapia adjuvante após cirurgia e em alguns casos, principalmente nos pacientes considerados de alto risco para recorrência após a ressecção cirúrgica, como por exemplo apresentar margens comprometidas ou múltiplos linfonodos mediastinais acometidos, também poderão se beneficiar de radioterapia. Importante ressaltar que o tratamento do câncer de pulmão deve ser multidisplinar.

No entanto, a maioria dos pacientes com estádio III são tratados não cirurgicamente, mas com uma combinação de quimioterapia e radioterapia administradas concomitantemente, servidos de 1 ano de tratamento com imunoterapia de consolidação.

Apresentação esquemática das várias situações clínicas que incluem os estádios I a III e as modalidades de tratamento a serem adotadas.

Modalidades de tratamento a serem adotadas para os estádios IIA e IIB.

Modalidades de tratamento a serem adotadas para os estádios IIA e IIB com linfonodos comprometidos.

Modalidades de tratamento a serem adotadas para o estádio IIB com linfonodos não comprometidos.

Modalidades de tratamento a serem adotadas para o estádio IIB com linfonodos não comprometidos.

Modalidades de tratamento a serem adotadas para o estádio IIIA.

Modalidades de tratamento a serem adotadas para o estádio IIIA (* veja a tabela inicial para descrição das características dos T).

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Modalidades de tratamento a serem adotadas para o estádio IIIB.

 

Estádio IV

 

Neste estágio, se encaixam os pacientes com câncer de pulmão metastático, ou seja, aqueles que tem doença em outros órgãos além do pulmão. A principal finalidade do tratamento nessa fase é controlar a doença, mantendo a melhor qualidade de vida possível. Pacientes com doença avançada devem ser acompanhados por equipe multidisciplinar e multiprofissional para avaliação e monitoramento dos sintomas causados pela doença e também, os que são causados pela toxicidade dos tratamentos. Um estudo publicado em 2010, mostrou que pacientes com câncer de pulmão metastático avançado, que são encaminhados aos Cuidados Paliativos, logo no início do diagnóstico, e mantém acompanhamento conjunto com a oncologia clínica e equipe multiprofissional tiveram aumento na sobrevida. Há três grandes opções de tratamento sistêmico, isto é, aquele tratamento que atinge as células cancerosas pela via sanguínea:

  • Terapia-alvo
  • Quimioterapia
  • Imunoterapia

Antes de iniciar o tratamento sistêmico, o oncologista irá solicitar exames que procuram verificar se estão presentes no tumor mutações específicas que permitem o uso de medicamentos mais direcionados, a chamada terapia-alvo.

Como algumas dessas mutações funcionam como geradores independentes que ativam a proliferação das células cancerosas, seu bloqueio por meio da terapia-alvo tem por objetivo eliminar o maior número possível dessas células.

Os exames que avaliam essas mutações são realizados em laboratórios de patologia especializados. As mutações mais importantes que interessam ao oncologista, devem ser pesquisadas em todos os tumores do subtipo adenocarcinoma e em alguns casos no subtipo escamoso principalmente, nos pacientes que nunca fumaram.

Em pacientes selecionados, a quimioterapia, a terapia alvo e a imunoterapia podem prolongar a sobrevida sem sacrificar a qualidade de vida.

 

Esquema que mostra os locais mais comuns de metástases do câncer de pulmão de células não pequenas e as modalidades de tratamentos disponíveis.

Esquema que mostra os locais mais comuns de metástases do câncer de pulmão de células não pequenas e as modalidades de tratamentos disponíveis.

 

Novidades ASCO 2020

Apesar de não ser o tipo mais comum, o câncer de pulmão é o que mais provoca mortalidades, tanto no Brasil quanto em outros países. O oncologista William William, diretor médico de Oncologia Clínica e Hematologia do Centro Oncológico da BP e integrante do Comitê Científico do IVOC avisa que o tratamento para esse tumor está sofrendo uma grande revolução nos últimos cinco a dez anos, com uma maneira de tratar completamente diferente do que era há uma década. “Os pacientes estão vivendo com mais qualidade de vida, por maior tempo e aumentando as chances de cura”, avalia.

O médico afirma que um conceito bastante desenvolvido em câncer de pulmão é o da medicina personalizada. “Hoje entendemos esse tumor não como uma doença única, mas várias. Cada tumor tem um defeito em suas moléculas, que faz com que se torne mais ou menos agressivo. Aprendemos que se identificarmos esse tipo de alteração em cada paciente, podem ser usadas medicações que atuarão especificamente em cada uma dessas alterações. Se junto o medicamento correto para o paciente com alteração específica, tenho uma eficácia bastante grande. A isso chamamos terapia-alvo, a personalização do tratamento”, explica William, destacando que uma novidade no encontro da ASCO deste ano foi a identificação de algumas alterações moleculares mais raras, que adequadamente tratadas levam a um grande controle da doença. “São alterações que podem acontecer em 1% a 2% dos pacientes com câncer de pulmão”.

Uma das vantagens desses resultados, aponta, é que com tratamento eficaz da doença avançada, essas estratégias também começam a ser usadas em casos em que o tumor não está tão avançado. “Antigamente nós operávamos e eventualmente dávamos alguma quimioterapia preventiva depois, e o tratamento parava por aí. No congresso vimos que se operarmos, dermos a quimioterapia, identificarmos o alvo correto e fizermos a terapia-alvo no pós-operatório, aumentamos as chances de cura do paciente”.

William cita ainda outra importante novidade em câncer de pulmão, com relação à imunoterapia, que aumenta o sistema de defesa do organismo. “Vimos combinações de duas imunoterapias diferentes mais quimioterapia sendo muito eficazes. Essas estratégias estão sendo refinadas e suas combinações podem levar ao controle da doença por anos; o câncer de pulmão passa a ser uma doença crônica como diabetes ou pressão alta”.

Buzaid salienta que a imunoterapia para câncer de pulmão avançado está cada vez mais presente e demonstra sinais de eficácia, até mesmo de cura numa fração de pacientes seguidos vários anos.