Tipos de câncer / Câncer de rim



Câncer de rim | Tratamento

ESTADIAMENTO

Os quatro estádios do câncer de rim estão descritos abaixo:

Estadiamento do câncer de rim.

Estadiamento do câncer de rim.

 

TRATAMENTO

O tipo de tratamento é definido conforme o estádio em que a doença se apresenta:

 

Estádio I

Nessa fase, em que o tumor tem até 7 cm e está confinado ao rim, a doença é altamente curável por meios cirúrgicos.

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Tumor de até 7 cm de tamanho, confinado ao rim, e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

  •  Cirurgia aberta e laparoscopia

A cirurgia nesses casos consiste na retirada do rim (nefrectomia radical). A nefrectomia pode ser feita pela via aberta, na qual o cirurgião faz uma incisão abdominal ou pelas costas ao lado da coluna para expor o rim junto com a massa tumoral, ou por via laparoscópica. Em mãos experientes, os resultados da laparoscopia são semelhantes aos da cirurgia tradicional.

A cirurgia laparoscópica tem a vantagem de apresentar período pós-operatório com dores de menor intensidade, mas é importante ressaltar que ela nem sempre é tecnicamente possível, mesmo que o cirurgião seja experiente. Alguns avanços nas técnicas cirúrgicas permitiram procedimentos mais conservadores, por meio dos quais há possibilidade de retirar somente o tumor e uma pequena parte do rim, em vez de removê-lo completamente. Essa técnica é chamada de nefrectomia parcial.

A nefrectomia parcial evita o inconveniente de deixar a pessoa com um só rim, situação delicada porque doenças como hipertensão arterial e diabetes podem comprometer a função do rim remanescente, levando à insuficiência renal crônica. Essa técnica também pode ser empregada em pacientes que apresentam tumores nos dois rins. Em tumores com menos de 7 cm, situados em áreas periféricas do rim, a nefrectomia parcial costuma ser a melhor solução.

 

  • Radiofrequência e crioterapia

Nos últimos anos, surgiram duas técnicas menos invasivas que a cirurgia para tratamento de tumores pequenos, geralmente menores do que 3 a 4 cm: a radiofrequência e a crioterapia. Esses procedimentos são realizados sem cirurgia e sem anestesia geral. Em ambos, o tumor é alcançado com uma espécie de agulha introduzida através da pele, guiada por ultrassonografia ou tomografia computadorizada e ocorre então a destruição do tumor através de calor ou frio, respectivamente.

 

  • Monitorização continuada

Outra estratégia em caso de tumores pequenos em pacientes idosos ou com problemas graves de saúde é apenas observar e repetir os exames a cada seis meses, pois boa parte dessas pessoas apresenta tumores renais de crescimento lento.

 

Estádios II e III

Nas fases em que o tumor possui mais de 7 cm e ainda está confinado ao rim (Estádio II) ou já infiltrado nos tecidos vizinhos, como o tecido gorduroso, veia renal ou linfonodos (Estádio III), o tratamento indicado é a nefrectomia radical com a remoção do órgão e demais tecidos afetados.

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Tumor com mais de 7 cm, ainda confinado ao rim, e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

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Tumor que infiltrou os tecidos vizinhos: tecido gorduroso (A), veia renal (B) ou linfonodos (C), e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

Estádio IV

Quando as células tumorais se disseminaram pela corrente sanguínea e pelos vasos linfáticos e criaram focos metastáticos nos pulmões, ossos, fígado e linfonodos, o tratamento não pode ficar restrito somente ao controle do tumor primário instalado no rim.

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Tumor disseminado e o tratamento específico para essa fase da doença.

As seguintes modalidades de tratamento podem ser indicadas nesses casos:

 

  • Tratamento imunológico

Há duas proteínas envolvidas na resposta imunológica com atividade contra o câncer de rim: alfainterferona e interleucina-2. A administração de alfainterferona, pela via subcutânea, está associada à toxicidade de média intensidade, e os resultados obtidos são modestos.

A interleucina-2 provoca efeitos colaterais que podem exigir cuidados hospitalares intensivos. Essa droga só deve ser administrada em pacientes com boas condições de saúde, por equipes profissionais experientes.

A favor do uso de interleucina-2 existe o fato de que alguns pacientes entram em remissão completa, que pode durar anos ou representar a cura da doença. Esses casos, no entanto, são raros (da ordem de 7% dos pacientes tratados).

 

  • Terapia antiangiogênica

Consiste na utilização de agentes que bloqueiam a formação de novos vasos sanguíneos, impedindo que as células tumorais recebam nutrientes e oxigênio através da circulação. Pertencem a essa categoria os seguintes medicamentos:

  • Administrados por via oral: sunitinibe, pazopanibe, cabozantinibe, lenvatinibe, sorafenibe, everolimo e axitinibe;
  • Administrados por via venosa: bevacizumabe e tensirolimo.

Na maioria dos casos estas medicações são administradas isoladamente (ex. sunitinibe, pazopanibe, axitinibe, cabozantinibe, lenvatinibe, sorafenibe, everolimo e temsirolimo), mas podem também  ser administrados em combinação com agentes imunológicos (ex. bevacizumabe + interferon) ou ainda com imunoterápicos (ex. axitinibe + pembrolizumabe).

Essas medicações podem causar os seguintes efeitos colaterais: fadiga, náusea, aftas na boca, diarreia, maior predisposição a infecções, inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés, aumento da pressão arterial e, raramente, alteração da função cardíaca e pulmonar. Em geral, são efeitos colaterais transitórios e de intensidade leve a moderada.

  • Agentes imunoterápicos

Os agentes imunoterápicos foram introduzidos no tratamento do câncer renal avançado nos últimos poucos anos. O objetivo deles é estimular o sistema imunológico do próprio paciente a lutar contra o câncer renal. Todos estes agentes são administrados por via intravenosa em períodos com intervalos de poucas semanas. Os principais agentes imunoterápicos utilizados são o nivolumabe, ipilimumabe e pembrolizumabe. Eles podem ser administrados isoladamente (ex. nivolumabe) naqueles pacientes que já receberam tratamento com terapia antiangiogênica previamente e falharam ao tratamento. Nos pacientes que nunca receberam tratamento prévio com terapia antiangiogênica, os agentes imunoterápicos podem ser administrados em combinação com outro imunoterápico (ex. ipilimumabe + nivolumabe) ou com uma terapia antiangiogênica (ex. pembrolizumabe + axitinibe). A melhor definição do tratamento deve ser feita caso a caso pelo oncologista clínico do paciente.

Estes tratamentos imunoterápicos podem causar efeitos colaterais quando o sistema imunológico do próprio paciente passa a atacar os órgãos dos próprio paciente, configurando assim um efeito colateral auto-imune. Os principais são inflamação na pele causando vermelhidão e coceira, mal funcionamento da tiróide podendo levar a cansaço excessivo, inflamação no pulmão podendo levar a tosse e falta de ar, inflamação no intestino podendo levar a diarréia, inflamação nas articulações levando a artrite e dores nas juntas, entre outros efeitos colaterais mais raros. É muito importante a monitorização de perto pelo oncologista clínico para identificar e tratar estes efeitos colaterais rapidamente.

 

  • Cirurgia

Mesmo nos casos em que a doença se encontra disseminada por vários órgãos, a retirada cirúrgica do rim comprometido costuma trazer benefícios clínicos e evitar complicações futuras, como dor e sangramento. Com a mesma intenção, em casos selecionados podem ser retiradas metástases em determinadas localizações: pulmões, fígado ou cérebro.

 

  • Radioterapia

Os tumores malignos do rim são considerados relativamente resistentes à radioterapia. No entanto, o tratamento radioterápico pode estar indicado em caso de metástases ósseas que provocam dor ou em metástases cerebrais.

 

  • Imunoterapia