Tipos de câncer / Câncer de testículo



Dra. Ana Paula Garcia Cardoso.

Dra. Ana Paula Garcia Cardoso

Dra. Ana Paula Garcia Cardoso é médica Oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Câncer de testículo | Tratamento

Câncer de Testículo é o câncer mais comum em homens entre as idades de 15 e 35 anos. A disponibilidade de terapias efetivas e o desenvolvimento de marcadores super sensíveis facilitam o manejo da doença elevando as chances de cura para até 95%.

 

ESTADIAMENTO

Os quatro estádios estão descritos abaixo:

Estadiamento do câncer de testículo.

Estadiamento do câncer de testículo.

 

TRATAMENTO

O tipo de tratamento é definido conforme o estádio em que a doença se apresenta:

 

Estádio I

Nessa fase, em que o câncer está confinado ao testículo, o tratamento indicado é a cirurgia associada ou não ao tratamento complementar que vai depender do tipo de tumor. No caso dos tumores seminomatosos, a associação de quimioterapia ou radioterapia ao tratamento pode ser benéfica. No caso dos tumores não seminomatosos, pode ser associado mais cirurgia dos linfonodos de trás do abdome ou quimioterapia.

 

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Tumor seminomatoso, confinado ao testículo, e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

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Tumor não seminomatoso, confinado ao testículo, e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

  • Tumores seminomatosos

O tratamento indicado é, também, a  orquiectomia. Nos pacientes com tumores seminomatosos pequenos e sem invasão da rete testis, a maioria dos médicos opta por somente observar sem recomendar nenhum tratamento adicional. Caso o tumor seja grande (maior que 4 cm) e/ou apresente invasão da rete testis e/ou , apresente invasão dos vasos sanguíneos, ou tenha marcadores tumorais sanguíneos em níveis elevados como o ß-HCG, há duas opções de tratamentos preventivos: quimioterapia ou radioterapia adjuvante.

 

  • Tumores não seminomatosos

Pacientes com tumores não seminomatoso enfrentam uma situação bastante favorável, com chances de cura que chegam próximo de 100%. Inicialmente, a cirurgia indicada é a orquiectomia radical, que consiste na remoção do testículo por uma incisão cirúrgica pela virilha. Antes e depois da cirurgia, é importante dosar no sangue os marcadores tumorais e providenciar exames de imagem para afastar a presença de metástases em outros locais. Se os exames forem normais e o caso classificado como de bom prognóstico, não haverá necessidade de tratamento complementar.

Ao contrário, se houver um ou dois destes fatores (predomínio de carcinoma embrionário e/ou invasão dos vasos sanguíneos ao redor do tumor primário), geralmente indica-se um ou dois ciclos de quimioterapia ou cirurgia preventiva para remover os linfonodos do abdômen, na área do retroperitônio, chamada de dissecção de linfonodos retroperitoneais.

 

Estádio II

Na fase em que o câncer migrou para os linfonodos do abdômen (retroperitônio), o tratamento indicado para os tumores não seminomatosos é a orquiectomia associada à quimioterapia adjuvante e, para os tumores seminomatosos, a orquiectomia complementada por quimioterapia ou radioterapia.

 

  • Tumores seminomatosos
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Tumor seminomatoso que migrou para os linfonodos do abdômen e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

* Radioterapia

Os tumores seminomatosos são muito sensíveis à radioterapia. A irradiação dirigida contra os linfonodos retroperitoneais (doses baixas) pode evitar a necessidade de cirurgia para remoção dos mesmos e de quimioterapia, com resultados excelentes. A radioterapia é usada de preferência quando os linfonodos são menores do que 2 cm, mas também pode ser utilizadas para linfonodos maiores, mas não muito.

 

* Quimioterapia

Os tumores seminomatosos também são sensíveis a quimioterapia. A quimioterapia é recomendada naqueles pacientes com linfonodos acima de 2 cm. Deve se escolher se quimio ou radioterapia, sendo que a última não deve ser a preferência para linfonodos muito maiores que 2 cm.

 

* Cirurgia

Além da orquiectomia, ao término da quimioterapia pode se ficar na dúvida em relação a natureza de linfonodos aumentados, maiores que 3 cm. Nesses casos o PET-CT pode melhor avaliar a presença de doença ativa no retroperitôneo. Na maioria desses casos, a doença não é ativa e poderá ser observada com grande perspectiva de diminuir no decorrer dos anos.

 

  • Tumores não seminomatosos
Tumor não seminomatoso que migrou para os linfonodos do abdômen e o tratamento específico para essa fase da doença.

Tumor não seminomatoso que migrou para os linfonodos do abdômen e o
tratamento específico para essa fase da doença.

 

* Cirurgia

Além da orquiectomia, pode haver necessidade de dissecção de retroperitôneo para esclarecimento sobre a natureza dos linfonodos aumentados. Esse procedimento pode ser realizado antes da quimioterapia, para se ter certeza do acometimento do linfonodo por doença, ou após a quimioterapia como explicado a seguir.

 

* Quimioterapia

Nos tumores não seminomatosos, o esquema de quimioterapia adjuvante inclui três medicamentos administrados em três a quatro ciclos, com intervalo de três semanas: cisplatina, etoposídeo e bleomicina (esquema BEP). Após o final da quimioterapia, se os exames de imagem mostrarem desaparecimento dos linfonodos abdominais que continham tumor, podemos considerar o tratamento encerrado.

Por outro lado, se mostrarem que os linfonodos retroperitoneais ainda se encontram aumentados, não existem exames de imagem que possam discernir entre a presença de células tumorais, que se mantiveram pós-quimioterapia, e a presença de fibrose, que é benigna. O PET-TC (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons) não é útil nessa situação.

 

* Cirurgia para remoção dos linfonodos do retroperitônio

Quando os linfonodos ficam aumentados após a quimioterapia, a única forma de avaliar as imagens residuais é através da cirurgia que consiste em retirar os linfonodos retroperitoneais.

Na maior parte das vezes, os linfonodos removidos só contêm fibrose ou tecido morto (necrose). Em outras, ainda há células malignas que resistiram à quimioterapia. E, por último, pode ter sobrado no local apenas teratoma maduro, lesão benigna que é curada com cirurgia.

Um dos efeitos colaterais dessa cirurgia é a ejaculação retrógrada, nome dado ao fenômeno de eliminação do esperma para dentro da bexiga, durante o orgasmo. O fluxo retrógrado pode ocorrer quando a cirurgia lesa os nervos que controlam a direção da ejaculação.

A ejaculação retrógrada pode ser evitada em alguns casos selecionados, por meio da preservação dos nervos que controlam a ejaculação.

 

Estádios III e IV

Quando existem metástases pulmonares (Estádio III) ou hepáticas, ósseas ou cerebrais (Estádio IV), além da orquiectomia, há indicação sumária de tratamento para todo o corpo (chamado de sistêmico), tanto para os não seminomas quanto para os seminomas.

 

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Câncer com metástases pulmonares, hepáticas, ósseas ou cerebrais e o tratamento específico para essa fase da doença.Quimioterapia

  • Quimioterapia

Os tumores de testículo são os mais sensíveis à quimioterapia, possibilitando curas definitivas mesmo em casos avançados. Os principais esquemas envolvem cisplatina, etoposídeo e bleomicina (esquema BEP). O número de ciclos irá depender do volume da doença.

Nos casos em que houver apenas metástases pulmonares, três ciclos costumam ser suficientes para induzir respostas completas e duradouras. Quando há metástases ósseas, hepáticas ou cerebrais, são aplicados quatro ciclos.

Em situações em que o câncer de testículo compromete linfonodos ou pulmões e os marcadores tumorais estão muito elevados, devem ser administrados quatro ciclos de quimioterapia em vez de três.

Caso não haja a cura definitiva, existem esquemas de quimioterapia de resgate e esquemas de alta dose. Alguns esquemas incluem o transplante de medula óssea como suporte ao tratamento de alta dose. Vale ressaltar que o câncer de testículo é um dos tumores mais curáveis do corpo humano, mesmo em fases mais avançadas da doença.

 

  • Cirurgia

Caso, depois da quimioterapia, persistam massas tumorais residuais, é comum indicar a remoção cirúrgica desse tecido residual.

 

Acompanhamento

Como a recidiva do câncer geralmente ocorre nos dois primeiros anos, nesse período os exames de controle devem ser mais frequentes. A cada dois meses devem ser pedidos os marcadores tumorais (AFP, ß-HCG e DHL) e raio X de tórax nos tumores não seminomatosos e somente ß-HCG e DHL nos seminomatosos. A cada quatro meses, deve-se obter uma tomografia computadorizada ou RNM do abdômen.

Após o período de dois anos, os mesmos exames são solicitados com menor frequência. Depois de cinco anos sem evidência de recidiva, os exames são solicitados apenas anualmente.

Pacientes que tiveram câncer em um dos testículos têm 3% de risco de ter um novo tumor no testículo remanescente. Por isso, todos devem ser orientados a fazer o autoexame e, em caso de dúvida, a ultrassonografia da bolsa escrotal.

 

O problema da infertilidade

Os tratamentos para combater o câncer de testículo podem induzir à infertilidade. Por essa razão, é recomendável, antes de começar qualquer tratamento adicional, colher esperma para armazenamento nos bancos de esperma. Caso a infertilidade seja temporária, as amostras poderão ser desprezadas no futuro.

É sempre aconselhado ao paciente ter filhos somente após o período de um a dois anos, contados a partir do final do tratamento, pois alguns pesquisadores sugerem que, antes desse período, existem riscos para a saúde do feto.