Tipos de câncer / Melanoma e outros cânceres de pele



Melanoma/Câncer de pele | Tratamento

NÃO MELANOMA

 

O tratamento consiste, em geral, na remoção cirúrgica com margens livres. Nos tumores localizados em regiões em que cirurgia completa seja mais difícil, como na face, é comum considerar uma técnica cirúrgica que avalia se há ou não tumor nas bordas da área removida, já durante a cirurgia, chamada cirurgia de Mohs. Essa técnica, embora realizada por poucos dermatologistas no Brasil, reduz claramente o risco de recidiva no local da cirurgia, sem o mesmo grau de mutilação cirúrgica.

Em casos selecionados, esses tumores de pele podem ser tratados com radioterapia exclusiva. Outras técnicas que também podem ser usadas:

Terapia fotodinâmica

Consiste na injeção intravenosa de uma substância que se dispersa por todo o corpo, inclusive pelas células tumorais. Esta medicação é inativa, até que se aplique uma luz de comprimento de onda específico. A ativação, desta forma, é restrita à área desejada, poupando os tecidos normais.

Criocirurgia

Técnica de tratamento do tumor, através de seu congelamento.

 

MELANOMA

Tratamento

O tratamento do melanoma nos estádios iniciais (in situ e IA), nos quais a chance de cura é superior a 98%, consiste em uma cirurgia para retirada de uma quantidade adicional de pele ao redor do melanoma inicial (chamada de ampliação de margens), sem necessidade da pesquisa de linfonodo sentinela.

Nos melanomas estádio IB até o estádio IIC, o tratamento consiste na ampliação de margens e pesquisa do linfonodo sentinela naqueles com índice de Breslow acima de 1 mm ou entre 0,8 mm e 1 mm com presença de ulceração. A análise do linfonodo sentinela por patologista especialista em melanoma é fundamental para definir se existem focos de melanoma acima de 1 mm no linfonodo retirado e a necessidade de tratamento suplementar. A decisão sobre a necessidade de tratamento suplementar após a remoção do melanoma e do linfonodo sentinela é feita pelo oncologista clínico.

Nos pacientes com melanoma estádio III, recomendava-se a remoção dos demais linfonodos da região (linfadenectomia). Entretanto, esta recomendação não existe mais, e este procedimento é feito somente em casos selecionados.

Os pacientes com melanoma que têm comprometimento de gânglio (detectados através de exames ou pela pesquisa do linfonodo sentinela) podem se beneficiar de tratamentos complementares à cirurgia. Há duas estratégias principais: o uso de imunoterapia, drogas que aumentam a atividade do nosso sistema natural de defesa, para que este ataque qualquer resíduo de câncer, ou medicações chamadas de “terapia-alvo”, que interferem nas proteínas das células do tumor, levando à sua destruição. A terapia-alvo depende de pesquisas específicas para averiguar a presença das proteínas que são alvo destas medicações. Eventualmente, a depender da condição de risco (estadiamento), efeitos colaterais ou contraindicações, os pacientes podem ser acompanhados ao longo do tempo com exames de imagem (tomografias, ressonância ou PET-TC).

Pacientes com comprometimento de órgãos internos, o que chamamos de metástases, têm as seguintes opções de tratamento:

 

Medicamentos que estimulam o sistema imunológico, a chamada imunoterapia (por exemplo, o ipilimumabe, o nivolumabe e o pembrolizumabe)

Ipilimumabe, nivolumabe e pembrolizumabe são as drogas disponíveis no Brasil para o tratamento do melanoma metastático. Estas funcionam interferindo no nosso sistema natural de defesas (imunidade), fazendo com que este fique mais ativo. Assim, espera-se que as células de defesa ataquem o melanoma. Como o vídeo mostra, a ativação feita por estas drogas ocorre por meio da remoção do “freio” do sistema imune. Este “freio” existe para que nosso sistema de defesas não ataque o nosso próprio organismo.

Com a remoção deste freio, a doença pode ser combatida, entretanto efeitos colaterais como alterações de pele e hormonais, diarreia, ou mesmo quadros mais sérios (felizmente raros) podem se instalar. À exceção das alterações hormonais e de eventual vitiligo, a grande maioria dos efeitos colaterais pode ser revertido.

 

 

Terapia-alvo

Terapia-alvo” é o nome da estratégia que usa remédios para proteínas específicas da célula do câncer. Se compararmos a célula do câncer com uma máquina que depende de diversas engrenagens, a terapia-alvo funciona como um bloqueio de uma engrenagem que ficou “doente” e que passou a girar de forma desgovernada. Na linguagem técnica, o que acontece é uma mutação de um gene que produz esta proteína doente e leva a uma atividade desgovernada. Não existe uma forma de consertarmos esta “engrenagem mutada”, então desenvolveu-se drogas que a bloqueiam, o que leva a um colapso da célula tumoral.

A estratégia da terapia-alvo é utilizada em diversos tipos de tumores. No melanoma, o gene mutado mais frequentemente é o BRAF. Estas mutações são mais frequentes em pacientes jovens e predominam nos melanomas de pele (Sim! Existe melanomas que nascem em outras partes do corpo, como olho, ânus, vagina, boca ou cavidade nasal). O tratamento mais eficaz é feito com uma dupla de medicamentos: uma que bloqueia o BRAF e outra, que bloqueia um gene chamado MEK (uma engrenagem que vem logo a seguir do BRAF). As duas combinações disponíveis no Brasil são dabrafenibe (BRAF) e trametinibe (MEK), e vemurafenibe (BRAF) e cobimetinibe (MEK). Já existe nos EUA e na Europa uma outra combinação: encorafenibe (BRAF) e binimetinibe (MEK).

Os efeitos colaterais da terapia-alvo são mais frequentemente náusea, diarreia, febre, alterações de pele. Raramente podem ocorrer alterações cardíacas e oculares.

 

Quimioterapia

Os principais medicamentos utilizados são a dacarbazina, o paclitaxel e o esquema combinado CVD (cisplatina, vimblastina e dacarbazina). É importante frisar que o tratamento com quimioterapia é inferior em eficácia em relação à imunoterapia e à “terapia-alvo”, sendo cada vez menos utilizado.

Existem algumas situações em que se considera cirurgia para lesões metastáticas. Isso ocorre, em geral, nos pacientes que tenham sintomas graves relacionados a uma lesão (no cérebro ou intestino, por exemplo) ou com lesões únicas, de crescimento lento.

 


Atualização: Dra. Veridiana Pires De Camargo – CRM: 113175
Oncologista Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo
Apoio: Dra. Jéssica Ribeiro Gomes – CRM: 159784
Oncologista Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo
Fevereiro 2022