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Priscila Moreira

Publicado em 28/01/2021

Revisado em 28/01/2021

Cinco dúvidas frequentes sobre câncer de pele

Cinco dúvidas frequentes sobre câncer de pele

 

O oncologista Rafael Schmerling, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, é presidente do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), entidade criada por profissionais da área de Saúde para atuar e colaborar no estudo do tipo mais agressivo e perigoso de câncer de pele.

É importante destacar que, como em todos os tumores de pele, o melanoma tem altas taxas de cura se descoberto no início. “O sucesso do tratamento depende da profundidade do tumor. Lesões iniciais são curadas em mais de 90% dos casos. Quem faz o diagnóstico e tratamento é um médico especializado, normalmente dermatologista, cirurgião plástico, cirurgião oncológico ou oncologista clínico”, ressalta o material informativo do GBM, disponibilizado pelo programa ‘Juntos contra o Melanoma’.

O médico responde, abaixo, cinco dúvidas frequentes sobre a doença. Rafael Schmerling ressalta a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e do conhecimento dos fatores de risco para o tratamento correto do câncer de pele.

 

Instituto Vencer o Câncer: Quais são os principais tipos de câncer de pele e suas principais características?

Rafael Schmerling: Podemos destacar os três tipos mais comuns de câncer de pele. O primeiro é o carcinoma basocelular – é o mais incidente e normalmente se apresenta como nódulos rugosos na pele e ocorre normalmente em áreas expostas ao sol. 

Existe, também, o carcinoma espinocelular, que se apresenta em forma de feridas que não cicatrizam (toda ferida que tem seis semanas ou mais e não se resolve merece uma atenção especial). Também acomete áreas expostas ao sol, predominantemente. Pode causar dor e possuem sangramentos.

O terceiro grupo é o melanoma, que na grande maioria das vezes se apresenta como uma pinta diferente das demais, com múltiplas cores, bordas irregulares, que muda de tamanho, e merece uma atenção específica, porque pode provocar metástase com maior frequência.

 

IVOC: Então todo tipo de câncer de pele pode gerar metástase?

RS: O câncer de pele pode causar metástases, entendendo que o carcinoma basocelular – que é o mais comum – tem a menor chance de causar metástases, provavelmente menos de 1% dos pacientes tenham este risco. O carcinoma espinocelular é um pouco mais frequente, mas existe um risco pequeno de causar metástase, especialmente para gânglios, e eventualmente pulmão.

O melanoma, a depender do momento em que ele é diagnosticado, ele tem um risco significativamente maior de se espalhar para outros órgãos, com a possibilidade de comprometimento de gânglios, pulmão e até o cérebro. Ainda assim, isso é muito menos frequente com a doença removida na sua fase mais precoce.

 

IVOC:  O paciente com câncer de pele sempre terá que fazer cirurgia?

RS: O ideal é que todos os pacientes sejam operados no tratamento mais precoce e atendidos por um médico cirurgião, um dermatologista com experiência na área. É importante que os pacientes tenham uma cirurgia que compreenda todo o tumor, toda a lesão precisa ser adequadamente removida. No caso especial do melanoma, é feita uma biopsia e isso é necessariamente complementado com o que a gente chama de “ampliação de margem”, que é basicamente uma nova cirurgia, que vai remover a cicatriz e vai dar mais um espaço para garantir que não tenha nenhum escape de célula. Para os carcinomas, em geral, é menos importante que você faça essa ampliação de margem, uma vez que a lesão tende a ser totalmente removida na primeira cirurgia. 

 

IVOC: Para este tipo de câncer, principalmente para o tumor de pele melanoma, qual a relevância dos fatores hereditários?

RS: Quanto a questões genéticas, existem pacientes que têm um risco familiar mais importante. Isso significa que famílias que têm genes alterados transmitem essas alterações pelas gerações. Isso ocorre em vários tipos de tumores e os de pele não são diferentes. Famílias que têm diversos indivíduos com um mesmo tipo de câncer precisam de uma avaliação específica de um médico oncogeneticista. Em especial para o melanoma, mesmo que não exista um gene específico alterado, sabemos que descendentes de pacientes com melanoma tem um risco um pouco maior; isso é diferente daquelas famílias que têm os genes alterados. Mas essa situação é bem menos comum.

 

IVOC: Temos falado bastante de proteção e prevenção do câncer de pele, principalmente durante o verão, com os altos índices de radiação solar no Brasil. Quais pessoas têm o maior risco para cada tipo da doença?

RS: Independente da história familiar, os pacientes com maior risco para câncer de pele são aqueles com pele clara, olhos claros, os ruivos em especial, que tem uma história de exposição solar importante. 

O que é diferente é que os carcinomas estão muito mais relacionamos a uma exposição crônica ao sol – aquele sol do dia a dia, para a pessoa que trabalha exposta ao sol. Assim, acomete pessoas de idade mais avançada. Ao passo que o melanoma tem um risco mais relacionado a queimaduras solares, aquela em que a pele fica bem vermelha, especialmente as que acontece na infância e na adolescência. Então, essas queimaduras colocam em risco, lá na frente, o desenvolvimento de casos potencialmente mais graves.

Existem algumas situações peculiares, especialmente para o carcinoma espinocelular, em que feridas crônicas podem desenvolver esse tumor, pacientes que têm varizes e acabam evoluindo para úlceras têm risco maior. Uma outra questão são pacientes que têm uma baixa da imunidade, especialmente pacientes em tratamento para transplante. Estes possuem um risco aumentado para desenvolver especialmente o carcinoma espinocelular.