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Juliana Conte

Publicado em 25/11/2016

Revisado em 07/03/2017

Câncer de próstata e risco cardíaco

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O câncer de próstata é um dos tumores mais incidentes na população masculina, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. Pessoas com familiares diagnosticados antes dos 65 anos apresentam risco mais alto de desenvolver o problema e devem começar o acompanhamento médico e laboratorial aos 40 anos. Porém, cerca de 3/4 dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos, idade em que o paciente costuma ter outras doenças associadas, como problemas cardiovasculares. E é aí que mora o problema.

É de extrema importância que o estado geral de saúde seja levado em consideração no início do tratamento oncológico, pois a terapia de bloqueio hormonal à qual os pacientes com doença avançada são submetidos pode agravar ainda mais doenças cardíacas pré-existentes e levá-los a ter infartos e derrames alguns anos depois.

A dra. Ariane Vieira Scarlatelli Macedo, cardiologista e Vice-Presidente do Grupo de Estudos em Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia, explica que o bloqueio hormonal ou terapia de privação androgênica consiste na redução dos níveis de testosterona no sangue por meio de medicamentos com o objetivo de inibir o crescimento de células cancerosas. A simples redução da quantidade de testosterona, por si só, já leva a alterações dos níveis de glicose (tendência a diabetes), aumento de colesterol e aumento da gordura corporal .

Mas, recentemente, muitos estudos estão apontando que não só os baixos níveis de testosterona contribuem para o aumento do risco cardiovascular.
“Alguns tipos de medicamentos utilizados para bloquear a produção de testosterona nos testículos têm sido apontados como os causadores diretos dos eventos cardíacos por um suposto mecanismo de instabilização de placas de gordura arteriais já presentes nesses pacientes mais idosos. O que observamos é que de três a seis meses após o tratamento surge o problema, o que impacta na conduta oncológica”, explica a dra. Ariane.
Scarlatelli alerta que é de suma importância que os pacientes candidatos a essa terapia tenham seu risco cardiovascular avaliado antes do início deste tipo de medicação.