Tipos de câncer / Câncer de cérebro



Dr. Fernando Maluf.

Dr. Fernando Maluf

Dr. Fernando Maluf é Doutor em Ciências/Doutorado em Urologia pela FMUSP, membro associado do American Cancer Society e Diretor do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital BP Mirante de São Paulo. Foi Chefe do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica e membro integrante do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês. É autor de artigos científicos e de mais de uma dezena livros publicados no Brasil e no exterior, além de Professor Livre Docente pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Câncer de cérebro | Tratamento

ESTADIAMENTO

O melhor exame para avaliar a extensão dos tumores cerebrais é a ressonância nuclear magnética. Entretanto, a ressonância avalia somente as alterações macroscópicas, sem detectar acúmulos microscópicos de células malignas em outras áreas do cérebro.

Em alguns tipos de tumores cerebrais ou em caso de suspeita de comprometimento das meninges, o médico solicita a retirada do liquor, líquido que fica dentro das meninges. Como os tumores cerebrais quase nunca formam metástases em órgãos distantes, o estadiamento clássico com exames de imagem para o resto do corpo não é aplicável.

 

Astrocitoma pilocítico ou grau 1

  • Cirurgia

O tratamento é cirúrgico. Quando a remoção é bem-sucedida, as chances de cura são altas.

Opções de tratamento para o astrocitoma pilocítico.

Astrocitoma de baixo grau ou grau 2 ou oligodendrogliomas de baixo grau ou grau 2

 

  • Cirurgia: craniotomia e remoção do tumor

O tratamento inicial também é cirúrgico. Diferentemente dos tumores de grau 1, no entanto, os de grau 2 podem ser infiltrativos e formar depósitos microscópicos, além dos limites visíveis ao neurocirurgião.

O neurocirurgião deve ser experiente para procurar erradicar o tumor, sem perder de vista a preservação das áreas vitais para as funções neurológicas. Algumas vezes, para diminuir os riscos de sequelas, a cirurgia é realizada com o paciente acordado (porém sem sentir dor), com o objetivo de mapear e preservar as áreas nobres.

A principal limitação da cirurgia é que muitas vezes não é possível distinguir os limites entre o tumor e o tecido cerebral normal. Em algumas situações, nas quais as lesões se localizam em áreas muito delicadas do cérebro, a cirurgia se limita a colher um fragmento apenas para o diagnóstico.

 

  • Radioterapia

Quando a retirada de toda a massa tumoral não é possível ou quando ocorre recidiva, pode-se lançar mão da radioterapia externa que em geral é feita em conjunto com a radioterapia. A técnica mais utilizada é a radioterapia externa conformacional. O tratamento tem a duração aproximada de cinco a seis semanas, com sessões de segunda a sexta-feira, uma vez ao dia, que duram aproximadamente 15 a 20 minutos. As técnicas evoluíram bastante na última década. Hoje é possível dirigir os raios com mais precisão, poupando os tecidos cerebrais saudáveis.

Outra técnica utilizada, porém com indicações muito mais restritas, é a radioterapia estereotáxica, que difere da anterior, porque a dose total é administrada de uma única vez ou em poucas sessões.

 

  • Quimioterapia

Essa forma de tratamento tem sido cada vez mais utilizada nos tumores de baixo grau, em particular quando a cirurgia não conseguiu eliminar a doença completamente e/ou em pacientes acima de 40 anos, devido a maior agressividade dos tumores a partir desta idade. Pode ser realizada com drogas de administração oral exclusiva (temozolomida) ou intravenosa associada a medicações orais (PCV – procarbazina, lomustina, e vincristina), associadas à radioterapia. Apesar dos tratamentos quimioterápicos serem relativamente bem tolerados, efeitos colaterais como diminuição da imunidade, anemia, diminuição das plaquetas, fadiga, e alteração do paladar podem ocorrer.

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Opções de tratamento para o astrocitoma de baixo grau (grau 2) ou oligodendroglioma de baixo grau (grau 2).

 

Astrocitoma anaplásico (grau 3) OU glioblastoma multiforme (grau 4) OU oligodendroglioma anaplásico (grau 3) 

 

  • Cirurgia

O tratamento inicial também é cirúrgico, como o descrito para os tumores de baixo grau. Tem por finalidade não só remover a maior quantidade possível de massa tumoral, mas também aliviar a pressão intracraniana causada pelo edema ao redor do tumor. Como esses tumores infiltram as estruturas vizinhas, dificilmente a cirurgia consegue remover completamente a massa tumoral. Para complementar o tratamento nesses casos, há necessidade de radioterapia e quimioterapia. Quando os tumores se localizam em áreas muito delicadas do cérebro, a cirurgia se limita à biópsia.

 

  • Radioterapia

A radioterapia externa está indicada depois da cirurgia, nos portadores de tumores mais agressivos. O tratamento é feito nos moldes descritos para os tumores de baixo grau, durante um período de seis semanas. A quimioterapia em geral é administrada em conjunto com a radioterapia.

 

  • Quimioterapia

Nos pacientes com tumores de alto grau, em particular os astrocitomas, o tratamento cirúrgico deve ser complementado com radioterapia externa e quimioterapia, com um medicamento chamado temozolomida. Essa associação é o tratamento adjuvante mais indicado. Deve ser iniciada poucos dias depois da cirurgia inicial.

A temozolomida é administrada por via oral, concomitantemente à radioterapia. É uma droga geralmente bem tolerada. Os efeitos colaterais são cansaço, náusea e prisão de ventre. Para pacientes com intolerância a temozolomida oral, pode-se usar a formulação intravenosa.

Nos pacientes que apresentaram boa resposta à radioterapia associada à temozolomida, a quimioterapia prossegue em ciclos de cinco dias, seguidos de 23 dias de intervalo. A duração vai depender da tolerância e da eficácia do medicamento. O acompanhamento é feito com ressonâncias magnéticas periódicas.

Nos pacientes com oligodendrogliomas anaplásicos, o esquema mais utilizado de quimioterapia é uma combinação de drogas feita por via endovenosa em associação a medicações orais (PCV – procarbazina, lomustina, e vincristina).

 

  • Terapêutica antiangiogênica

Quando o tumor desenvolve resistência à radioterapia e à temozolomida, podemos utilizar outras medicações. As estratégias mais promissoras são as que empregam agentes capazes de bloquear a formação de novos vasos sanguíneos, impedindo que as células tumorais recebam nutrientes e oxigênio através da circulação.

Pertence a essa categoria o bevacizumabe, droga geralmente administrada em combinação com o quimioterápico lomustina (via oral) ou irinotecano (endovenoso).

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Opções de tratamento para o astrocitoma anaplásico (grau 3) ou glioblastoma multiforme (grau 4) ou oligodendroglioma anaplásico (grau 3).