Tipos de câncer / Câncer de testículo



Dra. Ana Paula Garcia Cardoso.

Dra. Ana Paula Garcia Cardoso

Dra. Ana Paula Garcia Cardoso é médica Oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Câncer de testículo | O que é?

A incidência do câncer de testículo tem aumentado ao longo dos anos. Hoje, representa o tumor mais comum em homens de 20 a 40 anos de idade. Apesar disso, corresponde a somente 1% de todos os tumores malignos masculinos.

ANATOMIA

Os testículos se acham no interior da bolsa escrotal. Sua função é produzir espermatozoides e testosterona, hormônio responsável pelas características sexuais masculinas.

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Anatomia do testículo.

HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA

Na fase fetal, o testículo está situado em uma área que corresponde ao abdômen, depois desce até alojar-se na bolsa escrotal, perto do momento do parto. Por causa dessa origem embrionária, o primeiro local de comunicação dos testículos com a circulação linfática está localizado no interior do abdômen (no retroperitônio), junto à coluna vertebral lombar, na altura do umbigo.

O câncer de testículo costuma ter velocidade de crescimento rápida, sendo relativamente frequente a detecção de metástases no momento do diagnóstico. O primeiro local de metástases é o retroperitônio, depois os linfonodos do tórax, os pulmões, fígado, ossos e cérebro.

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Crescimento do câncer de testículo, primeiramente local e depois em direção aos linfonodos. Note que o câncer invade os vasos linfáticos e sanguíneos do próprio testículo e alcança os linfonodos do retroperitônio, em geral primeiro local de metástase.

 

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Crescimento à distância do câncer de testículo. Note que o câncer migra para os pulmões, linfonodos entre os pulmões, fígado, ossos e cérebro.

TIPOS DE CÂNCER DE TESTÍCULO

O câncer de testículo, também chamado de tumor de células germinativas, divide-se em dois grandes grupos (tumores não seminomatosos e tumores seminomatosos).

Tumores não seminomatosos

Correspondem a 60% de todos os tumores de testículo e tendem a surgir antes dos 30 anos de idade. São divididos em vários subtipos: carcinomas embrionários, coriocarcinomas, tumores do saco vitelínico, teratomas imaturos e teratomas maduros.

O teratoma maduro é um tumor benigno, enquanto os demais subtipos são malignos.  É importante mencionar que vários subtipos de tumores não seminomatosos podem estar presentes no mesmo tumor no momento do diagnóstico. Do mesmo modo, alguns pacientes podem apresentar um tumor misto, isto é, com componente de seminoma e de não seminoma.

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Cada subtipo de tumor não seminomatoso pode expressar proteínas que caem na circulação do sangue e que são úteis não só para seu diagnóstico, mas também para o prognóstico e acompanhamento. Essas proteínas são chamadas de marcadores tumorais.

Há dois marcadores tumorais mais importantes: a alfafetoproteína (AFP) e a subunidade beta da gonadotrofina coriônica humana (ß-HCG). Nos carcinomas embrionários, os níveis de AFP e ß-HCG podem estar aumentados; nos tumores do saco vitelínico, os níveis de AFP; e nos coriocarcinomas, a ß-HCG. Outro marcador, a desidrogenase láctica (DHL), não é específico de nenhum subtipo e pode estar elevado em todos os tumores de testículo.

Embora seja raro, é possível ocorrer o aparecimento de um tumor germinativo, não no testículo, mas no mediastino (região anatômica entre os dois pulmões) ou no retroperitônio (região anatômica localizada no abdômen, na altura da cicatriz umbilical, próximo à coluna vertebral lombar).

Tumores seminomatosos

Correspondem a 40% de todos os tumores de testículo e costumam aparecer entre os 30 e os 40 anos de idade. Os seminomas compreendem três subtipos: clássico, anaplásico e espermatocítico. Este último surge com mais frequência em pacientes mais velhos e raramente forma metástases depois da cirurgia.

Os pacientes com seminoma podem apresentar pequenas elevações dos níveis de ß-HCG, mas nunca de AFP. Se houver elevação de AFP, o diagnóstico de seminoma puro deve ser modificado para não seminoma.

Tipos mais raros

Tumores raros de testículo correspondem a somente 5% de todos os casos: linfomas, sarcomas e tumores de Sertoli e Leydig.