O que é câncer de garganta?

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Tratamento de câncer pode estar na pesquisa clínica.

Sumário

Câncer de garganta é um termo amplo usado para descrever tumores malignos que surgem em diferentes partes da garganta, como orofaringe, faringe e laringe. Embora muita gente use a expressão como se fosse um único tipo de câncer, ela funciona mais como um nome guarda-chuva para tumores da região de cabeça e pescoço que podem afetar a fala, a respiração e a deglutição.

No Brasil, os tumores dessa área têm impacto relevante na saúde pública. Segundo o Einstein, o INCA registra cerca de 40 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano. Neste artigo, você vai entender o que realmente significa câncer de garganta, quais regiões podem ser afetadas, os sintomas mais comuns, os principais fatores de risco, como é feito o diagnóstico e quais são as formas de tratamento.

Pontos importantes

  • Câncer de garganta não é um diagnóstico único, mas um termo genérico para tumores em regiões como orofaringe, faringe e laringe.
  • Rouquidão persistente, dor para engolir, caroço no pescoço e dor de garganta que não melhora estão entre os sinais mais importantes.
  • Tabagismo, álcool em excesso e infecção por HPV são os principais fatores de risco.
  • O diagnóstico costuma envolver avaliação clínica, laringoscopia, exames de imagem e biópsia.
  • Quando descoberto cedo, o tratamento tende a ser mais eficaz, e a sobrevida pode chegar a 80% em alguns casos com diagnóstico precoce.

O que é câncer de garganta?

Quando alguém pergunta o que é câncer de garganta, a resposta correta é que se trata de um nome popular para tumores malignos que aparecem na região da garganta. Em medicina, o local exato do tumor faz diferença, porque ele influencia sintomas, exames, tratamento e prognóstico.

Na prática, esse câncer pode atingir estruturas responsáveis por funções essenciais, como engolir, falar e respirar. Por isso, mesmo sintomas aparentemente comuns, como rouquidão ou dor de garganta persistente, merecem atenção quando duram mais do que o esperado.

O tipo histológico mais frequente é o carcinoma espinocelular, também chamado de carcinoma de células escamosas. Ele se desenvolve nas células que revestem internamente essas áreas.

Câncer de garganta é o mesmo que câncer de orofaringe?

Não exatamente. O câncer de orofaringe é um dos tipos que podem ser chamados popularmente de câncer de garganta, mas não é o único.

A orofaringe é a parte média da garganta e inclui estruturas como:

  • base da língua
  • amígdalas
  • palato mole
  • úvula
  • paredes laterais e posterior da garganta

Por isso, quando um médico fala em câncer de orofaringe, ele está sendo mais específico. Já a expressão câncer de garganta é mais ampla e pode incluir também tumores da laringe e de outras partes da faringe.

Quais regiões podem ser afetadas?

Orofaringe

A orofaringe fica atrás da boca. Tumores nessa região podem causar dor ao engolir, sensação de algo preso na garganta, dor de ouvido e ínguas no pescoço. Em muitos casos, há relação com o HPV.

Laringe

A laringe abriga as cordas vocais, por isso tumores nessa área costumam provocar rouquidão persistente mais cedo. O INCA estimou 8.510 novos casos de câncer de laringe por ano no Brasil no triênio 2026-2028.

Faringe

A faringe é um tubo muscular que liga nariz e boca ao esôfago e à laringe. Quando o tumor surge nessa região, pode haver dificuldade para engolir, dor persistente e sensação de corpo estranho.

Por que o termo “câncer de garganta” é genérico?

Porque a garganta não é uma estrutura única. Ela reúne diferentes áreas anatômicas, e cada uma pode originar tumores com comportamentos distintos.

Isso é importante porque duas pessoas podem dizer que têm câncer de garganta, mas uma ter um tumor na laringe e outra na orofaringe. Apesar do nome popular parecido, os sintomas, o tratamento e até a chance de cura podem ser diferentes.

Quais são os sintomas do câncer de garganta?

Os sintomas do câncer de garganta podem se confundir com problemas comuns, como infecções, refluxo ou irritação por uso excessivo da voz. O sinal de alerta principal é a persistência.

Sintomas mais comuns

Dor ou irritação persistente na garganta

Uma dor de garganta que não melhora após duas ou três semanas merece avaliação. Isso vale especialmente quando não há sinais claros de gripe ou infecção.

Dificuldade para engolir

Também chamada de disfagia, essa queixa pode aparecer como dor ao engolir, sensação de alimento parado ou engasgos frequentes.

Rouquidão ou mudança na voz

Rouquidão por mais de 15 dias é um alerta clássico, principalmente para tumores de laringe. A voz pode ficar mais fraca, áspera ou diferente do habitual.

Caroço ou íngua no pescoço

Um nódulo no pescoço pode indicar aumento de linfonodos. Em alguns casos, ele é o primeiro sinal percebido pelo paciente.

Dor de ouvido

A dor pode surgir mesmo sem infecção no ouvido. Isso acontece porque nervos da garganta e do ouvido compartilham vias de sensibilidade.

Tosse persistente

A tosse que não passa, especialmente se vier acompanhada de irritação, rouquidão ou sangue, precisa ser investigada.

Falta de ar

Quando o tumor compromete a passagem do ar, pode haver chiado, sensação de aperto ou dificuldade para respirar.

Perda de peso inexplicável

Emagrecer sem estar tentando, principalmente junto com dificuldade para engolir, é um sinal importante.

Sinais de alerta que exigem avaliação médica rápida

Procure atendimento médico com mais urgência se houver:

  • sintomas por mais de 2 a 3 semanas
  • rouquidão persistente
  • sangue na saliva ou na tosse
  • ferida na boca ou garganta que não cicatriza
  • caroço no pescoço em crescimento
  • dificuldade importante para engolir
  • falta de ar

Sintomas que podem variar conforme a localização do tumor

Câncer de laringe

Costuma causar rouquidão precoce, mudança de voz, tosse e, em casos mais avançados, dificuldade para respirar.

Câncer de faringe

Pode provocar dor ao engolir, sensação de algo preso, engasgos e dor persistente na garganta.

Câncer de orofaringe

É comum haver dor de garganta, aumento de amígdala, nódulo no pescoço, dor de ouvido e desconforto ao engolir.

O que causa câncer de garganta?

Não existe uma única causa. O câncer de garganta surge a partir de alterações genéticas nas células, favorecidas por fatores de risco conhecidos.

Tabagismo

O cigarro é uma das principais causas evitáveis. Fumar expõe a mucosa da garganta a substâncias cancerígenas por muitos anos, aumentando bastante o risco.

Consumo excessivo de álcool

O acetaldeído, substância gerada no metabolismo do álcool, pode prejudicar a síntese e o reparo do DNA. O álcool também agride os tecidos da garganta. Quando combinado com tabagismo, o risco cresce ainda mais.

Infecção por HPV

O HPV, especialmente alguns subtipos de alto risco, está fortemente associado ao câncer de orofaringe. Um estudo publicado no Journal of Clinical Oncology apontou essa relação, com referência disponível em ASCO Publications.

É importante entender que nem toda pessoa com HPV terá câncer. Na maioria dos casos, o organismo elimina o vírus. Ainda assim, em algumas pessoas, a infecção persistente pode favorecer o surgimento de tumores anos depois.

Histórico familiar, idade e sexo

Alguns grupos têm risco maior, como homens e pessoas mais velhas. Segundo o Oncoguia, o risco vitalício de câncer de laringe e hipofaringe é maior em homens do que em mulheres.

Fatores que aumentam o risco em conjunto

O risco não depende só de um fator isolado. Fumar, beber em excesso e ter exposição ao HPV, por exemplo, podem atuar de forma combinada.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do câncer de garganta precisa confirmar duas coisas: se existe um tumor maligno e qual é sua localização exata.

Avaliação clínica e exame físico

O médico investiga sintomas, hábitos de vida, tempo de evolução e histórico de saúde. Também examina boca, garganta e pescoço em busca de lesões ou nódulos.

Laringoscopia, nasofibrolaringoscopia e endoscopia

Esses exames permitem visualizar diretamente a região. Um tubo fino com câmera ajuda a identificar alterações suspeitas na laringe, faringe e áreas próximas.

Biópsia

A biópsia é o exame que confirma o diagnóstico. Nela, uma pequena amostra do tecido é retirada e analisada em laboratório.

Exames de imagem

Os exames de imagem ajudam a entender tamanho, extensão e possível disseminação do tumor.

Tomografia computadorizada

Mostra detalhes anatômicos e ajuda a avaliar estruturas profundas.

Ressonância magnética

Pode ser útil para analisar tecidos moles e extensão local da doença.

PET-CT / PET Scan

Em casos selecionados, o PET-CT ajuda no estadiamento e na busca por áreas de doença fora do local inicial.

Estadiamento da doença

Estadiar significa descobrir o quanto o câncer avançou. De forma didática, ele pode estar:

  • localizado, quando restrito à área de origem
  • localmente avançado, quando invade estruturas próximas ou linfonodos
  • metastático, quando se espalha para órgãos distantes

Essa definição é essencial para escolher o tratamento.

Testes para HPV e imuno-histoquímica

Em tumores de orofaringe, o médico pode pedir testes para HPV e exames complementares, como imuno-histoquímica. Isso ajuda a caracterizar melhor o tumor e orientar a conduta.

Quais são os tratamentos para câncer de garganta?

O tratamento do câncer de garganta depende da localização, do estágio, do estado geral do paciente e das características biológicas do tumor.

Cirurgia

A cirurgia pode ser indicada para remover o tumor e, em alguns casos, linfonodos do pescoço.

Quando ela é indicada

Ela costuma ser considerada em tumores iniciais ou em situações em que a retirada completa é possível e segura.

Cirurgia reconstrutora

Quando a remoção afeta estruturas importantes, pode ser necessária reconstrução para preservar funções como fala e deglutição.

Traqueostomia em casos selecionados

Em alguns pacientes, pode ser preciso criar uma abertura temporária ou definitiva na traqueia para facilitar a respiração.

Radioterapia

A radioterapia usa radiação para destruir células tumorais. Pode ser usada sozinha ou combinada com cirurgia e quimioterapia.

Quimioterapia

A quimioterapia utiliza medicamentos que atacam células cancerosas. Em muitos casos, ela é associada à radioterapia.

Terapia-alvo

Alguns tumores podem ser tratados com medicamentos direcionados a alvos específicos das células cancerosas.

Imunoterapia

A imunoterapia estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater o câncer. Ela costuma ser usada em situações específicas, principalmente em doença recorrente ou avançada.

Cuidados paliativos

Cuidados paliativos não significam desistir do tratamento. Eles ajudam a controlar sintomas, aliviar dor, melhorar conforto e apoiar paciente e família em qualquer fase da doença.

Tratamento multidisciplinar e reabilitação

O cuidado ideal costuma envolver vários profissionais.

Fonoaudiologia

Ajuda na voz, fala e deglutição, especialmente após cirurgia ou radioterapia.

Nutrição

É fundamental para manter peso, força e tolerância ao tratamento.

Odontologia

O acompanhamento odontológico é importante antes e depois da radioterapia, pois a saúde bucal influencia complicações e recuperação.

Fisioterapia

Pode auxiliar na respiração, mobilidade e reabilitação funcional.

Suporte emocional

Ansiedade, medo e mudanças na imagem corporal são comuns. Apoio psicológico faz diferença na qualidade de vida.

Câncer de garganta tem cura?

Muitas pessoas que pesquisam o que é câncer de garganta também querem saber se ele tem cura. A resposta é: em muitos casos, sim, principalmente quando o diagnóstico é feito cedo.

Importância do diagnóstico precoce

Tumores iniciais costumam ser menores, menos disseminados e mais tratáveis. Isso aumenta as chances de controle da doença e preservação de funções importantes.

O que influencia o prognóstico

O prognóstico depende de vários fatores:

  • localização do tumor
  • estágio da doença
  • presença ou não de HPV em alguns casos
  • resposta ao tratamento
  • condições gerais de saúde do paciente

Chances de controle e sobrevida

Segundo o Oncoguia, a sobrevida pode chegar a 80% com diagnóstico precoce em determinados cenários. Isso não significa que todos os casos terão o mesmo desfecho, mas reforça por que investigar sintomas persistentes é tão importante.

Como prevenir o câncer de garganta?

Não existe prevenção absoluta, mas há formas consistentes de reduzir o risco.

Não fumar

Parar de fumar é uma das medidas mais importantes. A queda dos casos de câncer de laringe no Brasil tem sido associada à redução do tabagismo, segundo dados apresentados pelo Oncoguia.

Evitar álcool em excesso

Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas também ajuda a diminuir o risco.

Prevenir infecção por HPV

Uso de preservativo

O preservativo reduz o risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, embora não elimine completamente a possibilidade de contato com HPV.

Vacinação contra HPV

A vacinação contra HPV é uma estratégia relevante de prevenção. Ela deve ser vista como proteção para homens e mulheres.

Hábitos de vida saudáveis

Manter alimentação equilibrada, higiene bucal adequada e acompanhamento médico regular também contribui para a saúde geral.

Quando procurar um médico

Procure avaliação se tiver dor de garganta persistente, rouquidão por mais de 15 dias, caroço no pescoço, dificuldade para engolir ou lesões que não desaparecem.

Qual médico procurar?

Saber qual médico procurar para o câncer de garganta pode acelerar o diagnóstico.

Otorrinolaringologista

É frequentemente o primeiro especialista a avaliar sintomas como rouquidão, dor de garganta persistente e dificuldade para engolir.

Cirurgião de cabeça e pescoço

Esse especialista é referência no diagnóstico e tratamento cirúrgico de tumores da região.

Oncologista

Quando o câncer é confirmado, o oncologista participa da definição do tratamento sistêmico e do planejamento integrado com outros profissionais.

Perguntas frequentes sobre câncer de garganta

Dor de garganta persistente pode ser câncer de garganta?

Pode, mas na maioria das vezes não é. O problema é quando a dor dura mais de duas ou três semanas, não melhora ou vem acompanhada de rouquidão, nódulo no pescoço ou dificuldade para engolir.

Rouquidão por mais de 15 dias é sinal de câncer de garganta?

Rouquidão persistente é um sinal de alerta importante, principalmente para câncer de laringe. Nem sempre será câncer, mas precisa ser avaliada por um médico.

Nódulo no pescoço pode indicar câncer na garganta?

Sim. Um caroço ou íngua persistente no pescoço pode ser um dos primeiros sinais de tumor na orofaringe ou em outras regiões da garganta.

HPV pode causar câncer de garganta?

Sim. O HPV está associado principalmente ao câncer de orofaringe, embora nem toda infecção pelo vírus evolua para câncer.

Câncer de garganta sempre causa dor?

Não. Alguns casos começam com rouquidão, nódulo no pescoço ou sensação de algo preso, sem dor intensa no início.

O que é câncer de garganta e como ele começa?

É um tumor maligno que surge em estruturas da garganta, como laringe, faringe ou orofaringe. Ele começa quando células da região passam a crescer de forma descontrolada.

Quais são os primeiros sinais de câncer de garganta?

Os primeiros sinais podem incluir rouquidão persistente, dor de garganta que não passa, dificuldade para engolir, dor de ouvido e caroço no pescoço.

Câncer de garganta tem cura quando descoberto cedo?

Em muitos casos, sim. O diagnóstico precoce melhora bastante as chances de controle da doença e de tratamentos menos agressivos.

Qual exame detecta câncer de garganta?

A investigação costuma começar com exame clínico e laringoscopia. A confirmação, porém, depende de biópsia.

Quem não fuma também pode ter câncer de garganta?

Pode. Isso acontece especialmente em tumores relacionados ao HPV, mostrando que nem todo caso está ligado ao cigarro.

Foto de Dr. Antonio Carlos Buzaid

Dr. Antonio Carlos Buzaid

Destacado oncologista clínico, graduado pela Universidade de São Paulo, com experiência internacional nos EUA, onde foi diretor de centros especializados em melanoma e câncer de pulmão, além de professor na Universidade de Yale. No Brasil, foi membro do comitê gestor do Centro de Oncologia do Einstein e dirigiu centros de oncologia nos hospitais Sírio Libanês e BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Atualmente é Diretor Médico Geral do Centro de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis. CRM 45.405

Foto de Dr. Fernando Cotait Maluf

Dr. Fernando Cotait Maluf

Renomado oncologista clínico, graduado pela Santa Casa de São Paulo, com doutorado em Urologia pela FMUSP. Ele foi chefe do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica do Hospital Sírio Libanês e atualmente é diretor associado do Centro de Oncologia do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, além de membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein e professor livre-docente na Santa Casa de São Paulo. CRM: 81.930

Publicação: 14/07/2026 | Atualização: 14/07/2026

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