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Bons resultados de CAR T-Cell trazem esperança a pacientes.

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É uma nova forma de tratar alguns tipos de câncer de sangue.

Esperança é um dos principais estímulos para pacientes que recebem diagnóstico de

câncer. Ela pode vir em forma de um apoio de um familiar ou amigo, um novo tratamento com mais opções e oportunidades ou até mesmo uma palavra de uma pessoa desconhecida. Ter informação confiável e de qualidade e compartilhar histórias é uma maneira de propagar esperança. 

E se o assunto é esperança vamos contar a história do Lucas. Mas antes vamos começar explicando o que é CAR T-Cell? 

É um tratamento personalizado que usa células de defesa extraídas do próprio paciente e moldadas em laboratório para atuar em alvos específicos e combater o tumor. Isto é, as células são reprogramadas para atuar contra a doença.

Esta terapia inovadora, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2022, teve sua aplicação fora de pesquisas no Brasil pela primeira vez no início deste ano. 

Antes só usado em pesquisas e estudos, este tratamento renova as esperanças dos pacientes de alguns tipos de tumores, principalmente do sangue que não conseguiram obter os resultados esperados com outras alternativas.

O paciente Lucas Visconti, 27 anos é um destes pacientes.

Esperança renovada

Imagem mostra: Lucas Visconti no hospital junto com a equipe médica.

O CAR T-Cell trouxe muito mais do que esperança para Lucas Visconti, 27 anos, depois da sua quarta recidiva. Trouxe uma nova vida. Ele recorda com empolgação como se sentiu depois de sua infusão em maio de 2022.

“Eu saí do hospital no dia 28 de maio e três dias depois joguei no campeonato de vôlei da minha cidade. O CAR T-Cell é revolucionário, surpreendente”, comemora, comentando que quase não teve efeito colateral. “Literalmente nada comparado ao transplante e à quimioterapia”. Ele foi um dos primeiros pacientes no Brasil a receber esse tratamento para leucemia.

Recidivas, sempre um desafio

Lucas recebeu o diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda tipo B em janeiro de 2017, aos 21 anos, depois de cerca de dois a três meses com fortes sintomas, como dores de cabeça e tontura.

Apesar de realizar exames de sangue periodicamente, nunca teve qualquer alteração e por isso inicialmente os médicos acreditavam ser algum problema neurológico, até fazer um exame que apontou células blastos no líquor. “Eu passava muito mal, foi um período difícil. Quando fui ao hematologista, ele disse: “é leucemia. Vamos começar a tratar amanhã”.

Foram oito sessões de quimioterapia, em uma rotina precisava de 15 a 20 dias internado e uma semana em casa, durante cerca de seis meses. A ideia era se preparar para o transplante, que não precisou ser feito porque a doença foi eliminada do organismo por volta da quarta sessão. Ele ficou em remissão por cerca de um ano e meio, até que no final de 2018 a doença voltou.

Seu irmão, que era 50% compatível, foi seu doador para o transplante de medula em março de 2019. Ele pondera que o resultado foi bom, apesar de tudo que envolve o pós-transplante: imunossupressão, tomar novamente as vacinas, evitar o sol, ter cuidados com alimentação e aglomeração. Foi mais um ano e meio de remissão, até que, em novembro de 2020 descobriu a segunda recidiva.

Custos eram inviáveis

O CAR T-Cell seria a opção mais indicada no caso dele, de recidiva pós-transplante, mas o tratamento até então só era feito fora do Brasil e os custos tornavam a opção inviável: cerca de R$ 2 milhões somente os medicamentos, fora os gastos com viagem, estadia, mudança de vida para outro país durante o período.

Depois de conversar com especialistas de outros países, como Estados Unidos e Alemanha, o médico ponderou os riscos de um novo transplante e optou por uma quimioterapia mais forte, que controlou a doença e o paciente entrou em remissão.

“Durante a pandemia, descobri que tinha voltado de novo, em agosto de 2021. O médico falou ‘agora não tem jeito: ou transplante ou CAR T-Cell no exterior. O CAR T-Cell seria inviável por motivos financeiros e o transplante eu não quis. Estava no último ano de faculdade, queria me formar. Sabia tudo que um transplante traria para a minha vida. O médico e a minha família respeitaram a minha escolha. Fiz uma quimioterapia até um pouco leve, que conseguiu controlar, de certa forma, a doença, mas sabia que seria quase certo voltar”, recorda. 

Pioneirismo e esperança

A quarta recidiva aconteceu no final de 2021. Só que dessa vez chegou junto com a boa notícia de que o CAR T-Cell estava disponível no Brasil e a Universidade de São Paulo (USP) queria fazer um estudo para a leucemia. “Eu fui o primeiro paciente da USP SP tanto para CAR T-Cell quanto para leucemia e o primeiro da USP Ribeirão para leucemia”. 

Lucas fez a coleta em janeiro de 2022, a infusão em maio, teve uma excelente recuperação e está esperançoso de que esse tratamento trará uma nova perspectiva para sua vida. “A primeira menina com leucemia que fez essa terapia, em estudos nos Estados Unidos, já faz mais de 12 anos”, comemora.

Sonho para o futuro

Foto mostra Lucas Visconti em sua formatura segurando um balão e o  canudo de formatura.

Lucas conseguiu terminar a faculdade de Medicina e agora pretende seguir esta carreira se especializando. Seu sonho é fazer Hematologia. “Sou agradecido duas vezes, como paciente, por ter recebido esse tratamento, e por ter vivido isso como médico, ver essa evolução da medicina. Quero trabalhar com transplante e, quem sabe, com CAR T-Cell, que é o futuro. É um sonho meu”.

Viviane Pereira
Jornalista

Saiba mais: Entenda melhor o CAR T-Cell.

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