Todos os cânceres de pele decorrem do excesso de sol. A luz ultravioleta danifica as células da pele e provoca mutações, que ao longo do tempo levam ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. Isso não significa que as pessoas não possam ter lazer, brincar ou praticar esportes ao ar livre. Essas atividades são importantes e fazem parte da vida. O que precisa mudar é a forma como essa exposição acontece.
A exposição solar deve ser feita de maneira inteligente. Isso inclui aplicar protetor solar nas áreas expostas, em quantidade adequada, reaplicar a cada duas horas e sempre após entrar na água. Além disso, é fundamental associar a proteção química à proteção mecânica, como chapéus, camisetas de manga longa com proteção UV e bermudas que cubram até o joelho. Essas medidas reduzem de forma significativa o risco de câncer de pele.
Um dos grandes problemas é que muita gente não dão a devida importância ao câncer de pele. Diferentemente de outros tipos de câncer, ele ainda é subestimado por grande parte da população. Isso acontece porque o sol tomado em excesso na adolescência ou na juventude cobra seu preço apenas décadas depois. “A pessoa se expõe muito aos 15, 20 ou 30 anos e só vai desenvolver a doença aos 50, 60 ou 70. O dano solar é cumulativo e permanente, ele não desaparece com o tempo. Mesmo quem passou os últimos 10 ou 15 anos evitando o sol pode desenvolver câncer de pele por causa das exposições antigas”, explica o oncologista Antonio Buzaid, cofundador do Instituto Vencer o Câncer.
Tipos de câncer de pele
Existem três principais tipos de câncer de pele. O mais comum é o carcinoma basocelular, que costuma surgir no rosto, especialmente próximo ao nariz, aos olhos e à região central da face. Ele é muito frequente e, apesar de menos agressivo, exige tratamento.
O segundo é o carcinoma espinocelular, que aparece com mais frequência em áreas como mãos, braços, orelhas, tronco e pernas, regiões muito expostas ao sol.
Já o melanoma é o tipo mais grave, porque tem maior capacidade de se espalhar pelo corpo. Quando isso acontece, a doença se torna muito mais difícil de tratar, embora ainda possa ser curável. Em comum, todos esses cânceres têm o mesmo fator de risco principal: a radiação ultravioleta do sol.
A recorrência também é uma preocupação. Uma pessoa que já teve câncer de pele precisa manter vigilância constante, porque o risco de novos tumores é maior. Isso reforça a importância da prevenção contínua e do acompanhamento médico regular.
Outro ponto essencial é o papel do sistema imunológico. O câncer surge quando o sistema de defesa falha. “É como se a segurança de uma casa não funcionasse e o problema conseguisse entrar. A alimentação tem papel direto nisso, porque regula o sistema imunológico por meio do microbioma intestinal. Uma dieta baseada em alimentos naturais, saudáveis e minimamente processados contribui para a manutenção da imunidade. Alimentação inadequada compromete esse sistema e aumenta a vulnerabilidade não apenas ao câncer de pele, mas a várias outras doenças”, reforça o oncologista Antonio Buzaid.
Muitas pessoas se perguntam sobre o papel da hereditariedade. Algumas mutações genéticas realmente aumentam o risco de melanoma, mas esses casos são raros. “A grande maioria dos cânceres de pele, cerca de 95% a 98%, não está relacionada à herança genética, mas sim ao dano solar acumulado ao longo da vida. Pessoas de pele muito clara, que queimam com facilidade, precisam de cuidados ainda maiores desde a infância. Essa é, inclusive, uma responsabilidade dos pais”, afirma Buzaid.
Além do tipo de pele, episódios de queimadura solar aumentam significativamente o risco futuro de câncer de pele. E é impossível falar de risco sem mencionar o bronzeamento artificial. As câmaras de bronzeamento aumentam, de forma inequívoca, o risco de câncer de pele. Não há controvérsia científica sobre isso. Evitar esse tipo de prática é uma medida básica de proteção à saúde.
Por fim, conhecer a própria pele é fundamental. Observar pintas, manchas e qualquer alteração é uma atitude que salva vidas. Muitas vezes, o paciente percebe que uma pinta mudou de tamanho, cor ou formato, e esse pode ser o primeiro sinal de melanoma. “Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura. Um melanoma muito superficial tem chance de cura próxima de 100%. Já tumores mais profundos reduzem drasticamente essa possibilidade. A detecção precoce é determinante não só para o melanoma, mas para todos os tipos de câncer de pele”, acrescenta o oncologista.
Cuidar da pele, portanto, não é apenas uma questão estética. É uma atitude de saúde, que precisa começar cedo e acompanhar a pessoa por toda a vida.







