Dia a Dia do Paciente / Estética

Juliana Conte

Publicado em 06/03/2015

Revisado em 21/06/2019

Empresas não se interessam por lingeries para mastectomizadas

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A estudante de moda resolveu criar lingeries para resgatar a sensualidade da mulher mastectomizada. Foto: Juliana Valle

Myriam Sanches, proprietária da loja “Mama Amiga”, especializada em vestuário para mulheres que passaram por mastectomia, afirma que são pouquíssimas as empresas com linhas para esse público. Na opinião de Sanchez, a maioria das marcas não tem interesse em comercializar esse tipo de produto porque a demanda não é grande.

Uma percepção equivocada, já que, segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, menos de 10% das mulheres que precisam passar por retirada da mama saem dos centros cirúrgicos com os seios reconstruídos. Com a porcentagem aplicada à média de mulheres que passam pela cirurgia, são mais de 11 mil brasileiras que poderiam consumir o produto todos os anos. Isso contando somente as que passam pelo SUS.

Das grandes marcas, somente a Darling resolveu criar dois modelos de sutiãs próprios para esse público. A ideia surgiu em 2013, depois de receberam milhares de mensagens de mulheres mastectomizadas pedindo que criassem algo. A concretização foi resultado da petição online Change.org, que recolheu mais de 13 mil assinaturas. Para chegar ao produto final, eles contam com a supervisão da médica especialista em mastologia, Dra. Fabiana Makdissi. 

A estudante de moda Ana Cláudia Nalini, 21 anos, resolveu desenvolver como trabalho de conclusão de curso uma coleção de lingeries para mulheres mastectomizadas. O trabalho é intitulado “A descoberta de uma nova beleza.” [relacionados]

Ela conta que fez uma ampla pesquisa de mercado e não encontrou nada que valorizasse, de fato, a feminilidade e a sensualidade da paciente. “Foi muito difícil encontrar algo que elevasse a auto-estima da mulher. E muitas mulheres jovens estão tendo câncer e passando pela retirada da mama.”

Para desenvolver e promover as peças, ela utilizou como modelos as pacientes do Hospital Pérola Byington, de São Paulo, e a blogueira do site Quimioterapia e Beleza, Flávia Flores. Por enquanto, as peças produzidas por Nalini são piloto e não estão disponíveis para a venda, mas ela não descarta essa possibilidade. “Para que isso se concretize, tenho que encontrar um investidor ou alguma marca que compre meu projeto.”