Tratamento do Linfoma

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Tratamento de câncer pode estar na pesquisa clínica.

Sumário

O tratamento do linfoma é definido de forma individualizada, pois não existe um único tipo de linfoma nem uma única estratégia que sirva para todos os pacientes. Em geral, a decisão depende do subtipo da doença, do estágio, da velocidade de crescimento do tumor, da idade, do estado geral de saúde e dos objetivos do cuidado.

No Brasil, de acordo com o INCA, o número estimado de casos novos de linfoma não Hodgkin é de 12.560 e de linfoma de Hodgkin é de 3.070 casos, para cada ano do triênio de 2026 a 2028.

Para quem acabou de receber o diagnóstico, é normal ter dúvidas sobre quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, transplante e terapias mais novas, como terapia com células CAR-T. Neste artigo, você vai entender como o tratamento é planejado, quais são as principais opções disponíveis, quando há chance de cura, como lidar com efeitos colaterais e o que acontece quando a doença volta ou não responde como esperado (este último tópico será melhor abordado na sessão seguinte).

Pontos importantes

  • O tratamento do linfoma depende do tipo de linfoma, do estágio da doença e das condições clínicas do paciente.
  • A biópsia é a base do diagnóstico, e exames como PET-CT, tomografia e hemograma ajudam no estadiamento e no planejamento terapêutico.
  • As principais modalidades incluem quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo, radioterapia, transplante de células-tronco e, em casos selecionados, células CAR-T.
  • Muitos linfomas possuem chance de cura, especialmente quando tratados adequadamente e em tempo oportuno. O linfoma de Hodgkin, inclusive, costuma apresentar alta taxa de cura.
  • No Brasil, o tempo até o diagnóstico pode chegar a 149 dias, e o início do tratamento na rede pública a 77 dias, o que reforça a importância do encaminhamento rápido ao especialista na presença de sinais suspeitos.

Como é definido o tratamento do linfoma?

O linfoma é um tipo de câncer que se origina nos linfócitos, células de defesa que fazem parte do sistema linfático. Essa rede está distribuída por todo o organismo e inclui estruturas como os linfonodos (gânglios linfáticos), o baço, a medula óssea e outros órgãos do sistema imunológico. Como existem diversos tipos de linfoma, cada um com características biológicas e comportamentos distintos, a definição do tratamento depende de uma avaliação cuidadosa do subtipo da doença, da sua extensão no organismo e das condições clínicas de cada paciente.

Os dois grandes grupos são o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin. Dentro do linfoma não Hodgkin, existem muitos subtipos, como linfoma difuso de grandes células B, linfoma folicular, linfoma de células do manto, linfoma de Burkitt e linfomas de células T. Essa diferença é essencial porque muda completamente a escolha do tratamento.

Diagnóstico, biópsia e confirmação da doença

A confirmação do linfoma costuma depender de biópsia, que é a retirada de parte ou da totalidade de um linfonodo ou tecido suspeito para análise. Segundo o NCI e o conteúdo técnico do NCBI, esse é o exame central para fechar o diagnóstico.

Além de dizer se há linfoma, a biópsia ajuda a identificar o subtipo. Isso é decisivo, porque um linfoma indolente pode ser tratado de forma muito diferente de um linfoma agressivo.

Estadiamento e exames usados no planejamento terapêutico

Depois do diagnóstico, o médico precisa saber a extensão da doença. Esse processo é chamado de estadiamento.

Hemograma e exames laboratoriais

Exames de sangue ajudam a avaliar anemia, infecções, função renal, função hepática e sinais indiretos de atividade da doença. Eles também são importantes para saber se o paciente está apto a receber certos tratamentos.

Tomografia, ressonância e PET-CT

Tomografia e PET-CT são muito usados para mapear os locais de envolvimento da doença. O PET-CT tem papel importante tanto no estadiamento quanto na avaliação de resposta ao tratamento, ajudando a personalizar a conduta.

Biópsia de medula óssea em casos selecionados

Nem todo paciente precisa desse exame. A biópsia de medula óssea costuma ser indicada em situações específicas, quando há suspeita de acometimento medular ou necessidade de completar o estadiamento quando o PET-CT deixa dúvidas.

Fatores considerados pelo médico antes de indicar o tratamento

A escolha do tratamento do linfoma é individualizada e leva em consideração diversos fatores relacionados tanto à doença quanto ao paciente. O objetivo é selecionar a estratégia que ofereça a maior chance de controle ou cura da doença, com segurança e qualidade de vida.

Entre os principais fatores que auxiliam o hematologista na decisão é o subtipo de linfoma, a presença de sintomas, a idade, as comorbidades concomitantes, a condição de saúde atual, o objetivo de tratamento e a busca pela melhor qualidade de vida possível.

Tipo de linfoma

Linfoma de Hodgkin e não Hodgkin possuem biologia e comportamentos diferentes. Dentro do não Hodgkin, ainda há diferenças importantes entre linfomas de células B, de células T, indolentes e agressivos. Cada subtipo possui abordagem de tratamento por vezes distintas.

Dentre o grupo de linfomas indolentes, por exemplo o linfoma folicular, a melhor abordagem de tratamento, na ausência de sintomas ou sinais de gravidade da doença, poderá ser apenas a vigilância clínica ativa, sem nenhum tratamento específico.

Estágio da doença

Em alguns tipos de linfoma, quando a doença está localizada em uma ou poucas regiões, pode ser possível utilizar tratamentos locais como radioterapia ou terapia sistêmica de menor duração. Já nos casos em que o linfoma está presente em múltiplos locais, geralmente é necessário um tratamento sistêmico e mais prolongado, capaz de atingir e erradicar as células da doença em todo o organismo.

Idade, presença de doenças associadas e estado geral de saúde

A idade, o condicionamento físico e a presença de outras doenças podem influenciar a escolha do tratamento. Antes de definir a melhor estratégia, o médico avalia a capacidade do paciente de tolerar determinadas terapias, bem como os possíveis riscos e benefícios de cada opção. Em alguns casos, podem ser necessários ajustes de dose, modificações no esquema terapêutico ou escolha de abordagens menos intensivas, sempre buscando o melhor equilíbrio entre eficácia, segurança e qualidade de vida.

Presença de recidiva ou refratariedade

Se o linfoma voltou após tratamento, chama-se recidiva. Se não respondeu adequadamente, é considerado refratário. Nessas situações, a estratégia costuma mudar. Em pacientes mais jovens e com boa capacidade física, o tratamento nestes casos pode incluir regimes mais intensivos, transplante de medula óssea e células CAR-T.

Objetivos do tratamento e qualidade de vida

O tratamento do linfoma nem sempre tem os mesmos objetivos para todos os pacientes. Dependendo do subtipo da doença, da sua extensão e das condições clínicas do paciente, o objetivo pode ser alcançar a cura, controlar o linfoma por longos períodos ou apenas aliviar os sintomas e prevenir as complicações relacionadas à doença.

Além da eficácia do tratamento, também são considerados seus possíveis impactos na rotina, na independência e na qualidade de vida do paciente. Por isso, a definição da estratégia terapêutica deve, sempre que possível, ser compartilhada entre a equipe médica, o paciente e os seus familiares, respeitando as preferências e os objetivos individuais de cada pessoa.

Principais tratamentos para linfoma

O tratamento do linfoma pode envolver uma ou mais modalidades terapêuticas. Em alguns casos, uma única estratégia é suficiente. Em outros, diferentes tratamentos são combinados ou realizados em etapas.

Quimioterapia

A quimioterapia ainda continua sendo uma das principais formas de tratamento para a maioria dos linfomas.

Como funciona?

A quimioterapia utiliza medicamentos capazes de destruir as células do linfoma ou impedir sua multiplicação. Como alguns desses medicamentos também podem afetar células saudáveis que se renovam rapidamente, podem ocorrer efeitos colaterais durante o tratamento.

Como é administrada?

A quimioterapia pode ser administrada por via intravenosa (na veia), injeções subcutâneas, comprimidos ou pela combinação dessas formas. O tratamento costuma ser realizado em ciclos de 2 a 4 semanas, alternando períodos de medicação e de recuperação do organismo.

Protocolos mais utilizados

Existem diversos esquemas de quimioterapia para o tratamento dos linfomas. A escolha depende do subtipo da doença e das características de cada paciente. As siglas dos protocolos geralmente são formadas pelas iniciais dos medicamentos que os compõem.

R-CHOP

Combina o anticorpo monoclonal rituximabe com quimioterápicos (ciclofosfamida, doxorrubicina e vincristina) e corticoide. É um dos protocolos mais usados em vários linfomas de células B.

R-CVP

Combina o anticorpo monoclonal rituximabe com quimioterápicos (ciclofosfamida e vincristina) e corticoide. É outro esquema empregado em determinados casos, especialmente em alguns linfomas de evolução mais lenta (indolentes).

R-EPOCH

É utilizado em situações específicas, especialmente em alguns linfomas mais agressivos ou com características biológicas particulares.

Outros esquemas

No linfoma de Hodgkin e em outros subtipos de linfoma não Hodgkin, existem diversos protocolos que podem ser indicados conforme cada situação clínica.

Efeitos colaterais mais comuns

Os efeitos colaterais variam conforme os medicamentos utilizados, a dose e as características de cada pessoa. Entre os mais comuns estão:

  • Náuseas e vômitos
  • Queda de cabelo
  • Cansaço e fraqueza
  • Feridas na boca (mucosite)
  • Diarreia ou prisão de ventre
  • Redução da imunidade, aumentando o risco de infecções
  • Anemia
  • Alterações nas plaquetas, que podem favorecer sangramentos

É importante lembrar que nem todos os pacientes apresentam os mesmos efeitos colaterais. Atualmente, existem diversas medidas e medicamentos que ajudam a prevenir ou controlar esses sintomas, tornando o tratamento mais seguro e confortável.

Imunoterapia

A imunoterapia é uma forma de tratamento que utiliza o próprio sistema imunológico para identificar e combater as células do câncer. Nos linfomas, ela já faz parte do tratamento de muitos pacientes e, em alguns casos, é combinada com a quimioterapia para aumentar a eficácia do tratamento.

O que são anticorpos monoclonais?

São medicamentos produzidos para reconhecer alvos específicos nas células tumorais. Ao se ligar a esses alvos, além de poder causar diretamente a morte daquelas células, eles também podem auxiliar o sistema imunológico a identificar e destruir as células tumorais de forma direcionada. O Instituto Butantan explica os anticorpos monoclonais de forma clara e mais abrangente.

Medicamentos citados com frequência

Rituximabe

Foi o primeiro amplamente usado e é um dos mais conhecidos no tratamento do linfoma de células B. No Brasil, foi incorporado ao SUS em 2013. Atualmente, faz parte da maioria dos protocolos terapêuticos.

Obinutuzumabe

É um anticorpo monoclonal mais recente que pode ser usado em alguns casos selecionados, dependendo do subtipo e da linha de tratamento.

Nivolumabe / Pembrolizumabe

O nivolumabe e o pembrolizumabe são imunoterápicos que bloqueiam a proteína PD-1, um mecanismo utilizado pelas células tumorais para evitar o ataque do sistema imunológico. Sendo assim, permite que o próprio sistema imune volte a reconhecer e atacar as células malignas. Podem ser utilizados em determinados pacientes com linfoma de Hodgkin, especialmente quando a doença retorna após tratamentos anteriores ou não responde adequadamente às terapias iniciais.

Efeitos colaterais possíveis do rituximabe

Podem ocorrer sintomas durante a infusão, como reações alérgicas, febre, calafrios, tremores, alterações da pressão e dos batimentos cardíacos. A médio e longo prazo, podem agregar maior risco de infecções. Nem todos os pacientes apresentam esses efeitos. As reações à infusão, quando ocorrem, costumam aparecer somente nas primeiras aplicações.

Novas formas de imunoterapia

Além dos anticorpos monoclonais tradicionais, novas estratégias de imunoterapia vêm ampliando as opções de tratamento para alguns tipos de linfoma, utilizando mecanismos ainda mais avançados para direcionar o sistema imunológico contra as células tumorais.

Entre elas estão os anticorpos biespecíficos (possuem um alvo na célula maligna e outro em células do sistema imune, aproximando-as e estimulando as defesas a destruírem o tumor), os anticorpos droga-conjugados (como os monoclonais clássicos, porém ligados a medicamentos quimioterápicos que são internalizados pela célula tumoral, causando a sua destruição) e a terapia com células CAR-T (que será mais detalhada em tópico abaixo). Essas abordagens podem ser utilizadas nos linfomas não Hodgkin e são geralmente reservadas para situações específicas, em casos em que a doença é refratária ou retornou após terapias anteriores.

Terapias-alvo e imunomoduladores

Reúne tratamentos desenvolvidos para atuar sobre características específicas das células do câncer. Embora os anticorpos monoclonais já citados também sejam considerados formas de terapia-alvo, nesta seção o foco são os medicamentos também conhecidos como pequenas moléculas, muitas vezes até administrados por via oral.

Como funciona esse tipo de tratamento?

Esses tratamentos atuam bloqueando proteínas e vias de sinalização essenciais para o crescimento, a sobrevivência e a multiplicação das células do linfoma, ou por meio de imunomodulação. Por serem mais direcionados a mecanismos específicos da doença, costumam apresentar um perfil de ação e efeitos adversos diferentes da quimioterapia convencional.

Exemplos de medicamentos considerados terapias-alvo

Inibidores de BTK (ibrutinibe, acalabrutinibe e zanubrutinibe)

Esses medicamentos bloqueiam uma proteína chamada tirosina quinase de Bruton (BTK), importante para a sobrevivência de vários linfomas de células B. São utilizados em alguns casos selecionados de pacientes com linfomas de células B.

Inibidores de BCL-2 (venetoclax)

O venetoclax atua bloqueando a proteína BCL-2, que ajuda as células tumorais a evitar sua destruição natural. Embora seja mais conhecido pelo tratamento da leucemia linfocítica crônica, também pode ser utilizado em situações específicas envolvendo alguns tipos de linfoma.

Agentes imunomoduladores (lenalidomida)

A lenalidomida é um medicamento oral que atua de múltiplas formas, incluindo a modulação do sistema imunológico e a interferência em mecanismos importantes para a sobrevivência das células tumorais. Pode ser utilizada em alguns tipos de linfoma, especialmente em determinados casos de linfoma folicular, linfoma da zona marginal e linfoma difuso de grandes células B.

Quando podem ser indicadas?

Essas terapias são utilizadas na maior parte das vezes nos cenários de recaída, em doença refratária ou eventualmente em linhas iniciais, conforme o subtipo do linfoma e os protocolos mais atuais.

Possíveis efeitos colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns incluem fadiga, dor de cabeça, diarreia ou constipação, redução das células sanguíneas, maior risco de infecções e, em algumas situações, aumento do risco de trombose. Por isso, o acompanhamento médico e laboratorial regular é fundamental durante o tratamento.

Radioterapia

A radioterapia usa radiação para destruir células tumorais em regiões específicas do corpo. Trata-se de uma terapia local, ou seja, sua ação se concentra na área irradiada. Em alguns tipos de linfoma, a radioterapia desempenha um papel importante no controle da doença e pode ser utilizada sozinha ou em combinação com outros tratamentos.

Quando a radioterapia é usada

A radioterapia pode ser indicada em diferentes situações, dependendo do subtipo do linfoma e da extensão da doença. Entre as principais indicações estão:

  • Tratamento de linfomas localizados em uma ou poucas e próximas regiões do corpo.
  • Complemento à quimioterapia ou à imunoterapia para aumentar as chances de controle da doença.
  • Tratamento de áreas que permaneceram com sinais residuais após outros tratamentos.
  • Controle de sintomas causados pelo linfoma, como dor, compressão de órgãos ou aumento de gânglios.

A radioterapia pode ser usada sozinha?

Em alguns casos selecionados, especialmente quando o linfoma está restrito a uma região específica do organismo, a radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal. No entanto, para a maioria dos pacientes, ela faz parte de uma estratégia terapêutica mais ampla, frequentemente associada à quimioterapia, imunoterapia ou outras modalidades de tratamento.

Como o tratamento é realizado?

A radioterapia é realizada em sessões ambulatoriais, geralmente de segunda a sexta-feira, durante algumas semanas. Cada aplicação dura apenas alguns minutos e não provoca dor. O número de sessões varia conforme o tipo de linfoma, a região tratada e os objetivos do tratamento.

Efeitos colaterais mais comuns

Dependem da área irradiada. Podem incluir irritação na pele, cansaço, dor ao engolir ou desconfortos locais.

Transplante de células-tronco hematopoiéticas (transplante de medula óssea)

Esse tratamento é reservado para casos específicos, principalmente em cenários de recidiva ou doença refratária nos linfomas não Hodgkin de células B, ou na primeira linha de tratamento para o linfoma de células do manto e para alguns subtipos de linfomas não Hodgkin de células T.

A indicação depende, portanto, de diversos fatores, incluindo o tipo de linfoma, a resposta aos tratamentos anteriores, a idade, o estado geral de saúde e as condições clínicas do paciente.

Diferenças entre transplante autólogo e alogênico

Transplante autólogo

No transplante autólogo, são utilizadas células-tronco do próprio paciente, coletadas previamente e armazenadas. Após a administração de quimioterapia em altas doses, essas células são reinfundidas para restaurar a produção normal das células sanguíneas. É o tipo de transplante mais frequentemente utilizado nos linfomas e costuma ser indicado para pacientes com doença recidivada ou refratária que apresentam boa resposta ao tratamento de resgate.

Transplante alogênico

No transplante alogênico, as células-tronco são obtidas de um doador compatível. Além de restaurar a medula óssea, esse tipo de transplante permite que o novo sistema imunológico do doador ajude a combater células residuais do linfoma, fenômeno conhecido como efeito enxerto contra linfoma. Geralmente é reservado para situações mais complexas, como linfomas que retornam após múltiplos tratamentos, recaída após transplante autólogo ou doenças com características de maior agressividade.

Como o transplante é realizado?

Embora existam variações conforme cada caso, o processo geralmente envolve as seguintes etapas:

1. Avaliação clínica e exames para confirmar a indicação do transplante.
2. Coleta das células-tronco do paciente ou do doador.
3. Administração de quimioterapia em altas doses (e, em alguns casos, radioterapia).
4. Infusão das células-tronco por via intravenosa, de forma semelhante a uma transfusão de sangue.
5. Período de recuperação e acompanhamento intensivo até a recuperação da medula óssea.

Recuperação pós-transplante

Após a infusão das células-tronco, é necessário aguardar que elas alcancem a medula óssea e retomem a produção normal das células do sangue. Esse processo é conhecido como “pega” da medula e geralmente ocorre entre 10 a 28 dias após o transplante.

Durante esse período, o paciente pode apresentar redução importante da imunidade, anemia e diminuição das plaquetas, exigindo monitorização cuidadosa, medidas de prevenção de infecções e, em alguns casos, transfusões e outros tratamentos de suporte.

Possíveis riscos e efeitos colaterais

Os riscos variam conforme o tipo de transplante e as características de cada paciente, mas podem incluir:

  • Infecções
  • Febre
  • Náuseas e vômitos
  • Feridas na boca (mucosite)
  • Cansaço intenso
  • Necessidade de transfusões sanguíneas
  • Complicações relacionadas aos órgãos
  • Doença do enxerto contra hospedeiro (no transplante alogênico)

Apesar de ser um tratamento complexo, os avanços nas técnicas de transplante e nos cuidados de suporte tornaram o procedimento cada vez mais seguro. A equipe especializada acompanha de perto cada etapa para reduzir os riscos e maximizar as chances de sucesso.

Terapia com células CAR-T

A terapia com células CAR-T é uma das formas mais avançadas de imunoterapia disponíveis atualmente para o tratamento de alguns tipos de linfoma. Ela utiliza as próprias células de defesa do paciente, que são modificadas em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerosas de forma mais eficaz.

Embora represente um avanço importante no tratamento dos linfomas, essa terapia costuma ser reservada para situações específicas, principalmente quando a doença retorna após tratamentos anteriores ou não responde adequadamente às terapias convencionais.

Como funciona?

O nome CAR-T vem da sigla em inglês Chimeric Antigen Receptor T-cell (linfócito T com receptor antigênico quimérico).

De forma simplificada, o tratamento ocorre em várias etapas:

1. Coleta dos linfócitos T do próprio paciente por meio de um procedimento chamado aférese.
2. Modificação dessas células em laboratório para que passem a reconhecer proteínas presentes nas células do linfoma (tornando-se então as células CAR-T).
3. Multiplicação dessas células em laboratório.
4. Infusão das células CAR-T no paciente (após as etapas anteriores, que duram cerca de 4-6 semanas).

Após a infusão, as células CAR-T podem permanecer no organismo e continuar exercendo atividade contra as células tumorais.

Para quais casos pode ser indicada

Em geral, é considerada atualmente para alguns pacientes com linfoma não Hodgkin de células B recidivado ou refratário após outras linhas de tratamento anteriores.

Terapias aprovadas no Brasil

A Abrale cita o tisagenlecleucel (Kymriah®) e o axicabtagene ciloleucel (Yescarta®) entre as terapias aprovadas pela Anvisa para linfomas em contextos específicos.

Possíveis efeitos colaterais

Embora seja um tratamento altamente eficaz para muitos pacientes, a terapia CAR-T pode causar efeitos colaterais que exigem monitorização especializada. Os mais importantes incluem:

Síndrome de liberação de citocinas (CRS): Ocorre quando o sistema imunológico é ativado de forma intensa após a infusão das células CAR-T. Pode causar febre, queda da pressão arterial, dificuldade respiratória e outros sintomas, geralmente nos primeiros dias após o tratamento. Possui controle com medicamentos especializados.

Toxicidade neurológica: Alguns pacientes podem apresentar sintomas neurológicos temporários, como confusão mental, dificuldade para encontrar palavras, sonolência, tremores ou alterações da atenção. Grande parte dos casos apresenta melhora com tratamento com corticosteroides.

Infecções e redução das células sanguíneas: Também podem ocorrer diminuição da imunidade, anemia, redução das plaquetas e maior risco de infecções, exigindo acompanhamento médico cuidadoso.

Disponibilidade no Brasil e desafios de acesso

A terapia CAR-T é um tratamento complexo, realizado apenas em centros especializados e que envolve tecnologia avançada para a manipulação das células do paciente. Por esse motivo, o acesso ainda é limitado em muitas regiões do mundo.

No Brasil, além das terapias comerciais aprovadas para indicações específicas, existem importantes iniciativas nacionais de pesquisa e desenvolvimento, como o projeto desenvolvido no Hemocentro de Ribeirão Preto com apoio do Butantan, cuja primeira fase de testes foi considerada segura.

Cirurgia no linfoma

Diferentemente de muitos outros tipos de câncer, a cirurgia raramente é utilizada como tratamento principal do linfoma. Isso acontece porque os linfomas costumam envolver células do sistema imunológico que podem estar distribuídas por diferentes partes do organismo, tornando os tratamentos sistêmicos, como quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, mais adequados na maioria dos casos.

Em situações específicas, a cirurgia pode ser utilizada para a realização da biópsia e também para tratar ou prevenir complicações causadas pela doença, como obstruções ou compressão de órgãos. No entanto, esses casos são menos comuns e geralmente fazem parte de uma estratégia terapêutica mais ampla.

Tratamento conforme o tipo de linfoma

Tratamento do linfoma de Hodgkin

O tratamento do linfoma de Hodgkin costuma envolver quimioterapia, com ou sem radioterapia. Habitualmente, em casos de doenças localizadas, utiliza-se uma combinação de quimioterápicos em curso breve, associado ou não à radioterapia; e nas doenças mais disseminadas, usa-se mais ciclos de quimioterapia, e radioterapia apenas em casos específicos. As taxas de cura são bastante elevadas, como destaca o NHS.

Tratamento do linfoma não Hodgkin

O tratamento do linfoma não Hodgkin é mais variado, porque esse grupo reúne muitos subtipos.

Linfomas indolentes

Podem crescer lentamente. Em alguns casos, particularmente quando a doença está estável e o paciente não apresenta sintomas, o médico pode indicar apenas a observação vigilante, também chamada de “watch and wait“. Isso não significa abandono, mas sim monitoramento cuidadoso e indicação do tratamento no momento mais adequado.

Linfomas agressivos

Exigem tratamento mais rápido e intenso, porque podem evoluir em pouco tempo.

Linfomas de células B

Frequentemente são tratados com combinações que incluem anticorpos monoclonais, como rituximabe, além de quimioterapia.

Linfomas de células T

Costumam ter comportamento e resposta diferentes, exigindo esquemas específicos de quimioterapia, com ou sem anticorpos monoclonais associados, e por vezes até envolvendo transplante de medula óssea autólogo nas linhas iniciais de tratamento.

Linfoma tem cura?

Em muitos casos, sim. O tratamento do linfoma pode levar à cura, especialmente em subtipos sensíveis ao tratamento e quando o diagnóstico e a terapia acontecem em tempo adequado.

A Abrale informa que as chances médias de cura do linfoma não Hodgkin podem ficar entre 60% e 70% em termos editoriais, enquanto dados de sobrevida relativa em 5 anos mostram números relevantes em vários cenários, como os reunidos pelo Oncoguia. Ainda assim, o prognóstico não é igual para todos.

O que influencia o prognóstico

  • subtipo do linfoma
  • estágio da doença
  • velocidade de crescimento
  • idade
  • resposta ao tratamento
  • presença de recaída
  • estado geral de saúde

Diferença entre controle da doença, remissão e cura

TermoO que significa
RemissãoSinais da doença desaparecem total ou parcialmente
Resposta parcialO linfoma diminui, mas ainda é detectável
RefratariedadeA doença não responde adequadamente ao tratamento
RecidivaO linfoma volta após um período de resposta
CuraAusência duradoura da doença, com baixa probabilidade de retorno

Efeitos colaterais do tratamento do linfoma e como lidar

Os tratamentos para o linfoma evoluíram muito nas últimas décadas e, atualmente, existem diversas estratégias para prevenir e controlar efeitos colaterais. Ainda assim, cada paciente pode reagir de forma diferente ao tratamento. Os sintomas variam conforme o tipo de terapia utilizada, as doses administradas e as características individuais de cada pessoa.

Uma das medidas mais importantes é comunicar precocemente qualquer sintoma diferente do esperado à equipe assistencial.

Náuseas e vômitos

Medicamentos antieméticos prescritos pelos médicos costumam auxiliar bastante. Além disso, fazer refeições menores ao longo do dia, manter-se hidratado e evitar alimentos muito gordurosos ou com odores fortes pode ajudar a reduzir o desconforto. Em casos de vômitos persistentes com dificuldade de ingesta oral, buscar assistência médica.

Diarreia e prisão de ventre

Alterações do funcionamento intestinal são relativamente comuns durante o tratamento. Tanto a diarreia quanto a prisão de ventre podem causar desconforto e, quando persistentes, levar à desidratação ou a outras complicações. Hidratação adequada, ajustes na alimentação com incremento de fibras e, em alguns casos, medicamentos prescritos pelo médico costumam ajudar no controle desses sintomas.

Em casos de diarreia volumosa persistente com dificuldade de ingesta / hidratação oral ou com sangramento associado, ou intestino preso por mais de 3-5 dias com desconforto abdominal mesmo tomando todas as medidas indicadas previamente, procurar auxílio com a equipe médica assistente.

Mucosite e boca seca

Alguns tratamentos podem provocar inflamação e feridas na boca, condição conhecida como mucosite. Além de causar dor e desconforto, ela pode dificultar a alimentação, a hidratação e até a fala.

Durante esse período, costuma ser mais fácil tolerar alimentos macios, úmidos e de consistência pastosa, como purês, sopas mornas, mingaus, iogurtes, vitaminas, frutas amassadas e ovos mexidos. Em muitos casos, alimentos frios ou gelados, como sorvetes, picolés de frutas e bebidas refrigeradas, ajudam a aliviar o desconforto. Por outro lado, alimentos muito quentes, ácidos, condimentados, crocantes ou muito salgados podem irritar ainda mais a mucosa e devem ser evitados conforme a tolerância individual.

Manter uma boa higiene oral, utilizar escovas de dente com cerdas macias e garantir hidratação adequada também são medidas importantes. Quando necessário, o médico pode prescrever enxaguantes específicos, analgésicos ou anestésicos tópicos para aliviar a dor e facilitar a alimentação.

A laserterapia de baixa intensidade tem sido amplamente utilizada para prevenir e tratar a mucosite em pacientes oncológicos. Quando indicada, pode reduzir a dor, acelerar a cicatrização das lesões e melhorar a qualidade de vida durante o tratamento.

Queda de cabelo

A queda de cabelo (alopecia) é um dos efeitos colaterais mais conhecidos do tratamento oncológico, mas nem todos os medicamentos utilizados no linfoma causam esse problema. Quando ocorre, a intensidade pode variar desde um afinamento discreto dos fios até a perda completa dos cabelos e pelos corporais. Em geral, a queda começa entre duas e quatro semanas após o início da quimioterapia, podendo tornar-se mais evidente ao longo dos ciclos seguintes.

Embora essa mudança possa ser emocionalmente difícil, é importante lembrar que, na grande maioria dos casos, a alopecia é temporária. O crescimento dos fios costuma recomeçar algumas semanas após o término do tratamento, tornando-se mais perceptível entre um e três meses depois da última sessão. A recuperação completa pode levar vários meses, e inicialmente os cabelos podem crescer com textura, cor ou espessura um pouco diferentes das habituais.

Muitas pessoas se sentem melhor ao se preparar antecipadamente para essa fase. Algumas optam por cortar os cabelos antes do início da queda, enquanto outras utilizam lenços, chapéus, bonés ou perucas. Atualmente, existem perucas personalizadas que podem ser confeccionadas para reproduzir o aspecto habitual dos cabelos do paciente e, em alguns casos, até utilizar fios cortados antes do início do tratamento.

Em determinados centros especializados, pode ser oferecida a crioterapia do couro cabeludo (touca gelada) durante a infusão da quimioterapia. Essa técnica reduz o fluxo sanguíneo para os folículos capilares e pode diminuir a perda de cabelo em alguns tipos de tratamento. No entanto, sua eficácia varia conforme os medicamentos utilizados e nem todos os pacientes são candidatos a essa estratégia.

Além dos aspectos físicos, a queda de cabelo pode ter impacto importante na autoestima e na imagem corporal. Conversar sobre essas mudanças com a equipe de saúde, os familiares e os grupos de apoio pode ajudar no enfrentamento desse período e contribuir para uma melhor qualidade de vida durante o tratamento.

Baixa imunidade e risco de infecções

Muitos tratamentos para o linfoma podem reduzir temporariamente as defesas do organismo, aumentando o risco de infecções. Por esse motivo, é importante seguir as orientações de prevenção fornecidas pela equipe médica e comunicar rapidamente qualquer sinal suspeito. Durante o tratamento, a febre pode representar uma situação de urgência médica e deve ser avaliada o mais rápido possível.

Fadiga e impacto emocional

O cansaço relacionado ao tratamento do câncer é diferente do desgaste habitual do dia a dia. Muitas vezes, ele não melhora completamente com repouso e pode afetar atividades rotineiras. Respeitar os limites do corpo, manter atividade física leve quando possível e preservar períodos adequados de descanso podem ajudar no controle da fadiga.

Aspectos emocionais

Receber o diagnóstico de linfoma e passar pelo tratamento pode gerar ansiedade, medo, tristeza, insegurança e outras reações emocionais. Esses sentimentos são comuns e merecem atenção. Conversar com familiares, amigos, profissionais de saúde e, quando necessário, buscar apoio psicológico pode contribuir significativamente para a qualidade de vida durante o tratamento.

Quando procurar ajuda médica imediatamente

Entre em contato com sua equipe médica ou procure atendimento sem demora caso apresente:

  • Febre, especialmente temperatura igual ou superior a 37,8°C
  • Falta de ar ou dificuldade para respirar
  • Sangramentos incomuns ou difíceis de controlar
  • Vômitos persistentes
  • Diarreia intensa ou sinais de desidratação
  • Confusão mental, sonolência excessiva ou alterações neurológicas
  • Dor intensa ou de início súbito
  • Redução importante da ingestão de líquidos
  • Piora rápida do estado geral

Em caso de dúvida, é sempre preferível entrar em contato com a equipe assistencial. A comunicação precoce de sintomas é uma das melhores formas de tornar o tratamento mais seguro e eficaz.

Cuidados paliativos e suporte ao paciente com linfoma

O tratamento do linfoma vai muito além do combate à doença. Cuidar do bem-estar físico, emocional e social do paciente é uma parte fundamental da assistência em todas as fases do tratamento. Nesse contexto, os cuidados paliativos e o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar desempenham um papel importante para melhorar a qualidade de vida e oferecer suporte ao paciente e à sua família.

O que são cuidados paliativos?

Os cuidados paliativos são uma abordagem especializada voltada para a prevenção e o alívio do sofrimento causado pela doença e pelos seus tratamentos. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, cuidados paliativos não significam interrupção do tratamento ou ausência de possibilidades terapêuticas.

Eles podem ser oferecidos desde o momento do diagnóstico e acompanharem o paciente durante toda a sua jornada, juntamente com o tratamento oncológico.

Controle de sintomas e qualidade de vida

Os cuidados paliativos ajudam a prevenir, identificar e tratar sintomas que podem impactar o dia a dia do paciente. Eles podem ser oferecidos junto com quimioterapia, imunoterapia ou outras terapias. O foco é tratar a pessoa, não apenas o tumor.

O objetivo é proporcionar mais conforto, autonomia e qualidade de vida, permitindo que o paciente mantenha suas atividades e relacionamentos da melhor forma possível durante o tratamento. Além do controle dos sintomas físicos, os cuidados paliativos também oferecem apoio emocional, social e espiritual, respeitando os valores, as preferências e os objetivos individuais de cada pessoa.

A importância da equipe multidisciplinar

O tratamento do linfoma geralmente envolve profissionais de diferentes áreas trabalhando de forma integrada. Cada membro da equipe contribui para aspectos específicos do cuidado, ajudando a atender as diversas necessidades do paciente ao longo do tratamento.

Hematologista

É o médico especialista nas doenças do sangue e do sistema linfático. Em grande parte dos casos, é o profissional responsável pelo diagnóstico, planejamento e acompanhamento do tratamento do linfoma.

Oncologista

Dependendo da organização do serviço e das características do caso, o oncologista pode atuar em conjunto com o hematologista, especialmente em centros especializados em tratamento do câncer.

Radioterapeuta

É o médico responsável pelo planejamento e acompanhamento da radioterapia, quando essa modalidade faz parte da estratégia terapêutica.

Enfermagem

A equipe de enfermagem desempenha papel fundamental na administração dos tratamentos, monitorização de efeitos colaterais, orientação dos pacientes e identificação precoce de possíveis complicações.

Nutricionista

A alimentação adequada pode ajudar a manter a força, prevenir perda excessiva de peso e lidar com efeitos colaterais que dificultam a alimentação. O nutricionista orienta estratégias adaptadas às necessidades de cada paciente.

Psicólogo

O diagnóstico e o tratamento do linfoma podem gerar medo, ansiedade, tristeza e outras dificuldades emocionais. O acompanhamento psicológico pode auxiliar o paciente e seus familiares a enfrentarem esses desafios de forma mais saudável.

Assistente social

O serviço social pode ajudar em questões práticas relacionadas ao tratamento, como acesso a direitos, benefícios, transporte, afastamento do trabalho e encaminhamento para recursos de apoio disponíveis.

Outros profissionais

Dependendo das necessidades de cada paciente, outros profissionais também podem participar do cuidado, incluindo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, dentistas, especialistas em cuidados paliativos e diversos outros membros da equipe de saúde.

Tratamentos complementares, terapias alternativas e segurança

É importante diferenciar o que pode complementar o cuidado do que pode atrapalhar ou substituir tratamentos eficazes.

Diferença entre complementar e alternativo

Terapias complementares podem ajudar no bem-estar, como relaxamento, suporte psicológico e atividade física orientada. Já terapias alternativas, quando usadas no lugar do tratamento médico, podem trazer riscos graves.

O que pode ajudar no bem-estar

  • acompanhamento psicológico
  • meditação
  • exercícios leves com liberação médica
  • suporte nutricional
  • grupos de apoio

O que exige cautela por falta de evidência

Suplementos, ervas, dietas extremas e promessas de cura natural devem sempre ser discutidos com a equipe médica, porque podem interferir nos medicamentos.

O que acontece quando o tratamento não funciona ou precisa ser interrompido

Doença recidivada ou refratária

Quando o linfoma volta ou não responde, ainda existem opções. Isso pode incluir nova quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo, transplante ou CAR-T.

Mudança de estratégia terapêutica

A troca de tratamento depende do subtipo, do tempo até a recaída, da resposta anterior e da condição clínica do paciente.

Ensaios clínicos como possibilidade

Estudos clínicos podem oferecer acesso a terapias inovadoras e são uma opção válida em casos selecionados.

Interrupção do tratamento e manutenção do cuidado de suporte

Às vezes, o tratamento ativo precisa ser pausado ou interrompido por toxicidade, fragilidade ou decisão compartilhada. Isso não significa abandono. O cuidado de suporte continua sendo essencial.

Acesso ao tratamento no Brasil

No SUS, na saúde suplementar e na rede privada, o acesso pode variar conforme a tecnologia disponível e o centro de referência. Entre 2010 e 2020, o SUS registrou 91.468 casos de linfoma e 721.096 procedimentos ambulatoriais, sendo 94% quimioterapia e 6% radioterapia.

Terapias mais novas, como CAR-T, ainda enfrentam barreiras de custo e disponibilidade. Por isso, o ideal é perguntar à equipe sobre centros de referência, protocolos disponíveis e possibilidade de encaminhamento.

Perguntas para fazer ao médico sobre o tratamento do linfoma

Levar dúvidas anotadas ajuda muito na consulta. Algumas perguntas úteis são:

  • Qual é exatamente o subtipo do meu linfoma?
  • Meu linfoma é agressivo ou indolente?
  • O objetivo do tratamento é cura ou controle?
  • Vou precisar de quimioterapia, imunoterapia, radioterapia ou combinação?
  • Quais efeitos colaterais são mais prováveis no meu caso?
  • Existe risco para fertilidade e preciso discutir preservação reprodutiva?
  • O tratamento está disponível no SUS ou no meu convênio?
  • Há indicação de transplante?
  • Existe algum estudo clínico aberto que pode ser indicado no meu caso?

FAQ sobre tratamento do linfoma

O linfoma tem cura?

Sim, muitos casos têm chance de cura. Isso depende principalmente do subtipo, do estágio e da resposta ao tratamento.

Qual é o tratamento do linfoma?

O tratamento do linfoma pode incluir quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo, radioterapia, transplante de células-tronco e células CAR-T. A combinação varia conforme o tipo de linfoma.

Como é feito o tratamento do linfoma não Hodgkin?

O tratamento do linfoma não Hodgkin depende do subtipo e do comportamento da doença. Alguns casos precisam de tratamento imediato, enquanto outros podem ser acompanhados com observação vigilante.

Como é feito o tratamento do linfoma de Hodgkin?

Em geral, envolve quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia complementar. Muitos pacientes têm boa resposta e altas taxas de cura.

Quimioterapia é sempre necessária no tratamento do linfoma?

Não. Embora seja muito comum, alguns pacientes podem receber imunoterapia, terapia-alvo, radioterapia isolada ou até observação vigilante, dependendo do caso.

O que é imunoterapia para linfoma?

É um tratamento que ajuda o sistema imunológico a reconhecer e combater as células do câncer. Anticorpos monoclonais, como o rituximabe, são exemplos frequentes.

O que é terapia-alvo no linfoma?

É um tratamento que age em mecanismos específicos da célula tumoral. Em alguns casos, pode oferecer uma abordagem mais direcionada do que a quimioterapia tradicional.

Quando o transplante de medula óssea é necessário no linfoma?

Ele costuma ser indicado em casos selecionados, principalmente quando há recidiva ou refratariedade. Nem todo paciente com linfoma precisa de transplante.

O que é terapia com células CAR-T no tratamento do linfoma?

É uma terapia celular avançada que modifica células de defesa do próprio paciente para atacar o câncer. Geralmente é usada em casos específicos de linfoma recidivado ou refratário e realizada em centros altamente especializados.

O tratamento do linfoma está disponível no SUS?

Muitas opções, como quimioterapia, radioterapia e alguns anticorpos monoclonais, estão disponíveis no SUS. Já terapias mais modernas podem ter acesso mais restrito, dependendo da incorporação e do centro de tratamento.

Quais são os efeitos colaterais do tratamento do linfoma?

Os mais comuns incluem náuseas, cansaço, queda de cabelo, baixa imunidade, mucosite e alterações intestinais. Eles variam conforme o tratamento e podem ser manejados com acompanhamento adequado.

Quanto tempo dura o tratamento do linfoma?

A duração varia bastante. Pode ir de algumas semanas a vários meses, e em certos casos o acompanhamento se estende por anos, mesmo após o fim da terapia ativa.

Foto de Dr. Antonio Carlos Buzaid

Dr. Antonio Carlos Buzaid

Destacado oncologista clínico, graduado pela Universidade de São Paulo, com experiência internacional nos EUA, onde foi diretor de centros especializados em melanoma e câncer de pulmão, além de professor na Universidade de Yale. No Brasil, foi membro do comitê gestor do Centro de Oncologia do Einstein e dirigiu centros de oncologia nos hospitais Sírio Libanês e BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Atualmente é Diretor Médico Geral do Centro de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis. CRM 45.405

Foto de Dr. Fernando Cotait Maluf

Dr. Fernando Cotait Maluf

Renomado oncologista clínico, graduado pela Santa Casa de São Paulo, com doutorado em Urologia pela FMUSP. Ele foi chefe do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica do Hospital Sírio Libanês e atualmente é diretor associado do Centro de Oncologia do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, além de membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein e professor livre-docente na Santa Casa de São Paulo. CRM: 81.930

Publicação: 24/04/2025 | Atualização: 14/07/2026

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