Ultrassom é um exame de imagem que usa ondas sonoras de alta frequência para formar imagens em tempo real de órgãos, vasos sanguíneos, tecidos e do feto durante a gestação. É um exame seguro, indolor e sem radiação ionizante, amplamente usado para investigar sintomas, acompanhar a gravidez, avaliar circulação com Doppler e guiar punções e biópsias.
No Brasil, são realizados mais de 2 milhões de exames por ano, e a utilidade do exame depende de um ponto central: escolher o tipo certo, no momento certo e com o preparo certo.
Neste guia, você vai entender o que é ultrassom, para que serve, quais são os principais tipos, como se preparar, o que o exame consegue mostrar e quando ele precisa ser complementado por tomografia ou ressonância.
Pontos importantes
- O ultrassom usa ondas sonoras e um transdutor para criar imagens em tempo real, sem usar radiação ionizante.
- O exame pode avaliar abdome, pelve, mamas, tireoide, vasos sanguíneos, músculos, subcutâneo, gânglios, articulações e gravidez.
- Alguns tipos exigem preparo específico, como jejum de 6 a 8 horas ou bexiga cheia, com necessidade de beber água antes do exame, sem urinar.
- A duração média costuma ser de 15 a 30 minutos, mas varia conforme a área estudada e a complexidade do caso.
- O ultrassom é muito útil, mas tem limitações: gases, obesidade e estruturas profundas, como o pâncreas, podem dificultar a visualização.
O que é ultrassom?
Ultrassom é um exame de imagem que utiliza ondas sonoras de alta frequência para produzir imagens internas do corpo em tempo real. Ele é chamado também de ultrassonografia ou ecografia, termos usados como equivalentes na prática clínica.
O aparelho possui um transdutor, que é a peça colocada sobre a pele ou introduzida por via vaginal ou retal em alguns casos. Esse transdutor emite ondas sonoras e capta o eco refletido pelos tecidos, transformando esse retorno em imagem.
Por não usar radiação ionizante, o ultrassom é considerado um exame seguro e amplamente utilizado em adultos, crianças e gestantes, como destaca a Dasa.
Como o ultrassom funciona
O ultrassom funciona pela emissão e recepção de ondas sonoras de alta frequência. Essas ondas atravessam o corpo, encontram tecidos diferentes e retornam ao transdutor em velocidades distintas.
O software do equipamento interpreta esses ecos e monta a imagem. Isso permite observar forma, tamanho, textura e, em alguns casos, movimento de estruturas internas, como batimentos cardíacos fetais e fluxo sanguíneo.
Ultrassom, ultrassonografia e ecografia são a mesma coisa?
Sim, ultrassom, ultrassonografia e ecografia se referem ao mesmo método de imagem. A diferença é basicamente de uso de linguagem.
No dia a dia, “ultrassom” é o termo mais popular. Em laudos e pedidos médicos, “ultrassonografia” costuma aparecer com mais frequência.
O ultrassom tem radiação?
Não, o ultrassom não tem radiação ionizante. Isso o diferencia de exames como tomografia computadorizada e raio-X.
Essa característica ajuda a explicar por que o ultrassom é tão usado no pré-natal e em avaliações repetidas, sempre dentro de uma indicação médica adequada.
Para que serve o ultrassom?
O ultrassom serve para investigar sintomas, acompanhar doenças, examinar órgãos e tecidos, avaliar a gravidez e estudar o fluxo sanguíneo. Ele costuma ser um dos primeiros exames pedidos porque é rápido, acessível e fornece informação em tempo real.
Na prática, o exame pode ajudar a identificar cistos, nódulos, cálculos, dilatações, inflamações, líquidos, trombose, alterações ginecológicas e achados gestacionais. Em oncologia, pode ser útil para detectar e avaliar massas suspeitas, medir lesões e guiar procedimentos, mas não fecha o diagnóstico de câncer sozinho.
Diagnóstico de órgãos e tecidos
O ultrassom é muito usado para avaliar fígado, vesícula, rins, bexiga, útero, ovários, tireoide, mamas e partes moles.
Ele pode mostrar, por exemplo, cálculos na vesícula, cistos nos ovários, nódulos de tireoide, dilatação dos rins e coleções líquidas.
Acompanhamento da gravidez
O ultrassom obstétrico acompanha a evolução da gestação. Ele ajuda a confirmar a localização da gravidez, estimar a idade gestacional, avaliar o crescimento fetal, os batimentos cardíacos e a placenta.
Em situações de urgência, também pode ser decisivo para investigar gravidez ectópica e outras complicações obstétricas, como descrito em revisão publicada no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences.
Avaliação do fluxo sanguíneo
O ultrassom com Doppler avalia circulação e fluxo sanguíneo. É muito usado em artérias, veias, carótidas, membros inferiores e medicina fetal.
Esse tipo de ultrassom ajuda a investigar trombose, insuficiência venosa, estreitamentos vasculares e perfusão placentária.
Guia para punções e biópsias
O ultrassom também serve como guia para procedimentos. Ele permite que o médico visualize a agulha em tempo real durante punções, drenagens e biópsias.
Esse uso é importante quando há suspeita de nódulos, coleções ou lesões que precisam de amostra para análise.
Principais tipos de ultrassom
Os principais tipos de ultrassom variam conforme a região do corpo, a via do exame e a pergunta clínica. Nem todo ultrassom serve para a mesma coisa, por isso o pedido médico costuma especificar a modalidade.
Ultrassom abdominal
O ultrassom abdominal avalia órgãos como fígado, vesícula, rins e bexiga. Pode ser solicitado em casos de dor abdominal, enjoo, suspeita de cálculo, aumento de fígado ou alterações urinárias.
Ultrassom pélvico
O ultrassom pélvico analisa estruturas da pelve, como útero, ovários, próstata e bexiga. É comum na investigação de dor na pelve, sangramento uterino anormal e massas na região.
Ultrassom transvaginal
O ultrassom transvaginal usa um transdutor introduzido na vagina para avaliar útero, endométrio, colo do útero e ovários com mais detalhes.
No início da gravidez, costuma ser muito útil entre a 6ª e a 12ª semana para confirmar gestação, a localização do saco gestacional e a viabilidade embrionária.
Ultrassom obstétrico
O ultrassom obstétrico acompanha a gravidez e avalia o desenvolvimento fetal. Ele pode ser feito em diferentes momentos do pré-natal.
Ultrassom obstétrico por trimestre
No 1º trimestre, ajuda na datação e confirmação da gestação. No 2º trimestre, avalia anatomia fetal com mais detalhes. No 3º trimestre, acompanha crescimento, posição fetal, placenta e líquido amniótico.
Ultrassom morfológico
O ultrassom morfológico é um exame obstétrico mais detalhado, voltado à avaliação anatômica do feto e à pesquisa de malformações.
Quando fazer no 1º trimestre
O morfológico do 1º trimestre costuma ser feito entre 11 e 14 semanas. A ISUOG também recomenda a avaliação entre 11 e 13 semanas e 6 dias em contextos específicos de rastreamento.
Quando fazer no 2º trimestre
O morfológico do 2º trimestre costuma ser realizado entre 20 e 24 semanas. Diretrizes internacionais frequentemente concentram essa janela entre 18 e 22 semanas.
Ultrassom com Doppler
O ultrassom com Doppler avalia o fluxo sanguíneo. Ele é útil em doenças vasculares, avaliação fetal e estudos de circulação placentária.
Ultrassom de mamas
O ultrassom de mamas ajuda a avaliar nódulos, cistos e alterações percebidas no exame físico ou na mamografia.
Ultrassom da tireoide
O ultrassom da tireoide é usado para investigar nódulos, aumento da glândula e alterações estruturais. Quando necessário, também orienta a punção aspirativa.
Ultrassom 3D e 4D
O ultrassom 3D gera imagens tridimensionais estáticas. O 4D mostra essas imagens em movimento, em tempo real.
Na obstetrícia, o 3D costuma ser realizado entre a 26ª e a 30ª semana, principalmente para visualização facial e corporal do feto, mas ele não substitui o ultrassom morfológico.
Outros tipos que podem ser pedidos
Outros tipos de ultrassom são solicitados conforme a necessidade clínica.
Musculoesquelético
Avalia tendões, músculos, bursas, articulações e lesões esportivas.
Próstata
Pode ser abdominal ou transretal, dependendo da indicação.
Partes moles
Investiga caroços, lipomas, hérnias superficiais, coleções e nódulos subcutâneos (sob a pele).
Linfonodos
Avalia as características de gânglios (linfonodos) localizados em regiões como pescoço, axilas, virilhas, entre outros. Isso é útil, por exemplo, para analisar se eles possuem algum aspecto suspeito para tumor. A biópsia é o exame definitivo para essa confirmação, a qual pode ser feita guiada pelo próprio ultrassom.
Quando o ultrassom é indicado?
O ultrassom é indicado quando há necessidade de avaliar uma estrutura interna de forma rápida, sem radiação e com boa definição para tecidos moles. A indicação depende dos sintomas, do histórico clínico e da suspeita diagnóstica.
Sintomas e situações comuns
O exame pode ser pedido em casos como:
- dor no abdome
- dor na pelve
- sangramento uterino anormal
- suspeita de cálculo renal ou biliar
- nódulo em mama, tireoide ou partes moles
- avaliação de gânglios (linfonodos)
- inchaço nas pernas e suspeita de trombose
- atraso menstrual ou suspeita de gravidez
Exames de rotina
Em algumas situações, o ultrassom entra no acompanhamento de condições já conhecidas, como nódulos benignos, cistos, doenças hepáticas e tireoidianas.
Gestação e pré-natal
Na gravidez, o ultrassom é parte central do pré-natal. A ultrassonografia de rotina antes de 24 semanas melhora a datação da gestação e reduz a chance de não reconhecer gestações múltiplas, segundo referências citadas pela ISUOG.
Como é feito o exame de ultrassom?
O ultrassom é feito com um transdutor e um gel que facilita a passagem das ondas sonoras. O exame costuma ser simples, rápido e ambulatorial, sem necessidade de recuperação posterior.
Passo a passo do procedimento
- O paciente deita na maca.
- O profissional aplica gel na pele ou usa um transdutor específico em exames internos.
- O transdutor é movimentado sobre a região a ser analisada.
- As imagens aparecem em tempo real no monitor.
- O médico registra medidas, imagens e achados relevantes.
Quanto tempo dura
A duração média do ultrassom costuma ser de 15 a 30 minutos. Exames mais detalhados, como alguns obstétricos e Doppler, podem levar mais tempo.
O exame dói?
Não. O exame em si não dói.
O que algumas pessoas sentem é pressão do transdutor, gel frio ou desconforto leve quando a bexiga precisa estar cheia. No transvaginal, pode haver incômodo discreto, mas o exame geralmente é bem tolerado.
Quem faz e quem interpreta o exame?
O ultrassom deve ser realizado por um médico habilitado em diagnóstico por imagem, frequentemente o radiologista ou o especialista da área, e o laudo deve ser interpretado junto com sintomas, exame físico e outros exames.
Ultrassom precisa de preparo?
Sim, alguns tipos de ultrassom exigem preparo específico, enquanto outros não exigem nada além de documentos e pedido médico. O preparo correto melhora a qualidade da imagem e reduz o risco de exame inconclusivo.
Quando precisa de jejum
Alguns exames abdominais pedem jejum de 6 a 8 horas.
Quando precisa de bexiga cheia
Alguns exames, como ultrassom pélvico, de abdome total e de vias urinárias, podem exigir ingestão de água antes, sem urinar até o exame.
Quando não precisa de preparo
Ultrassom de mama, tireoide, partes moles e muitos exames musculoesqueléticos geralmente não exigem preparo.
O que vestir e o que levar no dia
Leve documento, pedido médico, exames anteriores e use roupa confortável. Se o ultrassom for obstétrico ou para seguimento de nódulos, por exemplo, exames prévios ajudam muito na comparação.
O que o ultrassom consegue mostrar e quais são suas limitações?
O ultrassom mostra bem estruturas superficiais e muitos órgãos abdominais e pélvicos, mas não resolve todas as dúvidas diagnósticas. Ele é excelente como primeiro exame em muitas situações, porém pode precisar de complementação.
O exame costuma avaliar bem cistos, nódulos, cálculos, dilatações, coleções líquidas, gravidez, batimentos fetais e fluxo sanguíneo com Doppler.
O que costuma ser bem avaliado
Entre os achados frequentemente vistos no ultrassom estão:
- cistos simples
- nódulos de tireoide
- cálculos na vesícula
- dilatação dos rins
- trombose venosa
- miomas uterinos
- gânglios alterados
- gestação intrauterina
Quando o exame pode não ser suficiente
Estruturas profundas, excesso de gases intestinais e obesidade podem reduzir a qualidade das imagens. O pâncreas, por exemplo, pode não ser visualizado pelo utrassom.
Além disso, o ultrassom depende da janela acústica e da pergunta clínica. Em oncologia, ele pode sugerir uma lesão suspeita, mas muitas vezes será necessário complementar com mamografia, tomografia, ressonância ou biópsia.
Quando o médico pode pedir tomografia ou ressonância
Tomografia e ressonância costumam ser pedidas quando o ultrassom é inconclusivo, quando a área é profunda, quando é preciso estadiar uma doença ou quando a suspeita clínica exige maior detalhamento anatômico.
Ultrassom na gravidez
O ultrassom na gravidez avalia o desenvolvimento fetal, a placenta, o líquido amniótico e a circulação, além de ajudar na datação gestacional. Ele é um dos exames mais importantes do pré-natal.
Uma revisão da Cochrane mostrou que, no 1º trimestre, a ultrassonografia teve especificidade geral de 99,9% para identificação de anomalias estruturais em gestações de baixo risco, com melhor desempenho quando combinada a rastreamento em duas etapas.
O que o ultrassom obstétrico avalia
O ultrassom obstétrico avalia:
- idade gestacional
- batimentos cardíacos fetais
- número de fetos
- crescimento fetal
- posição da placenta
- volume de líquido amniótico
Diferença entre obstétrico, morfológico e 3D
O ultrassom obstétrico é o exame geral de acompanhamento. O ultrassom morfológico é mais detalhado e focado em anatomia fetal. O ultrassom 3D prioriza visualização tridimensional e não substitui o morfológico.
Convênio cobre ultrassom?
Muitos convênios cobrem ultrassom quando há indicação médica e rede credenciada. Vale confirmar carência, autorização e unidade disponível.
Quando vale confirmar preparo e prazo de laudo com a clínica
Sempre confirme preparo, necessidade de acompanhante, tempo de exame e prazo do laudo antes de sair de casa.
Quando procurar orientação médica após o exame?
O resultado do ultrassom deve ser avaliado por um médico, que irá analisá-lo juntamente com outras informações, como a história clínica, os sintomas, o exame físico, as características do paciente e os outros exames já realizados. O laudo é uma peça do diagnóstico, não a conclusão isolada.
Por que o laudo não deve ser interpretado isoladamente
Termos como “nódulo”, “cisto”, “imagem hipoecoica” ou “achado inespecífico” não significam automaticamente câncer. A interpretação correta depende da história clínica, do exame físico e, quando necessário, de outros exames.
Perguntas frequentes sobre ultrassom
Ultrassom detecta câncer?
O ultrassom pode identificar nódulos ou massas suspeitas, mas não confirma o câncer sozinho. Quando há suspeita, o médico pode pedir mamografia, tomografia, ressonância ou biópsia.
Ultrassom substitui tomografia ou ressonância?
Não. O ultrassom é excelente como exame inicial em muitas situações, mas tomografia e ressonância podem oferecer melhor avaliação em áreas profundas, estadiamento e casos complexos.
Ultrassom de mama substitui mamografia?
Não. O ultrassom de mama é complementar e não substitui a mamografia, especialmente no rastreamento do câncer de mama.
Grávida pode fazer ultrassom à vontade?
O ultrassom é considerado seguro na gestação, mas deve ser feito com indicação e acompanhamento adequados. O objetivo não é repetir sem necessidade, e sim realizar o exame certo na fase certa do pré-natal.
Quanto tempo demora para sair o resultado do ultrassom?
Depende da clínica, do tipo de exame e da necessidade de revisão médica. Alguns laudos saem no mesmo dia, enquanto outros podem levar mais dias, a depender da rotina do serviço.
Ultrassom precisa de jejum?
Depende do tipo. Alguns ultrassons abdominais exigem jejum de 6 a 8 horas, enquanto outros, como mama e tireoide, geralmente não exigem.
Ultrassom precisa de bexiga cheia?
Depende do exame. Ultrassom pélvico, abdome total, vias urinárias e alguns exames de próstata podem pedir bexiga cheia para melhorar a visualização.
Ultrassom dói?
Na maioria dos casos, não. O exame costuma causar apenas pressão local, gel frio ou leve desconforto se a bexiga estiver cheia.
Ultrassom mostra inflamação?
Pode mostrar sinais indiretos de inflamação, como aumento de volume, líquido, espessamento ou alteração de vascularização. Mesmo assim, o resultado precisa ser correlacionado com sintomas e exames laboratoriais.
Ultrassom pode dar resultado inconclusivo?
Sim. Gases intestinais, obesidade, movimentação e localização profunda da estrutura podem limitar o exame e exigir complementação.


