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Força e fé para viver um dia de cada vez

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Médica focou no pensamento positivo e no trabalho durante o tratamento do câncer

Praticar atividade física todos os dias, para sempre, foi uma das decisões que a dermatologista Juliana Cassorielo tomou após o diagnóstico, junto com a resolução de não comer muito doce, hábito que tinha antes. “Confesso que nunca fui muito regrada e com isso engordei nove quilos na pandemia”.

A descoberta do tumor se deu em 8 de outubro de 2020, quando fazia campanha do Outubro Rosa em sua clínica. O ultrassom indicou a alteração e dali já começou a fazer exames, biópsia e teve o diagnóstico de câncer de mama HER2 em estágio avançado na mama direita, iniciando a quimioterapia no dia 18 do mesmo mês. “Terminei os seis ciclos de quimioterapia e o tumor regrediu praticamente tudo”, comemora. “Ele fragmentou; tinham dois nódulos na axila que também sumiram”. Agora ela se prepara para a cirurgia em que vai tirar os fragmentos para biópsia, fará adenomastectomia bilateral com reconstrução mamária – mesmo dando resultado negativo para a genética, decidiu tirar as duas mamas para evitar recidiva, por ser grande o tumor

“Como eu lido com estética, fiquei com muito medo de mudar minha aparência e me cuidei bastante. Usei a touca gelada e meu cabelo caiu bem pouco”. Depois da primeira quimioterapia teve náuseas e alterações intestinais, parou alguns dias de trabalhar e retomou as atividades assim que melhorou. “Eu agendava 10, 15 pacientes por dia, criei campanhas para a clínica, e foi o que fez o tempo passar”.

Juliana conta que ia se adaptando às necessidades do seu corpo: como a fadiga era grande, preferia não dirigir e alguém a levava até a clínica. Às vezes trabalhava de três a quatro dias por semana. Quando voltava para casa após o expediente, descansava e nos finais de semana fazia uma pequena viagem para a praia, preparando-se para as sessões de quimioterapia.

Ela acredita que o equilíbrio emocional também ajudou bastante, porque depois do susto do diagnóstico decidiu que não era hora de ficar assustada, mas de confiar e lutar. “Não me desesperei. Pensei em várias mulheres que ficaram bem mesmo tendo tumor avançado, e que eu ia ficar bem”. 

Buscou manter sua força diante dos desafios que surgiram pelo caminho. “No meio do tratamento eu estava noiva, ele inventou uma briga e terminou. Isso mexeu um pouco comigo, fiz terapia, o que ajudou bastante, e conheci muitas mulheres que passaram pela mesma situação. Concluí que o importante é focar no nosso bem maior, que é a nossa vida, e quando algo assim acontece é um livramento. Busquei sair da ideia do abandono, porque só me deixaria pior. Geralmente quando as mulheres vivem um fim assim o sofrimento dura meses, mas eu não tinha esse tempo, precisava fazer quimioterapia, ficar alegre. Durou dois dias para mim”.

Por sua experiência, defende que as mulheres que vivenciam essas situações tenham ajuda para sair da crise. “Eu tive ajuda da minha família; para a mulher totalmente sozinha, trabalhar, cuidar dos filhos e se tratar é difícil. Mas é importante não se sentir vitimizada, procurar se fortalecer. Eu só pensava que faço tudo para ter mais dez anos para ver meu filho com 19 anos. Aí desliguei das coisas ruins e foquei nas positivas, parei de ver notícias ruins. Tem sempre aquela pessoa na família que gosta de contar que uma tia morreu, outra está doente. Fuja dessas coisas negativas, de pessoas que falam ‘não sei quem morreu de câncer’. Foque no positivo, na fé, na confiança no seu tratamento”.

Para ela, é fundamental, independentemente da fé que a pessoa tenha, acreditar que há algo maior para nós e que muitas pessoas passaram e superaram, mesmo com metástase. “Lembrei dos exemplos que já vi, das pessoas na TV como a Ana Maria Braga e a Ana Furtado. Vou vivendo um dia de cada vez e fico bem. Muitos nem acreditam que estou doente: minha pele quase não mudou a cor, procuro fazer a unha toda semana, arrumar meu cabelo. Autoestima é tudo”. Em seu perfil no Instagram, Juliana compartilha a experiência com um grupo de mulheres que também enfrentam o câncer, para que se inspirem, cuidem-se para ficar bem. 

Durante a entrevista para essa matéria, após o final do expediente, diz animada que atendeu 25 pessoas na clínica e não sentiu cansaço. “Tomei vitaminas e estou ótima”. Conta ainda que pretende trabalhar bastante nos dias que faltam para a sua cirurgia, depois vai parar duas semanas para se recuperar e retoma as atividades até começar as sessões de radioterapia. “Acho que a pior parte já foi, vamos ver”, comenta com seu otimismo, o que reforça sua ideia de que a força da mulher vem das suas muitas funções – e também da vontade de prosseguir com seus sonhos, sua carreira, sua família.

Logotipo do Instituto Vencer o Câncer

O Instituto Vencer o Câncer é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), fundada pelos oncologistas Dr. Antonio Carlos Buzaid e Dr. Fernando Cotait Maluf, com atuação em 3 pilares: (1) Informação de excelência e educação para prevenção do câncer. (2) Implementação de centros de pesquisa clínica para a descoberta de novos medicamentos. (3) Articulação para promoção de políticas públicas em prol da melhoria e ampliação do acesso à prevenção, ao tratamento e à cura do câncer.

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