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Juliana Conte

Publicado em 21/10/2014

Revisado em 24/09/2019

Pacientes de LLC podem não precisar de tratamento imediato

A leucemia linfoide crônica (LLC) é considerada uma doença pouco frequente pela OMS (Organização Mundial da Saúde), sua incidência é de menos de 65 casos por 100 mil indivíduos. Entretanto, quando nos referimos a doença onco hematológica, a LLC é o tipo de leucemia mais prevalente nos adultos, atingindo principalmente pessoas idosas, acima de 65 anos.

É importante destacar que as leucemias podem ser agrupadas com base na rapidez com que a doença progride e torna-se grave. A LLC, por exemplo, que atinge os linfócitos (glóbulos brancos) do sangue periférico, se desenvolve de maneira gradual e se torna mais grave aos poucos.  Já a leucemia linfoide aguda agrava-se rapidamente e é o tipo mais comum de leucemia em crianças pequenas.

A onco hematologista Valeria Buccheri, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica que existem pacientes que mesmo com o diagnóstico de LLC não precisarão de tratamento imediato, devido ao curso clínico benigno da doença. Alguns médicos chamam esse processo de “observe e aguarde”. Apesar de ser algo difícil para muitas pessoas se acostumarem, essa etapa do tratamento é de suma importância, pois é quando o médico irá identificar qualquer mudança na saúde do paciente.

Entretanto, existe outra parcela de indivíduos, na qual a doença se agrava rapidamente. Esse grupo necessitará de quimioterapia com urgência. “Há pacientes que não manifestarão sintomas da doença por mais de dez anos. Ainda assim, devem fazer acompanhamento médico constante”, explica Buchheri.

Por outro lado, ainda de acordo com a especialista, existe uma distinta parcela de indivíduos que se apresentam com doença avançada. Nestes casos o tratamento deve ser iniciado o mais breve possível. [relacionados]

“Os casos que necessitam de tratamento, em geral, devem receber quimioterapia antineoplásica associada a um anticorpo monoclonal anti-CD20”. O tipo de quimioterapia a ser administrada varia de acordo com a idade e condições físicas e clinicas do paciente. Como esta patologia afeta indivíduos em idade mais avançada, uma proporção apresentará outras doenças associadas, como insuficiência renal, respiratória, problemas cardíacos e não conseguirão realizar uma quimioterapia adequada. Como tratamento possui uma toxicidade muito elevada em vários casos vai trazer mais prejuízo que benefício”, ressalta a médica.

O diagnóstico, geralmente, é feito após um exame de rotina, quando é solicitado um hemograma completo. Buccheri explica que o paciente pode procurar, por exemplo, um cardiologista e com o resultado dos exames de sangue, o médico descobre alguma alteração hematológica. Alguns relatam não sentir nenhum sintoma específico, como febre vespertina, suores noturnos, cansaço e aumento do baço.

O problema é que alguns pacientes têm outras doenças associadas, como insuficiência renal, respiratória, problemas cardíacos e não conseguirão fazer quimioterapia.

“Esse tipo de tratamento possui uma toxicidade muito elevada e vai trazer muito mais prejuízo que benefícios. Os que estão clinicamente bem suportam. Em alguns casos, quando o paciente possui problemas de saúde não muito graves, nós tentamos utilizar uma quimio mais branda, entretanto, às vezes o resultado terapêutico não é satisfatório”, comenta ela.

Segundo a médica, nos casos de doenças associadas ou idosos, o que cabe fazer é buscar outras opções terapêuticas menos agressivas e que possam trazer resultados.

Ela explica que existe uma droga que tem mostrado resultados promissores mesmo em pacientes com comorbidades, denominada ibrutinibe. Um estudo feito fora do país, chamado Resonate, mostra que em 78% dos casos houve uma redução da progressão da doença e em 57% dos casos, redução do risco de morte.

Porém,o medicamento ainda não está disponível no Brasil. Nos Estados Unidos, o FDA (Food and Drug Administration – órgão que regula a venda de medicamento no país) liberou sua utilização no ano anterior. “Na verdade, só podemos utilizar o medicamento em protocolos clínicos, mas nestes casos somente uma parcela pequena de pacientes é beneficiada. A expectativa é que chegue por aqui nos próximos anos”, finaliza a hematologista.