Tratamento do câncer de tireoide

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Tratamento de câncer pode estar na pesquisa clínica.

Sumário

O tratamento do câncer de tireoide é definido de forma individualizada, porque nem todos os tumores se comportam da mesma maneira e nem todo paciente precisa passar por todos os tipos de tratamento. Quando restrito à glândula ou mesmo aos gânglios cervicais, a cirurgia é a base do cuidado para esses pacientes. O plano, porém, pode incluir outras modalidades de tratamento, como iodo radioativo (também chamado de radio-iodoterapia ou simplesmente RIT, reposição hormonal, radioterapia, terapia-alvo, quimioterapia ou até vigilância ativa e acompanhamento prolongado.

No Brasil, o câncer de tireoide é mais frequente em mulheres e tem estimativa no Brasil para 2026 a 2028 de 16.450 novos casos, sendo 3.140 homens e 13.310 mulheres para cada ano do triênio (INCA, 2026).

A boa notícia é que muitos casos têm excelente prognóstico, especialmente os tumores diferenciados diagnosticados cedo. Neste artigo, você vai entender como o tratamento é escolhido, quando a cirurgia é suficiente, em quais situações o iodo radioativo é indicado, como funciona a levotiroxina após a operação e o que muda conforme o tipo de câncer.

Pontos importantes

  • O tratamento do câncer de tireoide depende do tipo histológico, do tamanho do tumor, do estágio da doença, da presença de linfonodos e/ou metástases e do perfil do paciente.
  • Nem todo câncer de tireoide exige tratamento máximo: em tumores pequenos e de baixo risco, pode haver vigilância ativa ou cirurgia menos extensa.
  • O iodo radioativo é útil apenas em casos selecionados, principalmente nos tumores diferenciados, e não funciona para carcinoma medular ou anaplásico.
  • Após a cirurgia, muitos pacientes precisam de levotiroxina, tanto para repor o hormônio da tireoide quanto, em alguns casos, para ajudar na supressão do TSH.
  • O acompanhamento de longo prazo com exames, ultrassom cervical e marcadores laboratoriais é parte essencial para detectar resposta ao tratamento ou recidiva.

Como é o tratamento do câncer de tireoide?

O tratamento do câncer de tireoide mudou bastante nos últimos anos. Antes, era mais comum indicar retirada total da glândula e iodo radioativo para muitos pacientes. Hoje, a tendência é personalizar mais e evitar excessos, principalmente nos casos de baixo risco.

Isso acontece porque o câncer de tireoide reúne doenças diferentes sob o mesmo nome. O carcinoma papilífero, por exemplo, costuma ter comportamento bem distinto do carcinoma anaplásico. Por isso, dois pacientes com diagnóstico de câncer de tireoide podem receber propostas de tratamento bem diferentes, e ambas estarem corretas.

O que define o melhor tratamento

A escolha do tratamento leva em conta vários fatores ao mesmo tempo.

Tipo histológico

O subtipo do tumor é um dos pontos mais importantes. Os principais são papilífero, folicular, medular e anaplásico. Cada um responde de maneira diferente à cirurgia, ao iodo radioativo e às terapias sistêmicas.

Estágio (ou estádio) da doença

O estádio mostra se o câncer está restrito à tireoide, se atingiu linfonodos do pescoço ou se há metástases em órgãos como pulmão e osso. Quanto mais localizada a doença, maior a chance de tratamentos curativos.

Tamanho do tumor

Tumores muito pequenos podem permitir vigilância ativa ou lobectomia. Já lesões maiores tendem a exigir cirurgia mais ampla. Tumores menores que 4 cm, sem disseminação, podem ser tratados com cirurgia parcial ou total, enquanto tumores maiores que 4 cm ou com disseminação costumam exigir abordagem mais extensa.

Presença de linfonodos e metástases

Se houver linfonodos comprometidos no pescoço, pode ser necessário retirar essas estruturas na cirurgia. Quando existem metástases, o tratamento pode incluir iodoterapia, radioterapia, terapia-alvo ou, mais raramente, quimioterapia convencional, dependendo do tipo de tumor.

Idade, risco e condição clínica do paciente

Idade, doenças associadas, preferências pessoais e risco de recidiva também influenciam a decisão. Em alguns casos, uma estratégia menos agressiva oferece ótimo controle da doença com menos efeitos colaterais.

Principais tipos de câncer de tireoide e impacto no tratamento

A maioria dos casos pertence ao grupo dos tumores diferenciados, principalmente o papilífero e o folicular. O carcinoma papilífero é o tipo mais comum.

Carcinoma papilífero

É o subtipo mais frequente e, em geral, apresenta excelente prognóstico. Quando diagnosticado e tratado precocemente, a taxa de cura pode chegar a cerca de 98%.

Carcinoma folicular

Também costuma ter bom prognóstico, mas pode ser mais difícil de confirmar antes da cirurgia. Em alguns casos, a punção aspirativa por agulha fina, a PAAF, não fecha o diagnóstico e a cirurgia acaba tendo também papel diagnóstico.

Carcinoma medular

É menos comum e tem características próprias. O iodo radioativo não funciona nesse tipo, e a investigação genética pode ser fundamental, especialmente por associação com mutações no gene RET e síndromes como MEN2.

Carcinoma anaplásico

É raro e agressivo. O tratamento costuma exigir combinação de cirurgia, radioterapia, terapia-alvo e cuidados de suporte, quando possível.

Cirurgia no tratamento do câncer de tireoide

A cirurgia é, na maioria das vezes, o principal passo no tratamento do câncer de tireoide. O objetivo é remover o tumor e, quando necessário, tratar também os linfonodos acometidos.

O procedimento geralmente é realizado por cirurgião de cabeça e pescoço ou cirurgião oncológico com experiência nesse tipo de doença. A experiência da equipe importa, porque ajuda a reduzir complicações e melhora o planejamento do pós-operatório.

Quando a cirurgia é o tratamento principal

A cirurgia costuma ser a base do tratamento em tumores localizados e potencialmente curáveis. Mesmo quando outros recursos serão usados depois, como iodoterapia, tudo normalmente começa pela operação.

Tireoidectomia total ou parcial: qual a diferença?

Na tireoidectomia total, toda a glândula é retirada. Na cirurgia parcial, também chamada de lobectomia, remove-se apenas um lobo da tireoide, às vezes com o istmo.

Quando a lobectomia pode ser suficiente

A lobectomia pode ser considerada em tumores menores, restritos a um lado da glândula e sem sinais de disseminação. Em lesões pequenas e de baixo risco, essa abordagem pode preservar parte da função tireoidiana e reduzir efeitos colaterais.

Quando a tireoidectomia total é recomendada

A retirada total costuma ser recomendada em tumores maiores, multifocais, com extensão para fora da tireoide, acometimento bilateral, linfonodos positivos ou maior risco de recidiva. Ela também facilita o uso e o monitoramento com iodo radioativo em casos selecionados.

Quando é necessário retirar linfonodos do pescoço

Se exames de imagem ou avaliação clínica mostrarem linfonodos comprometidos, pode ser preciso fazer esvaziamento cervical.

Compartimento central

É a região próxima à tireoide. Pode ser abordada quando há suspeita ou confirmação de doença nessa área.

Esvaziamento cervical lateral/modificado

É indicado quando há linfonodos comprometidos em regiões laterais do pescoço. Nem todo paciente precisa desse procedimento.

Possíveis complicações da cirurgia

Toda cirurgia tem riscos, mas eles variam conforme a extensão do procedimento e a experiência da equipe.

Rouquidão

Pode ocorrer por irritação, edema ou lesão do nervo que movimenta as cordas vocais. Na maioria dos casos, a alteração é temporária, mas em alguns pode persistir.

Hipocalcemia e paratireoides

As paratireoides são pequenas glândulas que controlam o cálcio. Se forem afetadas durante a cirurgia, pode haver queda do cálcio no sangue, causando formigamento, cãibras e necessidade de reposição.

Recuperação e cuidados no pós-operatório

A maioria dos pacientes recebe alta em pouco tempo. O retorno às atividades depende da extensão da cirurgia, do controle da dor, da voz, do cálcio e da cicatrização.

Vigilância ativa em tumores pequenos

Nem sempre operar imediatamente é a única opção. Em alguns microtumores de baixo risco, a vigilância ativa pode ser considerada.

Em quais casos pode ser indicada

Lesões menores que 1 cm podem ser candidatas à vigilância ativa. Isso costuma ser discutido quando o tumor é pequeno, localizado e sem sinais de agressividade.

Como funciona o acompanhamento com exames

A vigilância ativa envolve consultas regulares, ultrassom cervical e reavaliação clínica. A ideia não é “ignorar” o câncer, mas acompanhar de perto para intervir se houver crescimento ou mudança de comportamento.

Quando a vigilância deixa de ser a melhor opção

Se o nódulo aumentar, aparecerem linfonodos suspeitos ou o paciente não se sentir confortável com esse plano, a cirurgia pode passar a ser mais indicada.

Iodo radioativo (iodoterapia): quando é indicado?

A iodoterapia é um recurso importante no tratamento do câncer de tireoide, mas não é necessária para todos os pacientes.

Como o iodo radioativo funciona

As células da tireoide, inclusive algumas células tumorais diferenciadas, captam iodo. Depois da cirurgia, o iodo radioativo pode ser usado para destruir restos tireoidianos microscópicos ou tratar focos de doença que também captam iodo.

Quem pode se beneficiar da iodoterapia

Ela costuma ser considerada em tumores diferenciados com maior risco de recidiva ou disseminação.

Tumores diferenciados

Papilífero e folicular são os principais exemplos. Nesses casos, a iodoterapia pode fazer parte do tratamento complementar.

Casos com maior risco de recidiva

Tumores maiores que 1 cm com fatores de risco, mais de um tumor (também chamado de tumor multifocal), invasão capsular, extensão extratireoidiana, linfonodos positivos e tumores maiores que 4 cm.

Quando o iodo radioativo não é indicado

Hoje se sabe que muitos pacientes de baixo risco não se beneficiam dessa etapa.

Casos de baixo risco

Tumores pequenos, confinados à tireoide e sem outros fatores de risco frequentemente podem ser tratados sem iodo radioativo.

Carcinoma medular

Não capta iodo, portanto a iodoterapia não funciona.

Carcinoma anaplásico

Também não costuma responder ao iodo radioativo.

Efeitos colaterais e cuidados após o tratamento

Os efeitos adversos variam conforme a dose e o perfil do paciente.

Sintomas mais comuns

Podem ocorrer dor ou sensibilidade no pescoço, náusea, alteração do paladar, boca seca, inflamação das glândulas salivares e fadiga. Em geral, são temporários, mas alguns pacientes podem ter sintomas prolongados.

Gravidez e planejamento reprodutivo

Após a iodoterapia, recomenda-se evitar gravidez por 6 meses a 1 ano, conforme o caso e a avaliação médica.

Pesquisa de corpo inteiro e captação de iodo

Em alguns pacientes, exames de medicina nuclear ajudam a avaliar se houve captação do iodo e se ainda existe tecido tireoidiano ou doença residual.

Reposição hormonal e supressão do TSH

Depois da cirurgia, especialmente da tireoidectomia total, a levotiroxina passa a ser parte essencial do tratamento.

Por que a levotiroxina é necessária após a cirurgia

A tireoide produz hormônios importantes para metabolismo, energia, temperatura corporal e funcionamento de vários órgãos. Sem a glândula, o corpo precisa receber esse hormônio em comprimidos.

O que é supressão do TSH

Além de repor o hormônio, em alguns casos a dose é ajustada para manter o TSH em níveis mais baixos. Isso porque o TSH pode estimular células tireoidianas, incluindo algumas células tumorais remanescentes.

Como a meta de TSH varia conforme o risco de recidiva

Pacientes de maior risco podem precisar de supressão mais intensa, enquanto casos de baixo risco costumam ter metas mais suaves. Esse equilíbrio é importante para evitar efeitos colaterais como palpitações, perda óssea e desconforto cardiovascular.

Tratamento do câncer de tireoide por tipo

Cada subtipo tem particularidades próprias no tratamento do câncer de tireoide.

Tipo de câncerCirurgiaIodo radioativoGenética/mutaçãoOutras opções
PapilíferoMuito comumPode ser indicadoBRAF em alguns casosVigilância ativa, terapia-alvo em doença avançada
FolicularFrequentePode funcionarAvaliação molecular em casos selecionadosCirurgia diagnóstica e complementação
MedularEssencialNão funcionaRET e MEN2 são centraisTerapia-alvo, rastreio familiar
AnaplásicoQuando possívelNão funcionaBRAF e outras alterações podem importarRadioterapia, quimioterapia, terapia-alvo
Células de HürthleFrequente cirurgiaPode ter menor respostaAvaliação individualTerapias sistêmicas em doença avançada

Tratamento do carcinoma papilífero

Tumores pequenos podem ser acompanhados ou tratados com lobectomia. Tumores maiores, multifocais ou com linfonodos costumam exigir cirurgia mais ampla e, às vezes, iodoterapia.

Nos casos de recidiva ou doença refratária ao iodo, entram em cena terapias sistêmicas e avaliação molecular para medicina de precisão.

Tratamento do carcinoma folicular

Quando a PAAF é inconclusiva, a cirurgia pode ser necessária para confirmar o diagnóstico. Isso acontece porque, nesse subtipo, a invasão da cápsula e dos vasos faz diferença e nem sempre pode ser avaliada só pela punção.

Depois da análise definitiva, pode haver necessidade de complementar a cirurgia e considerar iodoterapia. Se o tumor não captar iodo, outras estratégias podem ser discutidas.

Tratamento do carcinoma medular

O tratamento costuma incluir tireoidectomia total e avaliação de linfonodos. Como esse tumor não usa iodo da mesma forma que os diferenciados, o iodo radioativo não tem papel aqui.

A investigação genética é muito importante. Alterações no gene RET e síndromes como MEN2 podem exigir rastreamento familiar e, em algumas famílias, até tireoidectomia profilática em pessoas com alto risco.

Tratamento do carcinoma anaplásico

É um tumor agressivo e frequentemente exige abordagem multimodal. Quando a cirurgia é possível, ela pode ser parte do plano, mas muitos pacientes precisam também de radioterapia e tratamento sistêmico.

Em tumores com mutações específicas, terapias-alvo podem mudar o cenário. Em situações de comprometimento da via aérea, pode ser necessário discutir medidas como stent ou traqueostomia.

Radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo

Essas opções entram principalmente nos casos avançados, agressivos, metastáticos ou refratários ao radioiodo.

Quando essas opções entram no tratamento

A radioterapia pode ser usada para controle local, especialmente quando há doença residual, risco elevado de recorrência local ou tumores agressivos. A quimioterapia tem papel mais limitado, mas pode ser usada em cenários específicos, sobretudo no anaplásico.

Terapias-alvo nos casos avançados ou refratários

Nos últimos anos, o tratamento do câncer de tireoide avançado ganhou novas opções com medicina de precisão. Entre os medicamentos usados em situações selecionadas estão sorafenibe, lenvatinibe, cabozantinibe, vandetanibe, dabrafenibe com trametinibe, selpercatinibe, pralsetinibe, larotrectinibe e entrectinibe.

Essas drogas não são para todos os pacientes. Em geral, são indicadas quando há doença em progressão e refratariedade à terapia com iodo radioativo, mutações acionáveis ou resistência ao tratamento convencional. Nesses casos, buscar avaliação em um centro de referência pode fazer bastante diferença.

Tratamento do câncer de tireoide por estágio

O estágio ajuda a organizar a estratégia terapêutica.

Doença inicial

Quando o tumor está restrito à tireoide, o tratamento pode variar entre vigilância ativa, lobectomia ou tireoidectomia total. O prognóstico costuma ser muito bom.

Doença regional

Quando há linfonodos no pescoço, a cirurgia tende a ser mais ampla. Dependendo do subtipo e do risco, pode haver indicação de iodoterapia.

Tratamento do câncer de tireoide
Tumor comprometendo órgãos mais distantes, como pulmões e ossos, e o tratamento específico para essa fase da doença.

Doença metastática

Se houver metástases, o tratamento depende muito do subtipo e da capacidade de captar iodo. Alguns pacientes respondem ao radioiodo, enquanto outros precisam de terapia-alvo, radioterapia ou outras abordagens sistêmicas.

Recidiva do câncer de tireoide

A recidiva não significa ausência de tratamento eficaz, mas exige reavaliação. Pode ser necessário repetir cirurgia, usar iodoterapia, radioterapia ou terapia sistêmica, conforme o local da recorrência e o tipo do tumor. Para aprofundar esse cenário, vale consultar também conteúdos específicos sobre tratamento do câncer de tireoide por estágio e as orientações da American Cancer Society.

Acompanhamento após o tratamento

O acompanhamento é uma etapa central do tratamento do câncer de tireoide, porque mesmo tumores de bom prognóstico exigem seguimento.

Seguimento de longo prazo

As consultas podem ser mais frequentes no início e depois se espaçar, conforme a resposta ao tratamento. O objetivo é monitorar sinais de recidiva, ajustar a levotiroxina e avaliar a qualidade de vida.

Exames usados no acompanhamento

Os exames mudam conforme o subtipo e o tratamento recebido.

Ultrassom cervical

É um dos principais exames para avaliar a região do pescoço e procurar linfonodos suspeitos.

Exames laboratoriais

Nos tumores diferenciados, a tireoglobulina pode ajudar no monitoramento. No carcinoma medular, calcitonina e CEA costumam ser mais úteis.

Cintilografia e outros exames de imagem

A pesquisa de corpo inteiro, tomografia, ressonância ou PET podem ser indicados em situações específicas, especialmente quando há suspeita de doença persistente ou metastática.

Sinais de recidiva que merecem atenção

Nem sempre a recidiva causa sintomas, por isso os exames são tão importantes. Mesmo assim, nódulo no pescoço, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, tosse sem explicação ou dor óssea devem ser comunicados ao médico.

Prognóstico e chances de cura

De modo geral, o câncer de tireoide costuma ter excelente prognóstico, principalmente nos estádios (estágios) iniciais e nos tumores diferenciados.

Quando o prognóstico costuma ser excelente

Papilífero e folicular localizados, especialmente em pacientes mais jovens e sem metástases, costumam ter altas taxas de controle e cura.

Fatores associados a maior risco

Tumores agressivos, idade mais avançada, tumores de maior volume, conhecimento de envolvimento linfonodal pelas imagens, extensão extratireoidiana, metástases, doença refratária ao iodo e alguns perfis moleculares podem indicar maior risco.

O câncer de tireoide tem cura?

Em muitos casos, sim. Isso é especialmente verdadeiro quando o diagnóstico é precoce e o tratamento é feito de forma adequada e individualizada.

Equipe multidisciplinar e segunda opinião

O cuidado ideal costuma envolver endocrinologista, cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista clínico, patologista, radiologista e medicina nuclear. Essa integração ajuda a definir melhor o plano e evita tanto o excesso quanto a falta de tratamento.

Buscar segunda opinião faz sentido em situações como carcinoma medular, carcinoma anaplásico, recidiva, metástases, dúvida sobre necessidade de iodoterapia, indicação de terapia-alvo ou possibilidade de pesquisa clínica.

Perguntas frequentes sobre tratamento do câncer de tireoide

Todo câncer de tireoide precisa operar?

Não. Em alguns tumores muito pequenos e de baixo risco, a vigilância ativa pode ser uma opção segura. A decisão depende do perfil do tumor e do paciente.

Todo paciente com tratamento do câncer de tireoide precisa fazer iodo radioativo?

Não. A iodoterapia é indicada apenas em casos selecionados, principalmente nos tumores diferenciados com riscos intermediário e alto. Os pacientes de baixo risco não precisam, pois não se mostrou benefício em múltiplos estudos.

É possível viver bem sem a tireoide após o tratamento do câncer de tireoide?

Sim. Com a reposição correta de levotiroxina e acompanhamento médico, muitas pessoas levam vida normal, trabalham, praticam exercícios e mantêm boa qualidade de vida.

Qual a diferença entre reposição hormonal e supressão do TSH no tratamento do câncer de tireoide?

A reposição hormonal substitui o hormônio que a tireoide deixou de produzir. Já a supressão do TSH usa a levotiroxina em dose ajustada para manter o TSH mais baixo, quando isso ajuda a reduzir o risco de estímulo tumoral.

O tratamento do câncer de tireoide papilífero sempre exige tireoidectomia total?

Não. Em tumores pequenos e de baixo risco, a lobectomia pode ser suficiente, e em alguns casos até a vigilância ativa pode ser discutida.

O tratamento do câncer de tireoide medular inclui iodoterapia?

Não. O carcinoma medular não responde ao iodo radioativo. Nesses casos, cirurgia, acompanhamento com calcitonina e avaliação genética têm papel central.

O câncer de tireoide pode voltar mesmo após tratamento?

Pode. Por isso o seguimento de longo prazo é tão importante. A recidiva pode ser local, em linfonodos ou à distância, e costuma exigir nova avaliação.

Quando considerar terapia-alvo no tratamento do câncer de tireoide?

Geralmente em doença avançada, metastática ou refratária ao radioiodo em progressão, usa-se uma terapia-alvo chamada lenvatinibe. Esta não exige testagem molecular específica, mas outras sim, como RET, BRAF e NTRK. Quando presentes, estas mutações acionáveis podem receber as suas respectivas drogas-alvo.

PAAF inconclusiva significa câncer de tireoide?

Não necessariamente. Em alguns nódulos, especialmente com suspeita de tumor folicular, a punção não consegue diferenciar benignidade de malignidade com certeza. Nesses casos, a cirurgia pode ser necessária para esclarecer o diagnóstico.

Quando vale buscar uma segunda opinião sobre o tratamento do câncer de tireoide?

Quando há dúvida sobre extensão da cirurgia, necessidade de iodo radioativo, presença de recidiva, indicação de terapia-alvo, mutação genética ou possibilidade de participação em pesquisa clínica.

Foto de Dr. Antonio Carlos Buzaid

Dr. Antonio Carlos Buzaid

Destacado oncologista clínico, graduado pela Universidade de São Paulo, com experiência internacional nos EUA, onde foi diretor de centros especializados em melanoma e câncer de pulmão, além de professor na Universidade de Yale. No Brasil, foi membro do comitê gestor do Centro de Oncologia do Einstein e dirigiu centros de oncologia nos hospitais Sírio Libanês e BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Atualmente é Diretor Médico Geral do Centro de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis. CRM 45.405

Foto de Dr. Fernando Cotait Maluf

Dr. Fernando Cotait Maluf

Renomado oncologista clínico, graduado pela Santa Casa de São Paulo, com doutorado em Urologia pela FMUSP. Ele foi chefe do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica do Hospital Sírio Libanês e atualmente é diretor associado do Centro de Oncologia do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, além de membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein e professor livre-docente na Santa Casa de São Paulo. CRM: 81.930

Publicação: 21/04/2025 | Atualização: 14/07/2026

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