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O que os pacientes com câncer devem saber sobre o coronavírus?

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Dr. Antonio Carlos Buzaid

Diretor Médico Geral do Centro de Oncologia da BP, a Beneficência Portuguesa de São Paulo
Membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein
Co-fundador do Instituto Vencer o Cancer

 

 

Como se chama o vírus e a doença responsável por esta pandemia?

Este novo coranavirus se chama SARS-CoV-2 e a doença resultante da sua infecção se chama COVID-19 (do inglês Coronavirus Disease). Como ele é uma variante do SARS-CoV, causador da síndrome respiratória que levou a mais de 8 mil mortes no mundo em 2002, ganhou o nome de SARS-CoV-2 (síndrome respiratória aguda grave – coronavírus 2).

 

Quando tudo começou?

A doença foi identificada pela primeira vez em Wuhan, na China, em 1 de dezembro de 2019. Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou o surto uma pandemia.

 

O que é uma zoonose?

Zoonose é um termo da medicina que designa as doenças e infecções transmitidas para o homem através dos animais. No caso da COVID-19, o animal portador do SARS-Cov-2 é provavelmente o morcego, que aparentemente não desenvolve nenhuma doença, mas é somente o portador.

 

Quais os sintomas mais comuns?

Os sintomas mais comuns incluem febre, tosse, cansaço, dor de garganta e perda do olfato. Mais de 80% dos pacientes tem uma forma branda ou quase assintomática da doença. Há muitos pacientes assintomáticos que carreiam o vírus e são potencialmente infectantes. Isto dificulta o controle da pandemia. Por isso, distanciamento social é tão importante.

 

Quão grave a doença pode ser?

A letalidade varia da ordem de 0,5 a 4% (a depender do número de casos testados positivos pouco sintomáticos ou assintomáticos incluídos nas análises). Não obstante, pacientes portadores de câncer ou outras co-morbidades tem risco muito maior de evoluir mal (com morte por insuficiência respiratória). De acordo com relatório da OMS reportado no dia 28 de fevereiro, a mortalidade de pacientes com câncer na China foi de 7,6%. Entretanto, números semelhantes ou até piores foram reportados para outras co-morbidades como doença cardiovascular (13,2%), diabetes (9,2%), hipertensão (8,4%) e doença respiratória crônica (8,0%). Estas taxas contrastam com a mortalidade para pacientes sem nenhuma co-morbidade que foi de 1.4%.

 

Todos os pacientes com câncer estão sob risco?

Os dados da China e outros países não estratificou o risco de morte em relação ao tipo de tratamento ou o tipo de câncer. Não obstante, pacientes que tiveram câncer e estão agora “curados até prova em contrário”, provavelmente tem um risco muito mais baixo que pacientes que estão em tratamento ativo, principalmente com quimioterapia. Vale ressaltar que há quimioterapias que suprimem mais o sistema imune que outras e isto também deve influenciar o risco de uma má evolução.  A luz disto, temos orientado nossos pacientes ao uso de máscaras (pode ser máscara cirúrgica comum) em lugares mais populados como mercados, farmácias, clínicas ou hospitais e a lavagem frequente das mãos (ou higienização com álcool gel 70%) após tocar em qualquer superfície ou objetos.  Distanciamento social é enfatizado ao máximo.

 

Devemos mudar o modo de seguir pacientes oncológicos durante a pandemia?

Sim. Para reduzir o risco de exposição dos nossos pacientes, estamos mantendo o tratamento somente dos pacientes que realmente precisam ser tratados agora. Isto vale para quimioterapia e, até mesmo, cirurgias eletivas. Aqueles que vem somente em check-up de rotina, estamos solicitando que posterguem seus exames e consultas para 2 meses de agora.

 

Há tratamento eficaz para COVID19?

Ainda não. Dados preliminares sugerem que cloroquina e hidroxicloroquina pode ser útil, mas estudos grandes estão em andamento para corroborar ou refutar sua indicação. Estudos clínicos estão também avaliando antivirais, anticorpos anti coronavirus e vacinas.  Mas, infelizmente, nada ainda definitivo.

Logotipo do Instituto Vencer o Câncer

O Instituto Vencer o Câncer é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), fundada pelos oncologistas Dr. Antonio Carlos Buzaid e Dr. Fernando Cotait Maluf, com atuação em 3 pilares: (1) Informação de excelência e educação para prevenção do câncer. (2) Implementação de centros de pesquisa clínica para a descoberta de novos medicamentos. (3) Articulação para promoção de políticas públicas em prol da melhoria e ampliação do acesso à prevenção, ao tratamento e à cura do câncer.

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