back to top

“Vida que segue” com esperança

spot_img

Ganhos, perdas, desafios do diagnóstico e novos tratamentos

São muitas dúvidas, inseguranças, buscas por soluções e esperança que seguem um diagnóstico de câncer. Apesar dos desafios e dos medos, a vida continua e pode seguir feliz. Foi com essa essência que o Instituto Vencer o Câncer realizou o evento “Vida que segue”, no dia 17 de novembro, no Cubo JK Iguatemi, em São Paulo, com pessoas comprometidas em informar, compartilhar e estender a mão. 

Com a coordenação dos oncologistas Antonio Buzaid e Fernando Maluf, fundadores do Instituto, o evento contou com a moderação de Ana Furtado, apresentadora, conselheira do Instituto Vencer o Câncer e do Instituto Protea. Teve muitas convidadas especiais, como a apresentadora Ana Maria Braga, as jornalistas Elaine Bast e Adriana Moreira, a empresária e influenciadora Suzana Gullo, a empresária Cris Lotaif, as empreendedoras Fabiana Fernandes e Edna dos Santos. Por vídeo, a jornalista Joyce Pascowitch explicou sua ausência devido a uma cirurgia e deixou uma mensagem: “tudo isso é muito necessário para ajudar tantas pacientes”.

Prevenção, tratamento, relações humanas entre tantos outros temas relacionados às jornadas de pacientes estiveram presentes nas conversas. Na abertura, Dr. Fernando Maluf fez uma homenagem à Merula Steagall, fundadora da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), que faleceu no dia 12 de novembro. “Merula foi uma vitoriosa na vida”, destacou o oncologista.

Perdas e ganhos

Ana Maria Braga com Ana Furtado

“O que você acredita que ganhou e perdeu com o diagnóstico?”. A pergunta, feita por Ana Furtado, provocou diversas reflexões.

Na resposta de Ana Maria Braga, a leveza que a apresentadora sempre busca trazer para o tema. “Qual dos diagnósticos? Foram quatro”, brincou, acrescentando: “O que mais me impactou foi a palavra câncer, que era uma sentença de morte. Eu pensei: “que pena, gosto tanto de ficar aqui, queria ver meus filhos crescerem, meus netos’”.

Sobre as conquistas, Ana Maria afirma que foram muitas. “Ganhei aprendizado, um caminho mais bonito. Todo dia pela manhã, quando acordo, levo um susto e penso: que bom que estou aqui, obrigada, Deus. Passei a dar mais valor para a atitude das pessoas, olhar mais para o outro. Foi um ganho enorme para viver melhor, conviver melhor com outras pessoas, perceber a finitude da vida. É maravilhoso poder continuar aqui fazendo o que a gente acredita ser o bem. Acho que fiquei uma pessoa melhor depois do câncer”.

Diante da plateia, Ana Furtado aproveitou para falar também como paciente. “Perdi o medo. O medo paralisa! Sem medo podemos fazer tantas coisas especiais. E ganhei vida! Digo que estou no bônus e cheia de gratidão”. Para a apresentadora, foi um caminho para encontrar sua missão, de falar sobre o câncer e, dessa forma, ajudar outros pacientes. 

A empreendedora Edna dos Santos explicou que sempre foi muito ativa, cuidava de todos e passou a cuidar mais de si. “Ganhei vida, gratidão. Passei a dar mais atenção aos detalhes. Antes só trabalhava e cuidava dos outros”.

“Enfrentei um divórcio e o câncer”, resumiu Elaine Bast, revelando que antes morria de medo do mar e há dois anos começou a surfar. Também aprendeu a andar de skate com os filhos, começou a tocar bateria, todas coisas que ela queria fazer. “Passei a valorizar cada momento”.

Adriana Moreira contou que ganhou muitos novos amigos com o seu blog ‘Tenho câncer. E agora?’, no jornal Estadão, em que escreve por acreditar “que informação é a melhor forma de quebrar tabus”.

Inspiração

Mantendo a inspiração como mote, Fabiana Fernandes compartilhou sua história inspiradora. Teve o primeiro diagnóstico com 23 anos, em 2006. Sentiu um nódulo pequeno, procurou médicos, mas todos diziam que ela não tinha idade para ter câncer. Foram longos seis meses até ela obter o diagnóstico e o nódulo que tinha 11 milímetros chegou a dois centímetros. “Havia casos na minha família. Foi muito difícil. Minha filha tinha três anos e eu pensava: ‘tenho que lutar’”.

Fabiana fez seis meses de quimioterapia, retirou uma mama e precisou esperar seis meses para fazer uma cirurgia reparadora. “Todo lugar em que eu ia as pessoas olhavam. Precisa ter uma cabeça boa para enfrentar”. Depois de Fabiana, sua mãe também teve esse tipo de tumor, com 52 anos, e sua irmã, com 38 anos. 

Em 2019, a mamografia realizada em junho estava normal. Um mês depois, em um autoexame sentiu um carocinho e teve um novo diagnóstico. Dessa vez ela tinha mais informações e mais acesso ao tratamento. “Tinha apoio dos amigos, da família e do Instituto Protea. Com o diagnóstico precoce, com nódulo de 1,5 centímetro, pude fazer cirurgia. Hoje posso contar minha experiência e dizer que o câncer tem cura”.

A empresária Cris Lotaif fez uma celebração a todas as mulheres que ousam compartilhar suas histórias para ajudar outras pessoas. “Cada pessoa pode ajudar outra”, afirmou ressaltando a importância da atuação de organizações como o Instituto Vencer o Câncer, o Instituto Protea e outras que atuam em prol desta causa. 

Suzana Gullo disse que inspiração foi também o caminho que procurou seguir depois do diagnóstico para encontrar dicas de mulheres que superaram a doença e pudessem ajudá-la a enfrentar essa “batalha desconhecida” e esclarecer suas inúmeras dúvidas. “Eu precisava falar com quem passou pelo câncer, fui atrás e me inspirei. Uma das coisas que a doença me trouxe são as amizades profundas. Devo muito a elas. Sem isso, parecia estar em um túnel sem fim”. Ela também considera grandes conquistas as mudanças para melhor que viu acontecer ao seu redor, na família, a partir dos valores que ressignificou na vida e se espalharam como onda.

Diagnóstico com esperança

Como dar o diagnóstico para pacientes? Esse é um dos momentos mais desafiadores para os médicos, como destaca Dr. Buzaid. “Faço isso há 35 anos, mas é sempre difícil”. O oncologista compara as diferenças entre o Brasil e os Estados Unidos, onde também atuou, acrescentando que na cultura brasileira o médico tenta eufemizar e nos EUA é obrigado por ler a dar um prognóstico de maneira que ele considera bastante dura. 

“Se um paciente diz a um médico nos Estados Unidos que tem dor nas costas e pergunta se pode ser câncer, o médico responderá: ‘provavelmente’; já houve processos porque o médico tentou amenizar. No Brasil explicamos que não sabemos, precisamos fazer exames”.

Buzaid lembrou do momento em que a apresentadora Ana Maria o procurou dizendo que queria saber exatamente quais eram suas chances. “Eu pensei: ‘quando disser 50%, vai ser um desastre’. Mas ela ficou alegre porque tinham dito que era incurável”, relembra. “Geralmente não damos números, porque erramos muito. Já curei gente com 2%, 3%. O que fazemos é brigar onde existe possibilidade de ajudar, vamos atrás”.

Para o Dr. Fernando Maluf, profissionais de saúde nunca podem tirar a esperança de um paciente. “Buzaid e eu temos casos de pessoas curadas que pelos livros seriam incuráveis”, complementa Maluf. Ele considera que um bom caminho para dar o diagnóstico é se colocar no lugar do outro e se perguntar como gostaria de receber essa notícia. “Temos que falar com informação, clareza, transparência, simplicidade, apresentando um caminho e com esperança – que não tem nada a ver com ilusão. A Medicina não sabe tudo, não temos direito de falar de 100% ou 0%”.

Dr. Fernando Maluf

Maluf compartilhou os aprendizados que recebe de seus pacientes e do impacto que essa experiência tem em sua atuação. “Nós não cruzamos o rio que vocês cruzaram; orientamos a passagem pelo caminho, mas não colocamos o pé na água fria, nem no cascalho. Os pacientes são os professores e nós somos os alunos. Com vocês aprendi que temos que viver a vida como se não houvesse amanhã, porque não temos qualquer certeza. Viver intensamente, fazer o melhor que pudermos sem se arrepender. Também aprendi que temos que maximizar as coisas boas, por mais simples que sejam, e minimizar os problemas que não são tão graves. Temos alguns poucos problemas muito sérios, mas a maioria não é grave. Independentemente da condição socioeconômica de cada um, sempre podemos ajudar um pouco o outro e isso é um presente para quem ajuda. Na caminhada, aprendi humildade. Nessa história somos servidores com ferramentas que aprendemos. O paciente tem o papel principal! É por isso que no Instituto Vencer o Câncer cada vez mais ouvimos a voz do paciente”, disse aos convidados na plateia. 

Mensagem para um paciente que acaba de receber o diagnóstico

Para a apresentadora Ana Maria Braga, a mensagem principal é manter a fé, acreditar no médico que escolheu e se convencer de que é capaz, junto com ele, de percorrer o caminho até o sucesso. “Se a gente que passa por isso não acreditar, o organismo não vai responder. Tem que acreditar muito, lutar contra o câncer e saber que vai vencer, porque está com todas as armas na mão”.

Logotipo do Instituto Vencer o Câncer

O Instituto Vencer o Câncer é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), fundada pelos oncologistas Dr. Antonio Carlos Buzaid e Dr. Fernando Cotait Maluf, com atuação em 3 pilares: (1) Informação de excelência e educação para prevenção do câncer. (2) Implementação de centros de pesquisa clínica para a descoberta de novos medicamentos. (3) Articulação para promoção de políticas públicas em prol da melhoria e ampliação do acesso à prevenção, ao tratamento e à cura do câncer.

spot_img

Posts Relacionados

Posts populares no site

spot_img

Posts Populares na categoria