Prevenção do câncer de colo do útero

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Tratamento de câncer pode estar na pesquisa clínica.

Sumário

A prevenção do câncer de colo do útero é uma das estratégias mais eficazes da saúde da mulher porque essa doença, na maioria dos casos, pode ser evitada com vacinação contra o HPV, exame preventivo regular e redução de fatores de risco.

No Brasil, são esperados mais de 19 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo o INCA.

Neste artigo, você vai entender por que o HPV está no centro da doença, como funciona a vacina, quem deve fazer o Papanicolau, o que acontece quando o exame vem alterado e quais atitudes realmente ajudam na prevenção do câncer de colo do útero no dia a dia.

Pontos importantes

O que é o câncer de colo do útero e por que a prevenção é tão importante

O câncer de colo do útero, também chamado de câncer cervical, é um tumor que surge na parte inferior do útero, chamada colo. Ele começa com alterações nas células dessa região e, ao longo do tempo, pode evoluir para lesões pré-cancerosas e depois para câncer invasivo.

Os tipos mais comuns são o carcinoma epidermoide, responsável por cerca de 80% dos casos, e o adenocarcinoma, com cerca de 10%, segundo dados referenciados pelo INCA em materiais técnicos. Para quem não é da área da saúde, o mais importante é saber que esse câncer geralmente não aparece de repente: ele costuma passar por fases detectáveis antes.

Relação entre HPV e câncer de colo do útero

O principal fator de risco para a doença é o HPV, sigla para papilomavírus humano. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível muito comum, e a maioria das pessoas terá contato com o vírus em algum momento da vida.

Isso não significa que toda infecção por HPV vai virar câncer. Na maior parte das vezes, o organismo elimina o vírus naturalmente. O problema está na infecção persistente, especialmente por tipos de alto risco, como HPV 16 e 18, que são os mais associados ao câncer cervical.

Por que a doença pode ser prevenida

A prevenção do câncer de colo do útero funciona tão bem porque existe vacina contra os principais vírus oncogênicos do HPV, que é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer do colo de útero, e a doença tem evolução lenta e costuma passar por lesões precursoras antes de se tornar um câncer de fato. Esse intervalo permite agir cedo, muitas vezes sem tratamentos agressivos.

Evolução lenta e fases pré-clínicas

Segundo o manual técnico do INCA, a progressão pode levar de 10 a 20 anos. Isso explica por que o rastreamento é tão importante: ele procura alterações antes de surgirem sintomas.

Lesões precursoras e chance de cura com diagnóstico precoce

Quando essas lesões são detectadas cedo, elas podem ser acompanhadas ou tratadas antes de evoluir. O mesmo manual aponta que o câncer do colo do útero tem potencial de prevenção e cura próximo de 100% quando diagnosticado precocemente.

Como ocorre a infecção por HPV

Formas de transmissão

O HPV é transmitido principalmente pelo contato sexual, inclusive sem penetração. O vírus pode passar por contato pele a pele na região genital, sexo oral, sexo anal e até compartilhamento de objetos sexuais sem higiene adequada.

Essa informação é importante porque muita gente ainda acredita que só há risco em relações com penetração. Na prática, o contato íntimo já pode ser suficiente para transmissão.

Por que o preservativo ajuda, mas não protege totalmente

O preservativo é uma medida importante de proteção, porque reduz o risco de contato com o vírus e também ajuda a prevenir outras ISTs. No entanto, ele não cobre toda a região genital, e por isso não elimina totalmente a possibilidade de transmissão do HPV.

Em outras palavras, camisinha ajuda muito, mas não substitui a vacinação nem o exame preventivo. A prevenção do câncer de colo do útero depende da combinação dessas estratégias.

HPV de alto risco e subtipos mais associados ao câncer

Existem muitos tipos de HPV. Alguns causam verrugas, enquanto outros têm maior potencial oncogênico, ou seja, maior capacidade de favorecer o surgimento de câncer.

HPV 16 e 18

Os tipos 16 e 18 respondem por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Por isso, eles são sempre destacados nas campanhas e nas diretrizes de vacinação.

Outros subtipos oncogênicos citados

Além deles, também são citados como tipos de alto risco os HPV 31, 35, 39, 45, 51, 52 e 58. Eles aparecem com menos frequência, mas também podem estar envolvidos em alterações do colo do útero.

Principais formas de prevenção do câncer de colo do útero

Vacinação contra o HPV

A vacina contra HPV é a principal forma de prevenção primária, ou seja, de evitar a infecção pelos tipos mais perigosos antes que ela cause lesões. A vacina tetravalente protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18.

Ela é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual, mas isso não significa que outras faixas etárias ou grupos especiais não possam se beneficiar, conforme indicação médica e regras do SUS.

Para quem a vacina é indicada

No Brasil, a recomendação oficial inclui meninos e meninas dentro da faixa etária definida pelo programa público. A vacinação em adolescentes é estratégica porque reduz a circulação do vírus e protege antes da exposição.

Faixa etária recomendada

De acordo com o INCA, há recomendação de dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. O país também trabalha com meta de cobertura vacinal de pelo menos 80%, o que mostra como essa medida é considerada prioritária.

Grupos especiais e imunossuprimidos

Pessoas com imunossupressão merecem atenção especial, porque podem ter maior risco de persistência da infecção pelo HPV. O INCA informa que mulheres com imunossupressão podem ter indicação vacinal até 45 anos, conforme critérios do sistema de saúde.

A vacina não substitui o exame preventivo

Esse é um dos pontos mais importantes do tema. Mesmo vacinada, a mulher deve seguir as recomendações de rastreamento, porque a vacina não cobre todos os tipos oncogênicos de HPV e também pode ter sido recebida após exposição prévia ao vírus.

Uso de preservativo

O preservativo masculino ou feminino reduz o risco de transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis. Ele deve ser visto como parte da prevenção, não como proteção total.

Quando possível, o uso correto e consistente é um aliado importante, especialmente em novas parcerias sexuais. Ainda assim, a prevenção do câncer de colo do útero continua dependendo também da vacina e do rastreamento.

Exame preventivo (Papanicolau)

O Papanicolau, também chamado de exame citopatológico, é a principal ferramenta de rastreamento no Brasil. Ele coleta células do colo do útero para identificar alterações que podem indicar lesões precursoras ou necessidade de investigação.

Quem deve fazer

O INCA recomenda o exame para mulheres de 25 a 64 anos com vida sexual ativa atual ou pregressa. Essa faixa etária foi definida porque equilibra melhor benefícios e riscos do rastreamento.

Com que frequência fazer

A orientação é clara: os dois primeiros exames devem ser anuais; se ambos forem normais, o intervalo passa a ser de 3 anos. Esse esquema é suficiente para detectar a maioria das alterações relevantes a tempo.

Como o exame é feito

O exame é feito no consultório ou unidade de saúde. A profissional de saúde introduz um espéculo vaginal para visualizar o colo do útero e coleta material com uma espátula e uma escovinha. Pode causar leve desconforto, mas costuma ser rápido.

Cuidados antes do exame

Para melhorar a qualidade da coleta, costuma-se orientar:

  • evitar relações sexuais nas 48 horas anteriores
  • evitar duchas vaginais e medicamentos vaginais sem orientação
  • não realizar o exame durante a menstruação, se possível
  • avisar se estiver grávida ou com sintomas

Redução de fatores de risco

Além da vacina e do exame preventivo, alguns hábitos e condições influenciam o risco de adoecimento.

Tabagismo

O tabagismo é um fator de risco importante. Fumar prejudica a defesa local do organismo e favorece alterações celulares, por isso parar de fumar também faz parte da prevenção do câncer de colo do útero.

Multiplicidade de parceiros e início precoce da vida sexual

Esses fatores aumentam a chance de exposição ao HPV ao longo da vida. Isso não deve ser tratado com julgamento moral, e sim com informação clara sobre risco e proteção.

Outras ISTs e imunossupressão

Outras infecções sexualmente transmissíveis e condições que enfraquecem o sistema imunológico podem dificultar a eliminação do HPV. Nesses casos, o acompanhamento médico é ainda mais importante.

Quem deve fazer o rastreamento e quando começar

Faixa etária mais recomendada

O rastreamento é voltado principalmente para mulheres entre 25 e 64 anos. O INCA também destaca que o câncer é raro até os 30 anos, tem pico de incidência entre 45 e 50 anos, e a mortalidade aumenta a partir dos 40.

Periodicidade do exame

A periodicidade ideal segue a regra dos dois exames anuais iniciais e, depois, um exame a cada três anos se os resultados forem normais. Fazer o exame fora desse intervalo sem necessidade nem sempre traz mais benefício.

O Brasil passou a adotar o teste molecular de DNA-HPV como exame primário de rastreamento, com intervalo de 5 anos quando o resultado é negativo.

Por que o rastreamento antes dos 25 anos pode não ser indicado

Em mulheres mais jovens, as infecções por HPV são muito comuns e frequentemente desaparecem sozinhas. Rastrear cedo demais pode levar a exames e procedimentos desnecessários para alterações que regrediriam espontaneamente.

Mulheres vacinadas também precisam fazer exame

Sim. A vacina é altamente eficaz, mas não cobre todos os tipos oncogênicos. Por isso, mulheres vacinadas também devem seguir o rastreamento dentro da faixa etária recomendada.

O que o Papanicolau detecta

Lesões precursoras

O objetivo principal do exame é identificar lesões antes que elas virem câncer. Essas alterações podem ser tratadas ou acompanhadas conforme o grau e a avaliação médica.

Alterações celulares e infecção por HPV

O Papanicolau não é um exame “para detectar HPV” de forma direta em todos os casos, mas ele pode mostrar alterações celulares compatíveis com infecção pelo vírus ou com lesões relacionadas a ele.

Quando o resultado alterado exige investigação adicional

Receber um exame alterado não significa automaticamente câncer. Em muitos casos, indica apenas a necessidade de olhar mais de perto.

Colposcopia

A colposcopia é um exame que permite observar o colo do útero com aumento, facilitando a identificação de áreas suspeitas. Costuma ser solicitada quando o preventivo mostra alterações que precisam de avaliação mais detalhada.

Biópsia

Se houver uma área suspeita, pode ser feita uma biópsia, que retira um pequeno fragmento para análise. Esse passo ajuda a confirmar o tipo e a gravidade da alteração.

Condutas de acompanhamento

Dependendo do resultado, a conduta pode ser repetir o exame após um tempo, acompanhar, tratar a lesão ou seguir com procedimentos conservadores. Em muitos casos, o tratamento preserva a fertilidade, o que ajuda a reduzir o medo de quem recebe um resultado alterado.

Prevenção na prática: o que fazer no dia a dia

Manter a vacinação em dia

Pais, responsáveis, adolescentes e adultos com indicação especial devem verificar a situação vacinal. A vacina é uma das formas mais efetivas de prevenção do câncer de colo do útero.

Fazer o preventivo regularmente

Mais do que fazer uma vez, é importante manter a regularidade. Um dos grandes problemas no Brasil é o abandono do acompanhamento.

Não ignorar sintomas

Embora o foco deste artigo seja prevenção, alguns sinais merecem atenção médica, como sangramento após relação sexual, corrimento anormal e dor pélvica persistente. O câncer de colo do útero pode ser silencioso no início, então esperar sintomas não é uma boa estratégia.

Parar de fumar

Se você fuma, buscar ajuda para parar é uma decisão que beneficia todo o corpo e também reduz o risco de câncer cervical. Vale conversar com a equipe de saúde sobre programas de cessação do tabagismo.

Procurar acompanhamento ginecológico periódico

Muitas mulheres adiam o preventivo por vergonha, medo, falta de tempo ou dificuldade de acesso. Um cuidado acolhedor, com informação clara e sem julgamento, faz diferença para manter a prevenção em dia.

Perguntas frequentes sobre prevenção do câncer de colo do útero

Camisinha evita totalmente HPV?

Não. A camisinha reduz o risco, mas não protege completamente porque o HPV também pode ser transmitido por contato com áreas da pele não cobertas pelo preservativo.

Quem tomou vacina contra HPV ainda precisa fazer Papanicolau?

Sim. A vacina não substitui o exame preventivo, porque não cobre todos os tipos de HPV de alto risco e nem sempre foi aplicada antes da exposição ao vírus.

A vacina contra HPV trata uma infecção já existente?

Não. A vacina é preventiva, não curativa. Ela ajuda a evitar novas infecções pelos tipos cobertos, mas não elimina um HPV já adquirido.

Quem nunca teve sintomas precisa fazer exame preventivo?

Sim. O câncer de colo do útero e as lesões precursoras podem não causar sintomas no início. Justamente por isso o rastreamento é tão importante.

Grávida pode fazer Papanicolau?

Em muitos casos, sim. A gestante deve informar a gravidez à equipe de saúde para que a indicação e o momento do exame sejam avaliados adequadamente.

O Papanicolau dói?

Geralmente não dói, mas pode causar desconforto leve e rápido. Relaxar a musculatura e fazer o exame com uma equipe acolhedora costuma ajudar bastante.

Quem nunca teve relação sexual precisa fazer rastreamento do câncer de colo do útero?

O risco costuma ser muito menor em quem nunca teve contato sexual, já que o HPV é a principal causa da doença. Ainda assim, a orientação individual deve ser feita com o ginecologista.

O HPV sempre vira câncer de colo do útero?

Não. A maioria das infecções desaparece sozinha. O risco maior está na infecção persistente por tipos oncogênicos, especialmente quando não há vacinação nem rastreamento.

O que fazer quando o Papanicolau dá alterado?

O primeiro passo é não entrar em pânico e conversar com seu ginecologista. Um resultado alterado geralmente pede repetição do exame, colposcopia ou outro acompanhamento, e muitas alterações não são câncer.

Como prevenir o câncer de colo do útero de forma mais eficaz?

A melhor estratégia combina vacinação contra HPV, uso de preservativo, teste molecular de DNA-HPV e/ou Papanicolau na periodicidade recomendada, abandono do tabagismo e acompanhamento ginecológico regular. A prevenção do câncer de colo do útero funciona melhor quando essas medidas são somadas.

Foto de Dr. Antonio Carlos Buzaid

Dr. Antonio Carlos Buzaid

Destacado oncologista clínico, graduado pela Universidade de São Paulo, com experiência internacional nos EUA, onde foi diretor de centros especializados em melanoma e câncer de pulmão, além de professor na Universidade de Yale. No Brasil, foi membro do comitê gestor do Centro de Oncologia do Einstein e dirigiu centros de oncologia nos hospitais Sírio Libanês e BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Atualmente é Diretor Médico Geral do Centro de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis. CRM 45.405

Foto de Dr. Fernando Cotait Maluf

Dr. Fernando Cotait Maluf

Renomado oncologista clínico, graduado pela Santa Casa de São Paulo, com doutorado em Urologia pela FMUSP. Ele foi chefe do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica do Hospital Sírio Libanês e atualmente é diretor associado do Centro de Oncologia do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, além de membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein e professor livre-docente na Santa Casa de São Paulo. CRM: 81.930

Publicação: 15/04/2025 | Atualização: 13/07/2026

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