O que é câncer de colo do útero? É um tumor maligno que se forma no colo do útero, a parte mais baixa do útero que faz ligação com a vagina. Na maioria dos casos, ele está relacionado à infecção persistente pelo HPV, o papilomavírus humano, e costuma se desenvolver lentamente, passando antes por alterações que podem ser detectadas e tratadas.
No Brasil, são esperados mais de 19 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo o INCA.
Esse é um dos cânceres com maior potencial de prevenção. Segundo materiais oficiais do INCA, o rastreamento regular e a vacinação contra HPV são fundamentais para reduzir casos e mortes. Ao longo deste artigo, você vai entender como a doença começa, qual a relação com o HPV, quais sinais merecem atenção e por que o exame preventivo pode fazer toda a diferença.
Pontos importantes
- O câncer de colo do útero surge no colo do útero, região que conecta o útero à vagina.
- A principal causa é a infecção persistente por tipos de HPV de alto risco.
- No início, a doença pode não causar sintomas, o que reforça a importância do rastreamento.
- Mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual devem fazer exame preventivo, conforme orientação do folheto educativo do INCA.
- A prevenção combina vacinação contra HPV, exame preventivo e acompanhamento ginecológico regular.
O que é câncer de colo do útero?
Quando falamos em câncer de colo do útero, estamos falando de um crescimento anormal e descontrolado de células nessa região do aparelho reprodutor feminino. Também chamado de câncer cervical ou câncer do colo do útero, ele pode começar de forma silenciosa e levar anos para se tornar invasivo.
Isso é importante porque, antes de virar câncer, costumam surgir alterações chamadas lesões precursoras. Essas alterações podem ser identificadas no rastreamento e tratadas antes que a doença avance. É por isso que esse tipo de câncer é considerado amplamente prevenível.


Imagem: Blausen Medical Communications, Inc. via Wikimedia, sob licença Creative Commons Attribution 3.0 Unported (CC BY 3.0) – https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Blausen_0221_CervicalDysplasia.png. Nenhuma modificação foi feita.
Onde fica o colo do útero?
O colo do útero é a parte inferior do útero. Ele funciona como uma espécie de canal entre o útero e a vagina.
É justamente nessa área que podem surgir alterações celulares provocadas, principalmente, pela infecção persistente por HPV. Como é uma região acessível ao exame ginecológico, o rastreamento consegue detectar lesões precoces com boa chance de tratamento.
Como esse câncer se desenvolve?
Na maioria das vezes, o processo não acontece de um dia para o outro. Primeiro, a pessoa pode ter contato com o HPV. Em muitos casos, o próprio organismo elimina o vírus naturalmente.
O problema é quando a infecção persiste por anos. Nessa situação, algumas células do colo do útero podem sofrer alterações progressivas, passando por lesões de baixo ou alto grau até, em alguns casos, se transformarem em câncer invasivo.
Qual a relação entre HPV e câncer cervical?
O HPV é um vírus sexualmente transmissível muito comum. Existem vários tipos, mas apenas alguns são considerados de alto risco para câncer.
No câncer de colo do útero, a relação com o HPV é muito forte. Os tipos 16 e 18 são os mais conhecidos, mas outros tipos de alto risco também podem estar envolvidos, como 31, 33, 45, 52 e 58. Ainda assim, ter HPV não significa automaticamente ter câncer.
Como o câncer de colo do útero começa?
Entender o que é câncer de colo do útero também passa por compreender que ele costuma surgir a partir de etapas anteriores ao tumor invasivo. Esse conhecimento ajuda a reduzir o medo e a aumentar a adesão ao rastreamento.
Lesões precursoras e evolução lenta da doença
Antes do câncer propriamente dito, podem aparecer lesões precursoras no colo do útero. Elas também são chamadas de displasias ou neoplasias intraepiteliais cervicais, conhecidas pela sigla NIC.
De forma simplificada:
- NIC 1: alteração leve
- NIC 2: alteração moderada
- NIC 3: alteração importante, considerada lesão de alto grau
- Carcinoma in situ: alteração ainda restrita à camada superficial, sem invasão
Nem toda lesão evolui para câncer. Muitas regridem espontaneamente, especialmente em pessoas mais jovens. Mas as lesões de alto grau precisam de avaliação e acompanhamento adequados.
Infecção persistente por HPV
A expressão mais importante aqui é infecção persistente. O contato com o HPV é comum, mas o câncer geralmente está ligado aos casos em que o vírus permanece no organismo por tempo prolongado.
Tipos de HPV de alto risco
Os tipos de HPV de alto risco são aqueles com maior capacidade de provocar alterações celulares associadas ao câncer. Os mais conhecidos são 16 e 18, mas há outros relevantes.
A vacinação ajuda a reduzir o risco de infecção pelos tipos mais perigosos, mas não elimina totalmente a necessidade de rastreamento.
Por que nem toda infecção por HPV evolui para câncer
Na maioria das pessoas, o sistema imunológico consegue eliminar o vírus sem maiores consequências. Isso explica por que HPV não é sinônimo de câncer.
A evolução depende de vários fatores, como persistência da infecção, tabagismo, imunossupressão e falta de rastreamento regular.
Quais são os principais fatores de risco?
Embora o HPV seja o principal fator, ele não é o único. Alguns elementos aumentam a chance de a infecção persistir e causar lesões.
Infecção por HPV
É o fator de risco mais importante. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, inclusive sem penetração completa.
Tabagismo
O cigarro favorece alterações celulares e prejudica os mecanismos de defesa do organismo. Por isso, o tabagismo está associado a maior risco de câncer do colo do útero.
Início precoce da vida sexual e múltiplos parceiros
Esses fatores aumentam a chance de exposição ao HPV ao longo da vida. Isso não significa que a doença vá ocorrer, mas o risco de contato com o vírus cresce.
Imunossupressão, incluindo HIV
Pessoas com imunidade comprometida têm mais dificuldade para eliminar o HPV. Isso pode favorecer a persistência da infecção e a progressão de lesões.
Uso prolongado de contraceptivos orais e multiparidade
Esses fatores aparecem em estudos como associados a maior risco em alguns contextos, embora devam sempre ser analisados individualmente pelo médico.
Falta de rastreamento regular
Esse é um ponto central. Muitas vezes, o câncer de colo do útero poderia ser evitado se as lesões precursoras fossem identificadas no exame preventivo.
Quais são os sintomas do câncer de colo do útero?
Uma das maiores dificuldades desse câncer é que ele pode não dar sinais no começo. Por isso, esperar sintomas para procurar avaliação pode atrasar o diagnóstico.
Sintomas iniciais: por que ele pode ser silencioso
Nas fases iniciais, é comum não haver sintomas. A pessoa pode se sentir totalmente bem e ainda assim ter alterações no colo do útero detectáveis no rastreamento.
É exatamente por isso que o Papanicolau e, cada vez mais, o teste de HPV têm papel tão importante.
Sinais mais comuns em fases avançadas
Quando a doença progride, alguns sintomas podem aparecer.
Sangramento vaginal anormal
Esse é um dos sinais mais conhecidos. Pode ocorrer fora do período menstrual, após a relação sexual ou após a menopausa.
Corrimento vaginal
O corrimento pode ser persistente, com odor forte ou aspecto diferente do habitual. Nem todo corrimento significa câncer, mas merece avaliação quando persiste.
Dor pélvica e dor na relação sexual
Dor na parte baixa da barriga ou desconforto durante a relação sexual também podem surgir em alguns casos.
Sintomas urinários, intestinais e outros sinais de progressão
Em fases mais avançadas, podem aparecer sintomas como dificuldade para urinar, alteração intestinal, dor lombar, inchaço nas pernas e perda de peso. Esses sinais não são exclusivos desse câncer, mas precisam de investigação médica.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do câncer de colo do útero envolve diferentes etapas. O exame preventivo ajuda a encontrar alterações, mas quem confirma o câncer é a biópsia.
Exame Papanicolau
O Papanicolau, também chamado de exame preventivo ou citopatológico, coleta células do colo do útero para análise. Ele não confirma sozinho um câncer invasivo, mas detecta alterações que indicam necessidade de investigação.
Teste de HPV
O teste de HPV identifica a presença de tipos de alto risco do vírus. Segundo as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, há implementação progressiva do teste de HPV como método de rastreamento no Brasil desde 2025.
Colposcopia
A colposcopia é um exame que permite observar o colo do útero com aumento, usando um aparelho específico. Ela costuma ser indicada quando o preventivo ou o teste de HPV mostram alterações.
Biópsia
A biópsia é o exame que confirma o diagnóstico. Nela, um pequeno fragmento do tecido da região do colo do útero suspeita é retirado para análise microscópica.
Exames complementares de imagem
Quando o câncer é confirmado, exames de imagem podem ser solicitados para avaliar a extensão da doença e ajudar no planejamento do tratamento (por exemplo, tomografia de tórax, tomografia de abdome e pelve, ressonância de abdome e pelve, PET/CT).
Diferença entre os exames
| Exame | Para que serve | Quando costuma ser usado |
|---|---|---|
| Papanicolau | Detectar alterações celulares | Rastreamento de rotina |
| Teste de HPV | Identificar HPV de alto risco | Rastreamento e complementação |
| Colposcopia | Visualizar melhor o colo do útero | Após exame alterado |
| Biópsia | Confirmar diagnóstico | Quando há suspeita de lesão importante ou câncer |
Quem deve fazer o exame preventivo e com que frequência?
De acordo com o INCA, mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual devem realizar o exame preventivo.
Faixa etária recomendada
Antes dos 25 anos, o câncer é raro e muitas alterações relacionadas ao HPV desaparecem sozinhas. Por isso, o rastreamento de rotina nessa faixa etária não é indicado de forma geral, segundo o INCA.
Periodicidade do rastreamento
A periodicidade indicada no material do INCA é de a cada 3 anos, após exames anteriores normais, conforme protocolo adotado no rastreamento.
O que muda com o teste de HPV no rastreamento
O teste de HPV tende a ganhar mais espaço no Brasil. Essa mudança busca tornar o rastreamento ainda mais eficiente, especialmente para identificar pessoas com maior risco de desenvolver lesões importantes.
Mulheres vacinadas também precisam fazer o exame?
Sim. Mesmo quem tomou vacina contra HPV deve manter o rastreamento, porque a vacina não cobre todos os tipos de HPV, como explica o folheto do INCA.
Gestantes podem fazer o preventivo?
Sim, em geral gestantes podem realizar o exame preventivo quando indicado. A avaliação deve ser individualizada pelo profissional de saúde.
Como se preparar para o exame preventivo?
O preparo correto ajuda a melhorar a qualidade da coleta e evita repetições desnecessárias.
Relação sexual, duchas, lubrificantes e medicamentos vaginais
Segundo o INCA, o ideal é evitar relação sexual, duchas, lubrificantes e medicamentos vaginais nas 24 horas anteriores ao exame.
Menstruação e melhor momento para coleta
O exame deve ser feito, de preferência, fora do período menstrual. Isso facilita a análise da amostra.
O exame dói?
Muitas pessoas sentem apenas leve incômodo ou pressão. Em geral, é um exame rápido. O desconforto costuma ser passageiro e menor do que o medo que muitas vezes impede a realização.
Por que buscar o resultado é tão importante quanto fazer o exame
Fazer o exame e não buscar o resultado compromete todo o processo. Se houver alteração, o próximo passo precisa ser definido rapidamente, seja repetir o exame, fazer colposcopia ou seguir outra orientação médica.
Quais são os estágios do câncer de colo do útero?
O estadiamento mostra o quanto a doença avançou. Isso influencia diretamente o tratamento e o prognóstico.
Estágio 0
Também chamado de carcinoma in situ, é uma lesão ainda superficial, sem invasão profunda. Nessa fase, as chances de cura são muito altas.
Estágio I
O câncer está restrito ao colo do útero.
Estágio II
A doença se estende além do colo, mas sem atingir áreas mais distantes.
Estágio III
Há comprometimento maior de estruturas próximas, como a parede pélvica, em alguns casos.
Estágio IV
É a fase mais avançada, quando há invasão de órgãos vizinhos ou metástases à distância.
Quais são os tratamentos?
Como este artigo foca em o que é câncer de colo do útero, o tratamento será resumido. Ainda assim, vale saber que ele depende do estágio, do tipo do tumor, da idade, das condições clínicas e, em alguns casos, do desejo de preservar a fertilidade.
Tratamento de lesões precursoras
Lesões de alto grau podem ser tratadas antes de se transformarem em câncer invasivo. Isso pode incluir procedimentos como conização ou remoção da área alterada.
Cirurgia
Nos casos iniciais, a cirurgia pode ser indicada.
Conização
A conização remove uma parte do colo do útero onde está a lesão. Em situações selecionadas, pode preservar a fertilidade.
Histerectomia
A histerectomia é a retirada do útero. Pode ser recomendada em alguns casos de câncer invasivo.
Radioterapia e braquiterapia
São tratamentos muito usados, especialmente em tumores localmente avançados. A braquiterapia é uma forma de radioterapia aplicada mais diretamente na região do tumor.
Quimioterapia
A quimioterapia pode ser usada junto com a radioterapia ou em casos mais avançados.
Imunoterapia e terapias-alvo
Em situações específicas, especialmente em doença localmente avançada ou metastática, essas opções podem ser consideradas.
Câncer de colo do útero tem cura?
Sim, o câncer de colo do útero tem cura, principalmente quando descoberto cedo. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de tratamento bem-sucedido.
Chances de cura quando descoberto cedo
Lesões precursoras e casos muito iniciais têm excelente prognóstico. Isso reforça o valor do rastreamento regular.
Prognóstico por estágio
De modo geral, estágios iniciais têm melhores resultados que estágios avançados. Por isso, o exame preventivo salva vidas ao permitir intervenção antes da progressão da doença.
Importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce reduz a necessidade de tratamentos mais agressivos e aumenta as chances de cura. Também pode permitir abordagens com maior chance de preservação da fertilidade em alguns casos selecionados.
Como prevenir o câncer de colo do útero?
A prevenção combina vacinação, rastreamento e redução de fatores de risco.
Vacinação contra HPV
O INCA informa que a vacina contra HPV é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Também imunossuprimidos (HIV, transplantados, pacientes oncológicos) de 9 a 45 anos. Essa é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco futuro de câncer cervical.
Exames de rastreamento
O exame preventivo continua essencial, inclusive para mulheres vacinadas. Ele permite detectar lesões antes que virem câncer.
Preservativo e suas limitações
O preservativo ajuda a reduzir a transmissão do HPV, mas não protege totalmente, porque o vírus pode ser transmitido por contato íntimo pele a pele, como explica o folheto do INCA.
Parar de fumar
Abandonar o cigarro reduz um fator de risco importante e traz benefícios para a saúde como um todo.
Acompanhamento ginecológico regular
Manter consultas regulares ajuda a tirar dúvidas, atualizar exames e agir cedo diante de qualquer alteração.
Mitos e verdades sobre câncer de colo do útero
Quem tomou vacina não precisa de Papanicolau
Mito. A vacina é fundamental, mas não substitui o rastreamento.
Ter HPV significa que vou ter câncer
Mito. A maioria das infecções por HPV não evolui para câncer.
O câncer de colo do útero sempre causa sintomas no início
Mito. Muitas vezes, ele começa de forma silenciosa.
Exame preventivo serve para detectar alterações antes do câncer
Verdade. Esse é um dos maiores benefícios do rastreamento.
É possível evitar grande parte dos casos
Verdade. Vacinação, rastreamento e tratamento das lesões precursoras podem mudar completamente a história da doença.
Perguntas frequentes sobre câncer de colo do útero
O que é câncer de colo do útero e quais os sintomas?
É um tumor maligno que surge no colo do útero, geralmente associado à infecção persistente por HPV. Nos estágios iniciais pode não causar sintomas, mas pode provocar sangramento anormal, corrimento e dor pélvica em fases mais avançadas.
HPV e câncer de colo do útero são a mesma coisa?
Não. O HPV é um vírus, enquanto o câncer de colo do útero é uma doença que pode surgir em alguns casos de infecção persistente por tipos de alto risco.
Câncer de colo do útero no início dá sintomas?
Muitas vezes, não. Por isso o rastreamento com exame preventivo é tão importante mesmo quando a mulher se sente bem.
Quem tomou vacina contra HPV ainda precisa fazer Papanicolau?
Sim. A vacina protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer de colo de útero, mas não protege contra todos os tipos de HPV, então o exame preventivo continua necessário.
Quem deve fazer exame preventivo do colo do útero?
Mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual devem fazer o rastreamento, conforme orientação do INCA.
Depois dos 64 anos ainda preciso fazer exame?
Em alguns casos, o exame pode ser interrompido se os dois últimos resultados forem normais, conforme o INCA. A decisão deve seguir orientação médica.
O exame preventivo dói?
Geralmente causa apenas incômodo leve e rápido. Se houver medo ou dor intensa, vale conversar com o profissional antes da coleta.
O que significa exame alterado no colo do útero?
Significa que foram encontradas alterações que precisam de acompanhamento. Nem todo exame alterado indica câncer, e muitas vezes o próximo passo é apenas repetir o exame ou fazer colposcopia.
Como prevenir o câncer de colo do útero?
A prevenção inclui vacina contra HPV, uso de preservativo, parar de fumar e fazer os exames de rastreamento regularmente.
Homens também devem tomar vacina contra HPV?
Sim. A vacinação de meninos e meninas ajuda a reduzir a circulação do vírus e prevenir doenças associadas ao HPV na população.


