Os fatores de risco do câncer de colo do útero envolvem principalmente a infecção persistente pelo HPV, mas não se resumem a isso. O risco aumenta quando o vírus permanece no organismo por muito tempo e encontra condições que favorecem a progressão para lesões precursoras e, anos depois, para o câncer.
No Brasil, são esperados mais de 19 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo o INCA.
A boa notícia é que esse é um dos cânceres mais preveníveis. Neste artigo, você vai entender quais são os principais fatores de risco do câncer de colo do útero, por que o HPV é central, quem precisa de atenção redobrada e quais medidas realmente ajudam a reduzir o risco.
Pontos importantes
- A infecção persistente por HPV de alto risco é o principal fator associado ao câncer de colo do útero.
- Ter HPV não significa ter câncer: na maioria dos casos, o organismo elimina o vírus espontaneamente.
- Tabagismo, imunossupressão, múltiplos parceiros, início precoce da vida sexual e outras ISTs podem aumentar o risco.
- Fatores sociais, como baixa renda e dificuldade de acesso ao rastreamento, também influenciam o adoecimento e a mortalidade.
- Vacinação contra HPV, Papanicolau e acompanhamento adequado ajudam a prevenir ou detectar alterações antes que virem câncer.


O que são fatores de risco para câncer de colo do útero?
Os fatores de risco do câncer de colo do útero são características, condições ou comportamentos que aumentam a chance de a doença se desenvolver. Eles não funcionam como uma sentença, mas indicam maior probabilidade de adoecimento.
Na prática, isso significa que uma mulher pode ter um ou mais fatores de risco e nunca desenvolver câncer. Por outro lado, entender esses fatores permite agir antes, com vacinação, rastreamento e mudanças de hábito.
Diferença entre fator de risco, causa e diagnóstico
Fator de risco não é a mesma coisa que causa direta. O principal exemplo é o HPV: ele é o elemento central na história natural da doença, mas a presença do vírus sozinha não explica todos os casos de progressão.
Também é importante separar risco de diagnóstico. Ter um fator de risco não quer dizer que a pessoa já tenha câncer. O diagnóstico depende de exames, avaliação médica e, quando necessário, investigação complementar.
Por que o HPV é central, mas não atua sozinho?
De acordo com o INCA, mais de 99% dos casos de câncer do colo do útero podem ser atribuídos a alguns tipos de HPV. Ainda assim, a maioria das infecções por HPV é transitória.
O problema surge quando a infecção persiste por anos. Nessa situação, outros cofatores, como tabagismo, imunossupressão e dificuldade de acesso ao cuidado, podem favorecer a progressão para lesões precursoras e câncer.
Principal fator de risco: infecção persistente por HPV
Entre todos os fatores de risco do câncer de colo do útero, a infecção persistente pelo HPV de alto risco é a mais importante. Esse ponto é consenso entre sociedades médicas, órgãos de saúde pública e diretrizes de prevenção.
O que é o HPV e como ocorre a transmissão
O HPV, ou papilomavírus humano, é um vírus transmitido principalmente por contato sexual. A transmissão pode ocorrer mesmo sem penetração completa e mesmo quando não há sintomas aparentes.
Estima-se que grande parte das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus ao longo da vida. Segundo o Vencer o Câncer, cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas adquirem HPV em algum momento.
Por que a persistência da infecção aumenta o risco
Na maioria dos casos, o sistema imunológico elimina o HPV naturalmente. O risco aumenta quando isso não acontece e o vírus permanece infectando as células do colo do útero por longo período.
Essa persistência pode provocar alterações celulares graduais. Segundo o INCA, a evolução natural até um câncer invasor pode levar 10 a 20 anos, o que reforça a importância do rastreamento.
Tipos de HPV mais associados ao câncer cervical
Nem todo HPV tem o mesmo potencial de causar câncer. Alguns tipos são considerados de alto risco oncológico por estarem mais ligados às lesões precursoras e ao câncer cervical.
HPV 16 e 18
Os tipos 16 e 18 são os mais conhecidos e relevantes. No documento do INCA, o HPV 16 aparece em 50% e o HPV 18 em 12% dos casos analisados.
Outros tipos de alto risco: 31, 33, 45 e outros
Além dos tipos 16 e 18, outros HPV de alto risco também podem estar envolvidos, como 31, 33 e 45. O mesmo material do INCA cita o HPV 45 em 8% e o HPV 31 em 5% dos casos.
Fatores de risco relacionados à exposição ao HPV
Alguns fatores aumentam a chance de contato com o HPV. Eles não causam câncer diretamente, mas elevam a exposição ao principal agente envolvido na doença.
Início precoce da vida sexual
O início precoce da vida sexual está associado a maior tempo de exposição ao HPV ao longo da vida. Além disso, o colo do útero na adolescência passa por mudanças celulares que podem aumentar a vulnerabilidade à infecção.
Múltiplos parceiros sexuais
Quanto maior o número de parceiros sexuais ao longo da vida, maior tende a ser a chance de contato com diferentes tipos de HPV. Esse é um dos fatores de risco do câncer de colo do útero mais citados em materiais educativos e científicos.
Parceiro sexual com múltiplos parceiros ou HPV
Mesmo quem teve poucos parceiros pode estar mais exposta se o parceiro atual ou anterior teve múltiplas parcerias. Isso mostra que o risco não depende apenas do histórico individual, mas também da rede de exposição.
Não uso de preservativo
O preservativo não elimina totalmente o risco de transmissão do HPV, mas ajuda a reduzir a exposição e também protege contra outras ISTs que podem agravar o cenário. Por isso, continua sendo uma medida importante de sexo seguro.
Histórico de outras ISTs
Algumas infecções sexualmente transmissíveis aparecem como cofatores em parte dos estudos. Elas podem refletir maior exposição sexual ou estar associadas a inflamação persistente, o que favorece alterações no colo do útero.
HIV
O HIV merece destaque porque compromete o sistema imunológico. Mulheres vivendo com HIV têm mais dificuldade para eliminar o HPV e, por isso, precisam de acompanhamento mais próximo.
Clamídia
A clamídia tem sido associada em alguns estudos a maior risco de alterações cervicais. Ela não é causa direta do câncer, mas pode contribuir para um ambiente inflamatório desfavorável.
Herpes genital
O herpes genital também aparece em parte da literatura como possível cofator. Assim como outras ISTs, ele deve ser entendido dentro de um contexto de maior vulnerabilidade sexual e biológica.
Fatores de risco clínicos e imunológicos
Além da exposição ao HPV, existem condições clínicas que dificultam a eliminação do vírus ou aumentam a chance de progressão das lesões.
Imunossupressão e sistema imunológico enfraquecido
Pessoas com imunossupressão, como transplantadas ou em uso de medicamentos imunossupressores, podem ter maior dificuldade para controlar infecções por HPV. Isso favorece a persistência viral, que é o ponto-chave da progressão.
Lesões precursoras prévias (NIC)
Quem já teve lesões precursoras no colo do útero, chamadas de neoplasia intraepitelial cervical, ou NIC, precisa de seguimento rigoroso. Essas alterações não significam câncer, mas mostram que já houve impacto do HPV nas células.
Segundo o INCA, muitas lesões de baixo grau regridem espontaneamente, e cerca de 80% das lesões de baixo grau associadas ao HPV e NIC I desaparecem sem evoluir. Ainda assim, o acompanhamento é essencial para identificar os casos que persistem ou pioram.
Histórico familiar e possível predisposição genética
O histórico familiar pode ter alguma influência, mas não é considerado um dos principais fatores de risco do câncer de colo do útero. O mais correto é tratá-lo como possível fator associado, sem alarmismo.
Na prática, famílias compartilham hábitos, contexto social e acesso à saúde, o que também pode explicar parte do risco observado.
Fatores de risco comportamentais e de estilo de vida
Alguns hábitos não causam câncer de colo do útero sozinhos, mas podem facilitar a ação do HPV e a progressão das alterações celulares.
Tabagismo
O tabagismo é um dos fatores modificáveis mais importantes. Substâncias tóxicas do cigarro podem danificar o DNA das células e comprometer mecanismos locais de defesa.
Por isso, fumar aumenta o risco de persistência e progressão de lesões cervicais. Entre os fatores de risco do câncer de colo do útero, esse é um dos que mais podem ser reduzidos por decisão individual com apoio profissional.
Alimentação inadequada e baixa ingestão de micronutrientes
Alguns estudos associam alimentação pobre em micronutrientes, como vitaminas A, C e ácido fólico, a maior vulnerabilidade. Esse fator não tem o mesmo peso do HPV ou do tabagismo, mas entra como parte de um contexto geral de saúde.
Atividade física e hábitos saudáveis como proteção
Atividade física, alimentação equilibrada e sono adequado não substituem vacina nem exame preventivo. Ainda assim, ajudam a reduzir a inflamação no corpo e a manter o sistema imunológico funcionando melhor, fazendo parte de uma estratégia ampla de prevenção.
Fatores reprodutivos e hormonais
Existem fatores ligados à história reprodutiva e ao uso hormonal que aparecem com frequência na literatura. Eles precisam ser explicados com cuidado para evitar medo desnecessário.
Uso prolongado de anticoncepcionais orais
O uso prolongado de anticoncepcionais orais é citado como fator associado em vários estudos. Isso não significa que a pílula cause câncer sozinha, nem que toda mulher que use anticoncepcional esteja em risco elevado.
O ponto principal é que essa associação deve ser analisada junto com outros fatores, como persistência do HPV, tabagismo e acompanhamento ginecológico. A decisão sobre contracepção deve sempre ser individualizada com orientação médica.
Multiparidade e múltiplas gestações
Ter múltiplas gestações, chamado de multiparidade, também aparece entre os fatores de risco do câncer de colo do útero. A explicação provavelmente envolve maior exposição cumulativa ao HPV e alterações hormonais e imunológicas.
Primeira gestação ou parto em idade precoce
A primeira gestação em idade muito precoce pode estar associada a maior vulnerabilidade do colo do útero. Esse fator costuma ser analisado em conjunto com início precoce da vida sexual e contexto social.
Determinantes sociais e desigualdades no risco
Falar sobre fatores de risco do câncer de colo do útero sem abordar desigualdade social deixa o tema incompleto. O risco não depende só do vírus, mas também do acesso à prevenção e ao tratamento.
Baixa renda, baixa escolaridade e vulnerabilidade social
Uma revisão publicada na RECIMA21 apontou associação entre incidência da doença e fatores como baixa escolaridade, baixa renda e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Isso pode atrasar vacinação, rastreamento e tratamento.
Raça ou cor e desigualdades em saúde
O mesmo estudo destaca maior vulnerabilidade em mulheres não brancas, o que precisa ser entendido no contexto das desigualdades estruturais em saúde. Não é a raça em si que causa câncer, mas as barreiras históricas de acesso, informação e cuidado.
Dificuldade de acesso ao rastreamento, diagnóstico e tratamento
Quando o exame preventivo não é feito na periodicidade recomendada ou quando o resultado alterado não recebe seguimento, o risco de diagnóstico tardio aumenta. O INCA mostra que a cobertura de rastreamento acima de 80% está associada a queda de mortalidade em torno de 50%.
Por que o câncer de colo do útero também é um marcador de exclusão social?
Esse câncer é considerado um marcador de exclusão social porque tende a afetar mais quem encontra barreiras para acessar vacina, consulta, exame e tratamento, além dos fatores de risco estarem mais associados a grupos de maior vulnerabilidade social. Em outras palavras, prevenir a doença também depende de políticas públicas e equidade.
Idade e faixa etária de maior ocorrência
A infecção pelo HPV costuma acontecer anos antes do surgimento do câncer. Por isso, o câncer cervical geralmente aparece na vida adulta, e não logo após a infecção.
Quando o risco aumenta
Segundo o INCA, o câncer de colo do útero segue entre os mais incidentes entre mulheres brasileiras. O risco de diagnóstico tende a aumentar após anos de persistência viral, especialmente em mulheres fora da adolescência e da juventude.
Por que o câncer costuma surgir anos após a infecção
A progressão é lenta. Primeiro vem a infecção, depois a persistência, em alguns casos surgem lesões precursoras e, apenas em uma parcela menor, ocorre evolução para câncer invasivo. Essa história natural é justamente o que torna o rastreamento tão eficaz.
Como reduzir o risco de câncer de colo do útero
Mesmo diante de vários fatores de risco do câncer de colo do útero, há medidas concretas que reduzem o risco e salvam vidas.
Vacinação contra o HPV
A vacina contra HPV é uma das estratégias mais eficazes de prevenção. Segundo a OPAS, ela pode prevenir cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.
Exames de rastreamento
O rastreamento identifica alterações antes que elas virem câncer. É por isso que prevenção não depende apenas de evitar fatores de risco, mas também de detectar cedo.
Papanicolau
O Papanicolau é o exame preventivo mais conhecido. Ele ajuda a encontrar alterações celulares no colo do útero antes do aparecimento do câncer.
Teste de HPV
O teste de HPV identifica a presença de tipos virais de alto risco e vem ganhando espaço em estratégias de rastreamento. Ele pode complementar ou, em alguns contextos, reorganizar a forma como o rastreamento é feito.
Colposcopia quando indicada
A colposcopia não é exame de rotina para todas as mulheres. Ela é indicada quando há achados alterados e serve para avaliar melhor o colo do útero e orientar condutas.
Sexo seguro
Uso de preservativo, redução de exposições desnecessárias e cuidado com ISTs ajudam a diminuir a chance de contato e reinfecção por HPV. Não é proteção absoluta, mas faz diferença.
Parar de fumar
Parar de fumar reduz um fator importante e modificável. Mesmo para quem já teve HPV ou lesão precursora, abandonar o cigarro continua sendo uma medida valiosa.
Acompanhamento médico regular
Fazer o exame e voltar para buscar o resultado é fundamental. Segundo o INCA, cerca de 40% das mulheres que realizam o exame não retornam para receber o resultado, o que compromete demais a prevenção.
Quem precisa de mais atenção?
Alguns grupos merecem vigilância ainda maior por apresentarem risco aumentado de persistência do HPV ou dificuldade de acesso ao cuidado.
Mulheres com HIV ou imunossupressão
Mulheres vivendo com HIV, transplantadas ou em uso de medicamentos imunossupressores precisam de seguimento mais cuidadoso. Nesses casos, o organismo tem mais dificuldade para eliminar o vírus.
Mulheres com histórico de lesões cervicais
Quem já teve NIC, HPV persistente ou alterações em exames anteriores não deve abandonar o acompanhamento. O seguimento adequado reduz muito a chance de progressão silenciosa.
Mulheres em contextos de vulnerabilidade social
Mulheres com dificuldade de acesso ao SUS, barreiras geográficas, baixa escolaridade ou menor acesso à informação podem ter mais risco de diagnóstico tardio. Nesses casos, acolhimento, busca ativa e educação em saúde fazem toda a diferença.
Perguntas frequentes sobre fatores de risco do câncer de colo do útero
Ter HPV significa que vou ter câncer de colo do útero?
Não. A maioria das infecções por HPV desaparece espontaneamente. O maior risco está na infecção persistente por HPV de alto risco.
Quais são os principais fatores de risco do câncer de colo do útero?
Os principais são infecção persistente por HPV, tabagismo, imunossupressão, início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, outras ISTs, multiparidade e dificuldade de acesso ao rastreamento.
Fumar aumenta o risco de câncer de colo do útero?
Sim. O tabagismo é um fator importante porque favorece danos celulares e pode dificultar o controle da infecção pelo HPV.
Anticoncepcional aumenta o risco de câncer de colo do útero?
O uso prolongado de anticoncepcional oral pode estar associado a maior risco em alguns estudos, mas esse efeito deve ser interpretado com cautela. A avaliação precisa ser individual e feita com orientação médica.
HIV aumenta o risco de câncer cervical?
Sim. O HIV enfraquece o sistema imunológico, o que aumenta a chance de o HPV persistir e provocar lesões no colo do útero.
Histórico familiar pesa muito nos fatores de risco do câncer de colo do útero?
Ele pode ter alguma influência, mas não é um dos fatores principais. O HPV persistente continua sendo o elemento central.
Quem tem HPV precisa fazer Papanicolau ou teste de HPV com mais atenção?
Sim, especialmente se houver orientação médica para seguimento. O mais importante é não abandonar o acompanhamento após exames alterados.
É possível prevenir o câncer de colo do útero?
Sim. Vacinação contra HPV, exame preventivo, tratamento de lesões precursoras, sexo seguro e parar de fumar são medidas que reduzem muito o risco.
Qual exame detecta alterações antes do câncer de colo do útero?
O Papanicolau e o teste de HPV são os principais exames de rastreamento. Quando necessário, a colposcopia ajuda a investigar melhor alterações encontradas.
O câncer de colo do útero pode surgir muitos anos depois da infecção?
Pode. Segundo o INCA, a progressão até câncer invasivo pode levar 10 a 20 anos, o que reforça a importância do rastreamento regular.
Atualização: Graziela Zibetti Dal Molin – CRM: 147.913G Oncologista Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo Apoio: Dr. Daniel Vargas Pivato de Almeida – CRM: DF 27574 Oncologista Clínica no Grupo Oncoclínicas, Brasília-DF Vídeo: Dra. Juliana Pimenta


