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Juliana Conte

Publicado em 07/04/2015

Revisado em 07/03/2017

Próteses de silicone e o risco de linfoma

No final de março, as autoridades de saúde da França emitiram um alerta sobre um tipo de câncer, o linfoma de células T, que poderia estar associado a próteses de silicone. Tal notícia provocou alarde. Apesar da raridade, houve preocupação por conta do aumento no número de casos diagnosticados desta doença em mulheres com silicone na França: passaram de dois em 2012 para 11 em 2014.

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Segundo o mastologista Cícero Urban, do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, o aparecimento do câncer pode ter ligação com a prótese (a estimativa é de um caso para cada 500 mil mulheres com próteses), mas o porquê ainda não está claro para a comunidade científica. “Especialistas já estão analisando a relação há anos. O FDA dos Estados Unidos (Food and Drug Administration) já emitiu em 2013 um alerta para que as pacientes tenham conhecimento de que é algo extremamente raro, mas que pode acontecer. Se fosse frequente, o próprio FDA já teria proibido. É importante dizer à população brasileira, principalmente às mulheres com próteses, sejam elas de ordem estética ou de reconstrução mamária, que não há motivo para alarde. Nenhuma mulher vai precisar retirar a prótese.”

Por enquanto, a ação tomada pela Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM) da França é alertar as mulheres que desejam colocar próteses a respeito do risco. Entretanto, o governo francês não recomenda uma nova cirurgia de retirada ou substituição das próteses. [relacionados]

Ainda segundo o especialista, este tipo de câncer é extremamente raro, na literatura médica há somente 173 casos relatados. Desse total, somente uma morte confirmada. No Brasil, foram quatro casos registrados até o momento, sem óbito.

A própria Sociedade Brasileira de Mastologia, junto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, emitiu uma nota explicando: “nos poucos casos até hoje relatados na literatura, a maioria das pacientes aparece com seromas (líquido ao redor da prótese) de aparecimento tardio, na forma de aumento de volume local. A grande maioria dessas pacientes foram curadas apenas com a remoção da prótese e da cápsula ao seu redor. Apenas em um número pequeno de casos foi necessário realizar o tratamento sistêmico com quimioterapia ou complementação com radioterapia. A chance de cura com os tratamentos neste tipo de linfoma passa de 90%”.

Segundo as entidades médicas, não há nenhum dado até o presente momento que justifique qualquer mudança de postura ou intranquilidade por parte das pacientes portadoras de implantes mamários.

“O grande problema na mama não é o linfoma, mas sim o câncer de mama, que é uma doença extremamente comum nas mulheres. Em relação às pacientes com próteses mamárias, a recomendação é fazer uma ressonância magnética a cada dois ou três anos, mas não para avaliar a presença de um linfoma, e sim a integridade da prótese. Essa é uma rotina normal das pacientes que não foi alterada”, afirma Urban.