Os sintomas da leucemia linfocítica crônica (LLC) podem incluir cansaço, fraqueza, aumento dos linfonodos (ou gânglios linfáticos) sem dor, febre, suores noturnos importantes, perda de peso sem motivo, infecções frequentes, falta de ar e sensação de barriga cheia por aumento do baço. Entretanto, 8 a cada 10 pacientes não sentem nada, e a LLC é descoberta por acaso em um hemograma feito por outro motivo.
Quando os sinais ou sintomas aparecem, eles costumam surgir de forma lenta e progressiva. Podem estar relacionados à redução da produção normal das células do sangue (levando à anemia ou queda das plaquetas), ao acúmulo de células da leucemia em locais como os linfonodos e o baço ou às alterações no funcionamento do sistema imunológico.
Os sintomas da leucemia linfocítica crônica costumam despertar dúvidas porque podem ser discretos no começo e se confundir com problemas comuns, como anemia, viroses, cansaço do dia a dia, estresse ou o próprio envelhecimento.
Essa doença afeta os linfócitos B e, segundo a Leukemia & Lymphoma Society, é mais frequente em adultos mais velhos, com mais de 75% dos casos ocorrendo após os 60 anos. Neste guia, você vai entender quais sinais merecem atenção, por que eles acontecem, quando procurar um médico e quais exames ajudam a confirmar a suspeita.
O diagnóstico precisa ser confirmado por exames específicos que são feitos no sangue, especialmente a imunofenotipagem (citometria de fluxo) feito no sangue periférico, além da análise do hemograma, que deve ser visto no microscópio (que chamamos avaliação do esfregaço sanguíneo).
Pontos importantes
- A leucemia linfocítica crônica pode permanecer sem sintomas por muitos anos e ser descoberta por acaso em um hemograma de rotina.
- Os sintomas mais comuns incluem cansaço persistente, linfonodos aumentados (sem dor), febre, suores noturnos, perda de peso sem motivo, infecções frequentes e sensação de barriga cheia devido ao aumento do baço.
- Muitos sintomas acontecem porque a medula óssea passa a produzir menos células sanguíneas normais ou porque as células da LLC se acumulam em diferentes partes do organismo.
- O hemograma costuma ser o primeiro exame a levantar suspeita, mas o diagnóstico da LLC não é fechado sem citometria de fluxo ou critérios diagnósticos específicos.
- Nem todo paciente precisa tratar imediatamente: na maioria dos casos, a melhor estratégia é apenas acompanhar a doença com consultas e exames periódicos. Muitos pacientes jamais irão precisar de qualquer tipo de tratamento.
Quais são os sintomas da leucemia linfocítica crônica?
Os sintomas mais comuns da leucemia linfocítica crônica são cansaço, fraqueza, linfonodos (ou gânglios linfáticos) aumentados (“ínguas”), febre, suores noturnos, perda de peso sem motivo, infecções frequentes, falta de ar e sensação de barriga cheia causada pelo aumento do baço. Nem todos os pacientes apresentam esses sinais, e muitos não sentem nada no início.
Esses sintomas podem surgir de forma lenta e variar bastante de uma pessoa para outra. Em parte dos casos, eles aparecem quando a doença começa a interferir no funcionamento normal da medula óssea, acumula-se nos linfonodos e no baço ou prejudica o funcionamento do sistema imunológico.
Sintomas mais comuns da LLC
Os sintomas mais comuns da LLC são causados por três mecanismos principais: prejuízo da produção normal das células do sangue; acúmulo de células da leucemia nos linfonodos, baço e outros órgãos e desregulação do sistema imunológico. A lista abaixo reúne os sinais mais citados por fontes como American Cancer Society, Mayo Clinic e MSD Manuals.
Cansaço e fraqueza
Cansaço persistente é um dos sintomas mais frequentes da leucemia linfocítica crônica. Ele pode ocorrer por diferentes motivos. Em algumas pessoas, a doença reduz a produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea, causando anemia. Em outras, o próprio organismo passa a gastar mais energia por causa da atividade da doença ou da inflamação causada pelas células da leucemia.
Esse cansaço costuma ser diferente de um desgaste passageiro após um dia intenso de trabalho. A pessoa pode sentir queda de rendimento, necessidade maior de repouso e dificuldade para atividades simples.
Linfonodos aumentados (“ínguas”)
Os linfonodos (também chamados de gânglios linfáticos) fazem parte do sistema imunológico e funcionam como pequenos filtros espalhados pelo corpo. Eles estão presentes principalmente no pescoço, nas axilas e na virilha, mas podem estar aumentados internamente, em locais que não são possíveis de serem detectados pelo exame físico do médico.
Na LLC, os linfócitos anormais podem se acumular nesses locais, fazendo com que os linfonodos aumentem de tamanho em locais como pescoço, axilas ou virilhas. Em geral, essas “ínguas” são indolores e crescem lentamente.
É importante lembrar que, em uma pessoa sem LLC, a maioria dos casos em que há linfonodos aumentados não é devido a câncer. Infecções virais, inflamações e até problemas dentários são causas muito mais frequentes, por isso a avaliação médica é essencial.
O que merece investigação é um linfonodo que permanece aumentado por várias semanas, não dói ou fica vermelho e continua crescendo progressivamente ou, ainda, aparece junto com outros sintomas, como perda de peso, febre ou com alguns tipos específicos de alterações no hemograma.
Febre e suores noturnos
Febre sem causa infecciosa evidente e suores noturnos intensos podem ser sinais de atividade da doença em quem tem LLC. Esses sintomas fazem parte dos chamados sinais B em hematologia.
Se a febre for alta ou persistente, vier acompanhada de calafrios ou ocorrer junto com infecção, a situação merece avaliação rápida.
O suor costuma ser intenso, podendo molhar a roupa ou os lençóis durante a noite. No entanto, esses sintomas também podem ocorrer em diversas outras situações, como infecções, menopausa e doenças inflamatórias. Por isso, nunca devem ser interpretados isoladamente.
Perda de peso involuntária
Perda de peso sem dieta ou exercício é um sinal de alerta importante, principalmente quando essa perda acontece ao longo de poucos meses.
Na LLC, isso pode ocorrer porque o organismo passa a consumir mais energia devido à atividade da doença ou porque o paciente perde o apetite em consequência do aumento do baço ou do estado inflamatório causado pela doença.
Perder peso sem explicação, especialmente junto com cansaço e suor noturno, é um motivo forte para buscar avaliação médica. Além da LLC, outras diversas doenças que também precisam de tratamento médico podem causar essas alterações.
Falta de ar aos esforços
Algumas pessoas passam a perceber falta de ar ao subir escadas, caminhar rápido ou realizar atividades que antes eram feitas normalmente.
Na LLC, esse sintoma costuma estar relacionado à anemia. Como existem menos glóbulos vermelhos para transportar oxigênio, o organismo precisa fazer mais esforço durante atividades físicas.
Esse sintoma também pode ter outras causas, como doenças cardíacas, pulmonares ou infecções, dentre outros. Por isso, ela sempre deve ser avaliada pelo médico.
Sensação de barriga cheia ou “saciedade precoce”
Algumas pessoas com LLC sentem que ficam satisfeitas após comer pequenas quantidades de alimento.
“Saciedade precoce” significa sentir o estômago cheio (ficar saciado) com pouca comida (ou seja, precocemente: antes do que seria o habitual). Na LLC, isso pode acontecer quando o baço aumenta de tamanho e pressiona estruturas do abdome, como o estômago.
Além disso, algumas pessoas relatam sensação de peso ou desconforto no lado esquerdo do abdome. Esse achado pode ser devido à esplenomegalia, que significa “aumento do baço”.
Infecções frequentes
Mesmo antes do início do tratamento, a LLC pode comprometer o funcionamento do sistema imunológico.
Embora os linfócitos estejam aumentados em número, eles não funcionam adequadamente para proteger o organismo contra vírus, bactérias e outros microrganismos. Além disso, muitas pessoas apresentam redução da produção de anticorpos.
Como consequência, podem ocorrer infecções respiratórias de repetição, sinusites, pneumonias e outras infecções que demoram mais para melhorar ou exigem tratamento mais intenso.
Por esse motivo, pessoas com LLC devem manter acompanhamento regular com o hematologista e receber as vacinas recomendadas para sua situação clínica.
Hematomas e sangramentos fáceis
Algumas pessoas percebem manchas roxas com facilidade, sangramento nas gengivas ou episódios repetidos de sangramento nasal.
Equimoses (manchas roxas) sem trauma importante, sangramento nas gengivas maior do que o normal ou sangramento nasal frequente podem ocorrer quando as plaquetas estão baixas. Isso é chamado de trombocitopenia.
Isso pode acontecer quando a LLC reduz a produção de plaquetas, células responsáveis por ajudar na coagulação do sangue.
Embora esse sintoma seja mais comum em fases mais avançadas da doença, ele deve sempre ser comunicado ao médico, principalmente se surgir de forma recente ou estiver piorando.
A LLC pode não causar sintomas no início?
Sim, a LLC pode não causar sintomas no início e esse é um dos aspectos mais característicos da doença. A grande maioria das pessoas descobrem a alteração por acaso em exames de rotina, antes de qualquer sinal clínico.
Essa apresentação silenciosa é bem documentada em fontes como MSD Manuals, Mayo Clinic e Leukemia & Lymphoma Society. Como a doença geralmente evolui lentamente, muitas pessoas convivem com ela durante anos sem perceber qualquer alteração na saúde. Nesses casos, o diagnóstico costuma ser feito por acaso, após um hemograma solicitado durante um check-up, uma avaliação pré-operatória ou uma investigação de outro problema de saúde.
Essa é uma das razões pelas quais o hemograma é tão importante. Ele pode revelar alterações antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas.
No entanto, o fato de uma pessoa não apresentar sintomas não significa que ela não tenha LLC. Da mesma forma, apresentar sintomas como cansaço ou febre não significa necessariamente que a pessoa tenha leucemia, já que essas manifestações são comuns a diversas outras doenças.
Sintomas iniciais vs. sintomas de progressão
Nas fases iniciais, a LLC frequentemente não causa sintomas ou provoca apenas alterações discretas.
Muitas pessoas apresentam apenas um aumento persistente dos linfócitos no hemograma ou pequenos linfonodos aumentados, sem qualquer limitação das atividades do dia a dia.
À medida que a doença evolui, podem surgir manifestações relacionadas ao maior comprometimento da medula óssea, dos linfonodos, do baço e do sistema imunológico.
Entre os sintomas que podem indicar progressão da doença estão:
- piora importante do cansaço;
- perda de peso involuntária;
- febre persistente sem infecção aparente;
- suor noturno intenso;
- infecções frequentes;
- aumento progressivo dos linfonodos;
- aumento do baço com sensação de desconforto abdominal;
- anemia e redução das plaquetas.
É importante destacar que o aparecimento desses sintomas não significa automaticamente que o tratamento será iniciado, mas indica a necessidade de uma reavaliação pelo hematologista. A decisão de tratar leva em consideração um conjunto de critérios clínicos e laboratoriais definidos por diretrizes internacionais.
Por que esses sintomas acontecem?
Os sintomas da leucemia linfocítica crônica não aparecem por acaso. Eles surgem porque a doença interfere no funcionamento normal do organismo de diferentes maneiras.
Na LLC, os linfócitos B anormais se acumulam lentamente na medula óssea, nos linfonodos, no baço e, em alguns casos, no fígado. Além disso, essas células alteram o funcionamento do sistema imunológico. Como consequência, podem surgir anemia, baixa de plaquetas, infecções e aumento do baço.
A tabela abaixo resume como cada alteração da doença pode levar aos principais sintomas:
| Sintoma | Causa provável na LLC | Exame inicial que ajuda |
|---|---|---|
| Cansaço, fraqueza | Anemia | Hemograma |
| Falta de ar aos esforços | Anemia | Hemograma |
| Hematomas, equimoses ou sangramentos | Redução das plaquetas (trombocitopenia) | Hemograma |
| Infecções recorrentes | Alteração do sistema imunológico e redução da produção de anticorpos | Hemograma, dosagem de imunoglobulinas |
| Barriga cheia, saciedade precoce | Baço aumentado | Exame físico. Quando indicados, ultrassom ou tomografia |
| Linfonodos aumentados | Acúmulo de linfócitos nos gânglios linfáticos | Exame físico (imagem quando indicada pelo médico) |
Infiltração da medula óssea
A medula óssea é o tecido localizado dentro dos ossos responsável pela produção das células do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Na LLC, os linfócitos doentes começam a ocupar espaço dentro dessa “fábrica” de células sanguíneas. Quanto maior esse acúmulo, menor pode ser a produção das células normais.
É por isso que algumas pessoas desenvolvem anemia, redução das plaquetas ou alterações em outras células do sangue.
Esse mecanismo explica por que o hemograma é tão importante na investigação e costuma ser o primeiro exame a levantar a suspeita da doença. Ele não fecha o diagnóstico sozinho, mas pode mostrar alterações importantes que indicam a necessidade de investigação.
Anemia, leucopenia e trombocitopenia
A redução das células normais do sangue ajuda a explicar muitos dos sintomas da LLC.
Quando há diminuição dos glóbulos vermelhos (anemia), o organismo passa a transportar menos oxigênio para os tecidos. Como consequência, podem surgir cansaço, fraqueza, falta de ar aos esforços e redução da disposição para atividades do dia a dia.
Quando ocorre diminuição das plaquetas (trombocitopenia), aumentam as chances de hematomas, sangramentos nas gengivas, sangramento nasal ou aparecimento de manchas roxas com pequenos traumas.
Já as alterações dos glóbulos brancos são um pouco diferentes na LLC. Embora os linfócitos estejam aumentados em número, eles funcionam de maneira inadequada e não conseguem proteger o organismo como deveriam. Além disso, algumas pessoas apresentam redução de outros tipos de células de defesa, aumentando ainda mais a suscetibilidade às infecções.
Em alguns pacientes, essas alterações também podem ocorrer porque o próprio sistema imunológico passa a atacar células saudáveis do organismo. Esse fenômeno é chamado de autoimunidade e pode causar, por exemplo, anemia hemolítica autoimune ou destruição imunológica das plaquetas.
Aumento do baço, fígado e linfonodos
Além de circular pelo sangue, as células da LLC podem se acumular em alguns órgãos do sistema linfático.
Os linfonodos (popularmente conhecidos como gânglios ou “ínguas”) podem aumentar de tamanho porque passam a armazenar um número maior de linfócitos.
O baço também pode aumentar progressivamente. Quando isso acontece, algumas pessoas sentem peso ou desconforto no lado esquerdo do abdome ou percebem que ficam satisfeitas após comer pequenas quantidades de alimento.
O fígado também pode aumentar em alguns casos, embora isso seja menos comum e, muitas vezes, não provoque sintomas.
O aumento desses órgãos pela doença quase nunca causa dor. Muitas vezes, ele é detectado pelo médico no exame físico ou em exames de imagem solicitados por outros motivos.
Alterações do sistema imunológico e autoimunidade
Embora a LLC seja caracterizada por um aumento do número de linfócitos, isso não significa que o sistema imunológico esteja funcionando melhor.
Na realidade, acontece o contrário.
Os linfócitos da LLC apresentam alterações que prejudicam sua capacidade de combater infecções. Além disso, muitos pacientes passam a produzir menos anticorpos, proteínas fundamentais para a defesa contra vírus e bactérias.
Por isso, pessoas com LLC têm maior risco de desenvolver infecções, mesmo antes de iniciar qualquer tratamento.
Em alguns casos, a doença também pode desregular o sistema imunológico de outra forma: em vez de atacar apenas agentes infecciosos, ele passa a atacar células do próprio organismo. Essas complicações são chamadas de doenças autoimunes.
As manifestações mais frequentes são:
- anemia hemolítica autoimune, quando o organismo destrói os próprios glóbulos vermelhos;
- trombocitopenia imune, quando ocorre destruição das próprias plaquetas.
Embora essas complicações não sejam comuns em todos os pacientes, elas fazem parte das manifestações conhecidas da LLC e podem exigir tratamento específico.
Quando os sintomas da LLC devem preocupar?
A maioria dos sintomas da LLC surge lentamente e nem sempre representa uma emergência médica. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção especial porque podem indicar progressão da doença, infecção ou outra complicação que precisa ser avaliada rapidamente.
De forma geral, é importante procurar atendimento médico quando os sintomas são persistentes, pioram com o passar do tempo ou começam a interferir nas atividades do dia a dia.
Também é recomendável buscar avaliação quando vários sintomas aparecem ao mesmo tempo, mesmo que cada um deles pareça leve isoladamente.
Sinais de alerta para procurar um médico
Os principais sinais de alerta são (e a presença de somente um deles já deve ser valorizada):
1. Cansaço intenso ou progressivamente pior, sem motivo
2. Linfonodos aumentados (e que não doem) por várias semanas
3. Perda de peso involuntária
4. Febre recorrente ou persistente
5. Sudorese noturna intensa, capaz de molhar a roupa ou os lençóis
6. Infecções frequentes
7. Falta de ar aos esforços ou nas atividades habituais
8. Hematomas ou sangramentos com facilidade
9. Sensação persistente de barriga cheia ou desconforto abaixo das costelas do lado esquerdo.
Situações que podem indicar urgência
Embora a LLC geralmente tenha evolução lenta, algumas situações exigem atendimento mais rápido, como explicado abaixo:
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Febre persistente ou alta | Procurar avaliação no mesmo dia, especialmente se houver calafrios ou mal-estar importante. |
| Falta de ar importante | Buscar atendimento imediato. |
| Sangramento importante ou persistente | Procurar atendimento de urgência. |
| Infecção com piora rápida do estado geral | Procurar atendimento de urgência. |
| Perda de peso rápida ou suores noturnos intensos | Marcar consulta médica o quanto antes. |
Febre persistente
A febre persistente nunca deve ser ignorada, principalmente quando não há uma causa evidente, como uma gripe ou outra infecção comum.
Em pessoas com LLC, ela pode indicar uma infecção que precisa de tratamento ou, em alguns casos, maior atividade da doença. Como a LLC altera o funcionamento do sistema imunológico, algumas infecções podem evoluir de forma mais rápida ou mais grave do que em pessoas sem a doença.
Falta de ar importante
Falta de ar importante nunca deve ser ignorada e deve ser avaliada o quanto antes.
Sangramentos anormais
Sangramentos frequentes ou fora do habitual também merecem atenção.
Entre os sinais que justificam avaliação médica estão:
- sangramento nas gengivas sem motivo aparente;
- sangramento nasal repetido ou difícil de controlar;
- sangue na urina ou nas fezes;
- aparecimento de extensas manchas roxas ou hematomas sem ter sofrido alguma batida ou pancada (trauma) importante.
Esses sintomas podem indicar redução das plaquetas ou outras alterações da coagulação que precisam ser investigadas.
Infecções recorrentes ou graves
Infecções que se repetem com frequência ou apresentam evolução mais intensa podem ser um sinal de que o sistema imunológico não está funcionando adequadamente.
Pneumonias, sinusites de repetição, infecções urinárias frequentes, febre acompanhada de grande prostração ou necessidade de uso repetido de antibióticos devem ser comunicadas ao hematologista.
Além do tratamento da infecção, o médico poderá avaliar se existe necessidade de investigação complementar ou de medidas para reduzir o risco de novos episódios.
Perda de peso rápida e sudorese noturna intensa
Perder peso sem estar fazendo dieta ou apresentar suor noturno intenso, a ponto de molhar a roupa de dormir ou os lençóis, merece avaliação médica.
Esses sintomas podem ocorrer em diversas doenças, não apenas na LLC. Quando aparecem de forma persistente, especialmente se associados a febre, aumento dos linfonodos ou cansaço importante, justificam investigação sem demora.
Como saber se os sintomas podem ser leucemia linfocítica crônica?
Os sintomas da LLC podem levantar a suspeita da doença, mas não são suficientes para confirmar o diagnóstico.
Isso acontece porque manifestações como cansaço, febre, perda de peso, suor noturno e aumento dos linfonodos também podem ocorrer em muitas outras doenças, incluindo infecções, doenças autoimunes e outros tipos de câncer.
Por isso, o diagnóstico da LLC é sempre baseado na combinação entre:
- história clínica;
- exame físico;
- exames laboratoriais específicos.
Na prática, muitas pessoas descobrem a LLC antes mesmo de apresentar qualquer sintoma, após uma alteração encontrada por acaso em um hemograma.
Sintomas que podem ser confundidos com outras doenças
Os sintomas que explicamos sobre a LLC não são exclusivos dessa doença.
Por exemplo, o cansaço pode ocorrer por anemia, distúrbios da tireoide, depressão, insuficiência cardíaca ou simplesmente falta de sono.
Da mesma forma, febre e suor noturno podem estar presentes em infecções, tuberculose, doenças inflamatórias e outros tipos de câncer, além do período da menopausa (climatério).
Entre as condições que podem causar sintomas semelhantes, citamos alguns exemplos abaixo:
- anemia moderada ou grave por deficiência de ferro
- infecções virais ou bacterianas
- tuberculose
- doenças autoimunes
- outras leucemias e linfomas
- doenças da tireoide
Diferença entre LLC, anemia comum, viroses e outras leucemias
Embora alguns sintomas sejam parecidos, existem diferenças importantes entre essas doenças.
A anemia costuma provocar cansaço, fraqueza e falta de ar, mas não explica o aumento persistente dos linfócitos no hemograma, nem o crescimento dos linfonodos causado pelo acúmulo de células da leucemia.
As viroses podem causar febre, mal-estar e aumento temporário dos linfonodos. No entanto, esses sintomas normalmente desaparecem após alguns dias ou semanas.
Já as leucemias agudas costumam evoluir rapidamente e provocar sintomas intensos em pouco tempo.
A LLC, por outro lado, geralmente tem evolução lenta. Em muitos pacientes, a doença permanece estável durante anos antes de exigir tratamento.
Essa é uma das características que diferenciam a LLC de outras doenças hematológicas.
O hemograma pode levantar suspeita?
Sim, o hemograma pode levantar suspeita de LLC, especialmente quando mostra linfocitose persistente, ou seja, o aumento do número dos linfócitos (não a porcentagem, mas o chamado valor total ou absoluto). Esse é um dos cenários mais comuns de descoberta da doença.
Em alguns pacientes, o exame também pode mostrar:
- anemia;
- redução das plaquetas;
- alterações em outros tipos de células sanguíneas.
Existem diversas situações que também podem provocar aumento dos linfócitos, como infecções virais, algumas doenças inflamatórias e outras doenças hematológicas.
E é importante lembrar que o hemograma não fecha o diagnóstico sozinho. Por isso, quando há suspeita de LLC, são necessários exames complementares.
Quais exames ajudam a confirmar o diagnóstico?
A investigação da LLC costuma seguir uma sequência lógica.
Na maioria dos casos, o médico começa pela avaliação clínica e pelo hemograma. Se os resultados forem compatíveis com LLC, são solicitados exames capazes de identificar exatamente o tipo de células presentes no sangue.
Os exames mais utilizados incluem:
- hemograma completo;
- esfregaço de sangue periférico;
- citometria de fluxo (imunofenotipagem).
Depois que o diagnóstico é confirmado, outros exames podem ser solicitados para avaliar o prognóstico da doença e ajudar na escolha do tratamento.
Hemograma completo e linfocitose
O hemograma completo é o ponto de partida. Ele pode mostrar aumento de linfócitos e, em alguns casos, anemia ou plaquetas baixas.
O critério formal de LLC inclui linfócitos B monoclonais no sangue periférico em número igual ou superior a 5.000 por microlitro (ou /uL), mantidos por pelo menos três meses, segundo os critérios do “International Workshop on CLL” (IWCLL).
Esfregaço de sangue periférico
Nesse exame, uma pequena gota de sangue é espalhada sobre uma lâmina de vidro e analisada ao microscópio. O objetivo é observar o aspecto das células sanguíneas.
Ele ajuda a identificar algumas características compatíveis com LLC e a afastar outras doenças hematológicas.
Na LLC, o esfregaço pode mostrar um grande número de linfócitos pequenos e maduros, além das chamadas sombras de Gumprecht, um achado frequente nessa doença.
Embora seja um exame importante, ele não confirma o diagnóstico sozinho.
Citometria de fluxo / imunofenotipagem
A citometria de fluxo é o exame que confirma o diagnóstico da LLC na maioria dos pacientes.
Ela funciona como uma espécie de “identidade” das células.
Por meio de marcadores presentes na superfície dos linfócitos, o exame consegue identificar se essas células pertencem a um único clone e se apresentam o perfil característico da LLC.
Esse exame é essencial para diferenciar LLC de outras doenças dos linfócitos B que podem parecer semelhantes no hemograma.
Quando outros exames são solicitados?
Depois que o diagnóstico é confirmado, o hematologista pode solicitar exames adicionais.
Esses exames não servem para confirmar a LLC, mas ajudam a responder outras perguntas importantes, como:
- qual é o risco de progressão da doença?
- qual tratamento tem maior chance de funcionar?
- existe alguma alteração genética que influencie a escolha da terapia?
Nem todos os pacientes precisam realizar todos esses exames.
A decisão depende do estágio da doença e da necessidade de tratamento.
Medula óssea
Apesar de muitas pessoas imaginarem que toda leucemia exige exame da medula óssea, isso não é verdade na LLC.
Na imensa maioria dos pacientes, o diagnóstico pode ser feito apenas com exames realizados no sangue.
A biópsia ou o aspirado de medula óssea costumam ser reservados para situações mais raras e específicas, como investigação de alterações no hemograma ou avaliação antes de determinados tratamentos.
FISH e testes genéticos
Depois que a LLC é diagnosticada, alguns pacientes realizam exames que pesquisam alterações nos cromossomos e nos genes das células da leucemia. Esses marcadores têm valor prognóstico e influenciam as escolhas de tratamento, conforme diretrizes da ESMO.
Entre os mais importantes estão:
- FISH, principalmente pesquisando a del(17p);
- pesquisa de mutações no TP53;
- avaliação do status mutacional do IGHV (qual seu tipo).
Esses exames ajudam a estimar o comportamento da doença e, principalmente, a escolher o tratamento mais adequado quando ele se torna necessário.
É importante destacar que esses exames não servem para diagnosticar LLC em pessoas saudáveis, nem para avaliar o risco de desenvolver a doença. Além disso, não devem ser feitos em pessoas com LLC que não irão iniciar o tratamento imediatamente.
Imunoglobulinas e beta-2 microglobulina
Outros exames podem ser solicitados para complementar a avaliação.
A dosagem das imunoglobulinas permite verificar se o organismo está produzindo quantidades adequadas de anticorpos, ajudando a estimar o risco de infecções.
Já a beta-2 microglobulina é um marcador que pode fornecer informações sobre a atividade da doença e auxiliar na avaliação prognóstica.
Esses exames complementam a investigação, mas não confirmam o diagnóstico da LLC.
Tomografia e avaliação de órgãos aumentados
A tomografia computadorizada não faz parte da investigação inicial de todos os pacientes com LLC.
Ela costuma ser solicitada quando o médico precisa avaliar melhor o tamanho dos linfonodos, do baço ou do fígado, investigar sintomas específicos ou acompanhar a evolução da doença em determinadas situações.
Na maioria dos pacientes sem sintomas importantes, ela não é necessária.
Nem todo paciente com LLC precisa de tratamento imediato
Receber o diagnóstico de câncer costuma gerar a expectativa de que o tratamento precisa começar imediatamente.
Na LLC, porém, isso nem sempre acontece.
Como a doença geralmente evolui lentamente, muitos pacientes podem permanecer estáveis durante anos sem apresentar sintomas ou alterações que justifiquem o início da terapia.
Nessas situações, estudos científicos mostraram que começar o tratamento antes da hora não aumenta a sobrevida, nem melhora a qualidade de vida. Pelo contrário, pode expor o paciente a efeitos colaterais desnecessários.
Por isso, quando a doença está estável, a melhor conduta costuma ser o acompanhamento periódico pelo hematologista.
O que significa “observar e esperar” (watch and wait)
A expressão inglesa watch and wait, também chamada de vigilância ativa, significa acompanhar cuidadosamente a evolução da doença antes de iniciar qualquer tratamento.
Isso não significa abandonar o paciente, nem deixar de cuidar da doença.
Durante esse período, o hematologista realiza consultas regulares, exames físicos e hemogramas periódicos para verificar se a LLC continua estável ou se surgiram critérios para iniciar o tratamento.
Inclusive, essa é a melhor fase para completar o esquema de vacinação dos pacientes. Converse com seu médico sobre isso e leia em outros locais nesse mesmo texto sobre essas medidas tão importantes e que salvam muitas vidas.
Para muitas pessoas, essa fase pode durar vários anos. Muitos pacientes jamais receberão qualquer tipo de tratamento para a doença.
Quando os sintomas passam a indicar tratamento
Receber o diagnóstico de LLC não significa que o tratamento precisará ser iniciado imediatamente.
Na verdade, muitos pacientes convivem com a doença durante anos apenas em acompanhamento médico, sem necessidade de medicamentos e muitos jamais precisarão ser tratados.
Os sintomas passam a indicar tratamento quando mostram impacto na saúde, na qualidade de vida ou no funcionamento normal do organismo. Exemplos incluem fadiga importante, perda de peso involuntária, febre, sudorese noturna, anemia progressiva, redução significativa de plaquetas ou crescimento relevante de linfonodos e baço.
A decisão é baseada em critérios definidos por diretrizes internacionais e leva em consideração o conjunto da avaliação clínica, e não apenas um exame isolado.
As diretrizes da iwCLL (International Workshop on CLL) orientam essa decisão com base em critérios clínicos e laboratoriais.
Critérios clínicos que costumam pesar na decisão
O hematologista pode indicar o início do tratamento quando surgem sinais de progressão da doença, como:
- fadiga intensa que interfere nas atividades do dia a dia;
- perda de peso involuntária;
- febre persistente sem sinais de infecção;
- suor noturno intenso e recorrente;
- anemia progressiva;
- redução importante das plaquetas;
- infecções recorrentes ou graves;
- crescimento progressivo de linfonodos (mas aqui depende de muitas coisas para indicar o tratamento, converse com seu médico);
- aumento do baço causando sintomas;
- complicações autoimunes que não respondem adequadamente ao tratamento específico.
Cada paciente é avaliado de forma individual. Nem sempre um único critério é suficiente para indicar o tratamento, e a decisão leva em conta a evolução da doença ao longo do tempo.
Hoje, quando o tratamento é necessário, existem diversas opções eficazes, incluindo terapias-alvo, anticorpos monoclonais e, em situações específicas, quimioterapia. A escolha depende das características da doença, do estado geral de saúde do paciente e dos resultados de exames, como pesquisa de mutação do TP53, presença da del(17p) e tipo do IGHV.
Ainda assim, o foco deste tema é reconhecer os sintomas e saber quando investigar.
Perguntas frequentes sobre sintomas da LLC
A leucemia linfocítica crônica pode ser assintomática?
Sim. A leucemia linfocítica crônica pode ficar sem sintomas por bastante tempo e ser descoberta em um hemograma de rotina. Isso é comum porque a doença geralmente evolui de forma lenta.
Qual é o primeiro sintoma mais comum da LLC?
Não existe um primeiro sintoma obrigatório. Em muitos casos, o primeiro achado é a linfocitose (aumento do número de linfócitos) no hemograma; quando há sintomas, o cansaço costuma estar entre os mais frequentes, seguido pelo aumento dos linfonodos e pelas infecções recorrentes.
Suor noturno pode ser sinal de LLC?
Sim, suor noturno pode ser um dos sintomas da leucemia linfocítica crônica. Mas ele também ocorre em infecções, menopausa, tuberculose e outras doenças, por isso precisa ser interpretado em conjunto com a história clínica e os demais exames.
Linfonodo aumentado sempre significa leucemia?
Não, linfonodos aumentados são muito mais frequentemente causados por infecções e inflamações do que por leucemia. Na grande maioria das vezes, eles desaparecem espontaneamente após alguns dias ou semanas.
O que preocupa mais é quando eles persistem, aumentam progressivamente ou aparecem com perda de peso, febre e alterações no hemograma.
Quem tem LLC sente dor?
Quase nunca. A LLC costuma evoluir de forma silenciosa e geralmente não causa dor.
Os gânglios aumentados não doem, não ficam vermelhos e não “vazam”.
Quando ela ocorre, costuma estar relacionada ao aumento importante do baço ou a complicações associadas à doença, e não às células da leucemia propriamente ditas.
Quando o baço aumentado causa sintomas?
O baço aumentado pode causar sensação de barriga cheia, saciedade precoce e desconforto no lado esquerdo do abdome. Esses sintomas surgem quando o órgão cresce o suficiente para pressionar estruturas vizinhas.
A saciedade precoce é quando as pessoas não conseguem mais comer e sentem-se de estômago cheio mesmo após ingerir pequenas quantidades de alimento, porque o baço aumentado comprime parcialmente o estômago.
LLC tem cura?
A LLC é considerada uma doença crônica, como são também a hipertensão arterial e o diabetes mellitus, com controle prolongado e remissões (resposta ao tratamento) que podem durar anos.
Com os tratamentos disponíveis atualmente, muitas pessoas conseguem controlar a doença por muitos anos e manter boa qualidade de vida.
Embora a cura não seja o objetivo na imensa maioria dos casos, os avanços das terapias-alvo e dos anticorpos monoclonais têm proporcionado respostas cada vez mais profundas e duradouras, segundo a Leukemia & Lymphoma Society.
Qual médico procurar?
O especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento da LLC é o hematologista. Em muitos casos, a investigação começa com o clínico geral ou médico de família após alterações no hemograma.


