back to top

Sem excessos ou deficiências: como o médico nutrólogo avalia as necessidades do nosso organismo e estimula os hábitos saudáveis

spot_img

Um levantamento divulgado recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que a frequência do consumo de frutas, verduras e legumes pelos adolescentes brasileiros é menor que entre adultos e idosos. As únicas exceções foram açaí e batata inglesa. Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil. Outros números preocupantes chamam bastante atenção: nossos jovens estão comendo mais ultraprocessados, como salgadinhos chips, salsicha e refrigerantes. Já a salada crua está mais presente na alimentação de adultos (22,3%) e idosos (21,1%) que na de adolescentes (14,7%).  

Informações como estas ajudam a explicar os dados sobre obesidade infantil no Brasil: uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos está acima do peso no país. Nos adolescentes, os números apontam 18% com sobrepeso, 9,53% obesos e 3,98% com obesidade grave. Um sinal de alerta para problemas já na infância e na fase adulta, como doenças cardiovasculares, diabetes e diversos tipos de tumores.

Hoje sabemos que a obesidade só perde para o tabagismo como fator causal para o câncer. As duas condições são complexas, exigem uma visão multidisciplinar e apoio especializado para a adoção de novos hábitos. No caso do excesso de peso, o médico nutrólogo pode diagnosticar deficiências e excessos no organismo, orientar mudanças do estilo de vida e, se necessário, prescrever tratamentos medicamentosos. Os médicos nutrólogos são os profissionais que, após o término da faculdade de Medicina, fazem a residência ou a especialização em Nutrição Clínica ou Nutrologia.

E este olhar especializado se volta, cada vez mais cedo, para as crianças e adolescentes. “Aos pais, fica um aviso, que devemos cuidar dos nossos filhos agora. A rotina é o que faz sermos saudáveis ou não. A alimentação saudável dentro de casa é muito importante”, ressalta o nutrólogo Eduardo Rauen. Neste sentido, vale a adoção de um novo do estilo de vida para toda a família, com o consumo maior de alimentos como saladas, legumes, frutas, grãos, oleaginosas e produtos não processados, que previnem não só a obesidade, mas as doenças relacionadas a ela. “Use menos industrializados. Descasque mais e desembrulhe menos. Desta forma, as crianças de hoje, que serão os pais de amanhã, já vão criar um ambiente saudável para a nova geração”, indica o médico. 

Eduardo Rauen explica que é importante que a criança seja sempre acompanhada pelo pediatra, que vai avaliar a sua curva de crescimento e peso periodicamente. “Quando há mudança do percentil de peso, deve acender um sinal de alerta e o médico vai pensar nas possíveis causas. Por que essa criança ganhou peso? Como estão seus hábitos de alimentação, de atividade física, de prática de esportes? Precisa ter um equilíbrio entre o que se consome e o que se gasta”, destaca Rauen. E, junto com o controle, enfatiza o nutrólogo, é fundamental lembrar que não adianta a criança simplesmente não ter sobrepeso ou não ser obesa, mas se alimentar mal. “Por isso é importante estimular o consumo dos ‘alimentos tarja verde’, que compõem uma dieta variada e rica em nutrientes. É um duplo alerta. Não é só comer saudável para não engordar, mas também para não ficar doente”, define o médico.

Paciente oncológico também recebe atenção especial do nutrólogo

Se a alimentação saudável e equilibrada, rica em fibras, com bastante  frutas, verduras e legumes, e a prática regular de atividade física ajudam na prevenção da obesidade e de vários tipos de câncer, também auxiliam na melhor resposta ao tratamento do paciente oncológico. “Diversas pesquisas já apontam que esta combinação atua positivamente na redução de chances de uma recidiva e de um segundo câncer”, afirma a nutróloga Andrea Pereira, da Oncologia e Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein. 

A atuação do médico nutrólogo no tratamento do câncer é fundamental ao lado do nutricionista para adequação do cardápio, para melhorar a dieta do paciente, para evitar casos de desnutrição e a perda de massa muscular e de função, conhecida como sarcopenia. “Além disso, pacientes que fazem cirurgia do trato gastrointestinal apresentam deficiências nutricionais e isso precisa ser corrigido. O médico nutrólogo faz o diagnóstico e o tratamento destes pacientes”, complementa Andrea Pereira.

spot_img

Posts Relacionados

Posts populares no site

spot_img

Posts Populares na categoria