O que é câncer colorretal

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Sumário

Câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no cólon ou no reto, partes finais do intestino, e muitas vezes começa de forma silenciosa, sem sintomas claros no início. Justamente por isso, entender como ele surge e como detectá-lo cedo pode fazer uma grande diferença no desfecho.

No Brasil, a atenção ao tema é urgente: há estimativa de mais de 53 mil novos casos de câncer colorretal para 2026, segundo dados divulgados com base em projeções do INCA. Ao longo deste artigo, você vai ver onde esse câncer aparece, quais sinais merecem investigação, quem tem mais risco, como funciona o rastreamento (incluindo colonoscopia) e quais são as opções de tratamento.

Pontos importantes

  • Câncer colorretal é o câncer que surge no cólon e/ou no reto (intestino grosso), e pode ser confundido com problemas comuns como hemorroidas.
  • Em muitos casos, ele começa como pólipos (lesões geralmente benignas) que podem evoluir ao longo do tempo; por isso, remover pólipos previne câncer.
  • Os sintomas mais típicos incluem sangue nas fezes, mudança do hábito intestinal (diarreia/constipação persistente) e anemia, mas pode não haver sintomas no início.
  • O rastreamento é a principal estratégia de detecção precoce: há exames como FIT/sangue oculto nas fezes (geralmente anual), sigmoidoscopia (ex.: a cada 5 anos) e colonoscopia (ex.: a cada 10 anos), conforme orientação médica e risco individual.
  • O tratamento costuma combinar cirurgia, quimioterapia e, especialmente no câncer de reto, radioterapia; em alguns casos, entram terapias-alvo e imunoterapia.

O que é câncer colorretal?

Câncer colorretal (também chamado de câncer de cólon, câncer de reto ou tumor colorretal) é uma neoplasia maligna que se forma no intestino grosso. Ele pode surgir em diferentes regiões do cólon (direito, transverso, esquerdo e sigmoide) e também no reto, e essa localização influencia sintomas, exames e tratamento.

Em contextos médicos, ele pode aparecer em classificações como o CID-10 C18 (cólon), entre outros códigos relacionados ao reto e à junção retossigmoide, usados para padronizar diagnósticos e registros.

Onde ele acontece (cólon e reto) e qual a função do intestino grosso

O intestino grosso tem como funções principais:

  • absorver água e sais do conteúdo intestinal;
  • formar e armazenar as fezes;
  • abrigar uma parte importante da microbiota intestinal.

O cólon é a maior porção do intestino grosso. Já o reto é o trecho final, que “guarda” as fezes até a evacuação. Tumores nessas áreas podem causar desde alterações discretas no funcionamento intestinal até sangramentos e obstrução, dependendo do local e do tamanho.

Como o câncer colorretal se desenvolve (pólipos → câncer)

Na maioria dos casos, o câncer colorretal não aparece “do nada”. Ele costuma se desenvolver ao longo do tempo a partir de alterações na mucosa intestinal, frequentemente começando como pólipos.

O que são pólipos e por que podem virar câncer

Pólipos são “caroços” ou elevações que crescem na parede interna do intestino. Muitos são benignos, mas alguns tipos, especialmente os adenomatosos (adenomas), podem, com o passar dos anos, acumular alterações genéticas e se transformar em adenocarcinoma (o tipo mais comum de câncer colorretal).

Esse é um ponto-chave: a colonoscopia não serve apenas para diagnosticar, mas também pode remover pólipos durante o exame, reduzindo o risco de evolução para câncer.

Por que pode não dar sintomas no início

No começo, o tumor pode ser pequeno e não interferir na passagem das fezes nem causar sangramento perceptível. Além disso, quando há sangramento, ele pode ser oculto (não visível a olho nu), levando a sinais indiretos como anemia e cansaço.

Por isso, confiar apenas em sintomas pode atrasar o diagnóstico, e é exatamente aí que o rastreamento ganha importância.

Quais são os principais sintomas (e quando procurar um médico)?

Os sintomas do câncer colorretal variam com a localização (cólon direito, esquerdo ou reto) e com o estágio. Ainda assim, alguns sinais são clássicos e merecem avaliação, principalmente se persistirem por mais de 2 a 3 semanas.

Sinais de alerta mais comuns

Fique atento a:

  • Sangue nas fezes (vermelho vivo ou escuro) ou muco;
  • Mudança do hábito intestinal: diarreia persistente, constipação persistente ou alternância entre as duas;
  • Sensação de evacuação incompleta (vontade de evacuar e “não sair tudo”);
  • Dor abdominal recorrente, cólicas, distensão/inchaço;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Cansaço e fraqueza por possível anemia (queda de hemoglobina);
  • Fezes mais finas/estreitadas (pode ocorrer quando há redução do calibre do intestino).

Alguns tumores no cólon direito tendem a sangrar de forma lenta e oculta, levando mais a anemia e fadiga. Já tumores no cólon esquerdo/reto podem dar mais sangue visível e alteração do formato das fezes.

Sintomas que podem ser confundidos com outras doenças (ex.: hemorroidas)

Muita gente associa sangue no papel higiênico a hemorroidas, e pode ser mesmo. O problema é que não dá para assumir.

Exemplos de condições que podem parecer câncer colorretal:

  • Hemorroidas e fissuras anais (sangue vermelho vivo, dor ao evacuar);
  • Síndrome do intestino irritável (alteração do hábito intestinal, cólicas);
  • Diverticulite (dor abdominal e alteração intestinal);
  • Infecções intestinais (diarreia, muco, dor).

A diferença está na persistência, na progressão e no conjunto de sinais (ex.: sangue + perda de peso + anemia). Se algo mudou e não volta ao normal, vale investigar.

Quando buscar atendimento com urgência

Procure um pronto atendimento (ou emergência) se houver:

  • Sangramento em grande quantidade nas fezes ou sangramento que não para;
  • Tontura, desmaio, fraqueza intensa (pode indicar anemia importante);
  • Dor abdominal forte e contínua, com barriga muito distendida;
  • Vômitos persistentes e incapacidade de se alimentar/hidratar;
  • Sinais de obstrução intestinal: parar de evacuar e de eliminar gases, com dor e distensão;
  • Icterícia (pele/olhos amarelados), principalmente se associada a mal-estar e perda de peso.

Causas e fatores de risco do câncer colorretal

Não existe uma única causa. O câncer colorretal surge da combinação de predisposição genética, envelhecimento e fatores ambientais/estilo de vida. Ter fatores de risco não significa que a pessoa terá câncer, mas ajuda a definir quando e como rastrear.

Fatores de risco não modificáveis

São aqueles que você não consegue mudar, mas pode usar a informação para se cuidar melhor.

Idade

O risco aumenta com a idade, e por isso muitos protocolos começam o rastreamento a partir de faixas etárias específicas (como 45–50 anos, dependendo do país/diretriz e do perfil de risco).

Histórico familiar e síndromes hereditárias (ex.: Síndrome de Lynch, FAP/HNPCC)

Ter parente de primeiro grau (pai, mãe, irmão/irmã, filho/filha) com câncer colorretal aumenta o risco, especialmente se o diagnóstico ocorreu em idade jovem.

Além disso, algumas síndromes genéticas elevam muito o risco:

  • Síndrome de Lynch (também chamada de HNPCC em algumas referências);
  • Polipose Adenomatosa Familiar (FAP).

Nesses casos, pode ser indicado aconselhamento genético e rastreamento mais cedo e mais frequente, inclusive para familiares.

Fatores de risco modificáveis (hábitos e estilo de vida)

Aqui entram escolhas e condições que, quando ajustadas, podem reduzir o risco.

Obesidade, sedentarismo, tabagismo e álcool

De forma geral, estão associados a maior risco:

  • excesso de peso (principalmente gordura abdominal);
  • baixo nível de atividade física;
  • tabagismo;
  • consumo frequente de álcool.

Melhorar esses pontos não substitui rastreamento, mas ajuda na prevenção e na saúde como um todo.

Alimentação (fibras, ultraprocessados, carne vermelha)

Padrões alimentares importam. Em linhas gerais, recomenda-se:

  • mais fibras (frutas, verduras, legumes, feijões, grãos integrais);
  • reduzir ultraprocessados;
  • moderar carne vermelha e evitar excesso de carnes processadas (como embutidos).

Se você quer um começo prático: aumentar fibra gradualmente e beber água ao longo do dia já melhora o funcionamento intestinal e ajuda a manter hábitos mais protetores.

Condições clínicas associadas

Doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativa e Crohn)

Pessoas com retocolite ulcerativa e doença de Crohn (especialmente quando há inflamação crônica do cólon por muitos anos) podem ter risco aumentado e, por isso, seguem protocolos específicos de vigilância com colonoscopias em intervalos definidos pelo gastroenterologista.

Tipos de câncer colorretal (histologia) e onde eles aparecem com mais frequência

“Tipo” aqui significa o tipo de célula que originou o tumor (histologia). Isso influencia os tratamentos e exames complementares.

Adenocarcinoma (o tipo mais comum)

O adenocarcinoma é o tipo mais frequente de câncer colorretal. Ele surge das células glandulares do revestimento interno do intestino (mucosa intestinal), muitas vezes a partir de adenomas (pólipos adenomatosos).

Tipos mais raros (carcinoide/neuroendócrino, GIST, linfoma, sarcoma)

Embora menos comuns, existem outros tumores que podem aparecer no intestino grosso, como:

  • tumores neuroendócrinos (carcinoides);
  • GIST (tumor estromal gastrointestinal);
  • linfomas;
  • sarcomas.

Esses casos exigem avaliação especializada, pois o tratamento e o comportamento podem ser bem diferentes do adenocarcinoma.

Cólon x reto: diferenças que impactam diagnóstico e tratamento

A principal diferença prática é que o câncer de reto costuma ter particularidades:

  • a ressonância magnética (RM) do reto é muito usada para planejar tratamento;
  • é mais comum o uso de radioterapia combinada com quimioterapia antes da cirurgia (estratégia chamada neoadjuvante) em certos estágios;
  • há preocupação maior com preservação do esfíncter (controle da evacuação), dependendo da altura do tumor no reto.

No câncer de cólon, a radioterapia é menos frequente, e a cirurgia costuma ser o eixo central do tratamento quando a doença é localizada.

Rastreamento: como prevenir e detectar cedo

Rastreamento é fazer exames em pessoas sem sintomas, para encontrar lesões iniciais (ou pólipos) antes que virem um problema maior.

Por que rastrear se pode não haver sintomas

Porque o câncer colorretal pode crescer devagar e ficar assintomático por bastante tempo. Quando aparecem sintomas, o tumor pode estar mais avançado.

Além disso, o rastreamento pode encontrar pólipos e permitir a retirada durante a colonoscopia, atuando como prevenção e não apenas diagnóstico.

Quando começar (população geral e alto risco)

A idade de início pode variar conforme diretrizes e perfil de risco. Em muitos lugares, a discussão atual gira em torno de começar entre 45 e 50 anos para a população geral. No Brasil, a recomendação alterou-se para a partir dos 45 anos, dado o aumento de casos de indivíduos com diagnóstico antes dos 50 anos. 

Para alto risco, pode ser necessário começar antes e fazer com mais frequência. Exemplos práticos de alto risco:

  • parente de 1º grau com câncer colorretal (especialmente se diagnosticado jovem);
  • histórico pessoal de pólipos avançados;
  • doença inflamatória intestinal com acometimento do cólon por anos;
  • síndromes como Lynch e FAP.

O ideal é definir o plano com gastroenterologista/coloproctologista, porque “alto risco” não é uma etiqueta única: depende do caso e da história familiar.

Principais exames de rastreamento

A escolha depende de disponibilidade, preferência, risco e orientação médica.

Teste de sangue oculto / FIT (periodicidade)

O FIT (teste imunológico fecal) detecta sangue oculto nas fezes e costuma ser feito anualmente em muitos protocolos de rastreamento. É um exame simples, feito em casa, mas se vier positivo geralmente exige colonoscopia para investigar a causa.

Sigmoidoscopia (periodicidade)

A sigmoidoscopia avalia o reto e a porção final do cólon (sigmoide). Em alguns protocolos, pode ser repetida a cada 5 anos.

Colonoscopia (periodicidade e possibilidade de remover pólipos)

A colonoscopia examina todo o cólon e o reto. Em rastreamento de risco habitual, é comum a recomendação de repetição a cada 10 anos, se o exame for normal (isso pode mudar conforme achados e risco individual).

O diferencial é que, durante o exame, o médico pode remover pólipos e enviar para análise, o que ajuda a prevenir câncer.

Diagnóstico do câncer colorretal (confirmação e estadiamento)

Quando há suspeita (por sintomas, exame positivo ou achado em rastreamento), o objetivo é:

  1. confirmar se é câncer (ou outra condição);
  2. definir o estágio (o quanto se espalhou), para escolher o melhor tratamento.

Avaliação clínica e histórico

O médico vai investigar:

  • sintomas, duração e intensidade;
  • histórico familiar;
  • doenças intestinais prévias;
  • uso de medicamentos;
  • perda de peso, anemia, dor, sangramento.

Exame físico e avaliação do estado geral ajudam a direcionar os próximos passos.

Exames para detectar lesões

Colonoscopia e biópsia

A colonoscopia é o principal exame para visualizar a lesão e coletar material. A biópsia (retirada de fragmento) confirma o diagnóstico ao microscópio.

Uma explicação simples: a colonoscopia “mostra”, e a biópsia “prova” o que é.

Retossigmoidoscopia

Quando a suspeita é no reto/porção final do cólon, a retossigmoidoscopia pode ser usada para avaliação inicial, especialmente se a colonoscopia não estiver imediatamente disponível. Ainda assim, muitas vezes será necessário examinar todo o cólon depois.

Exames de imagem para estadiamento e metástases

Após a confirmação, entram exames para ver extensão local e se há disseminação:

  • Tomografia (TC) de tórax/abdome/pelve;
  • Ressonância magnética (RM);
  • em casos selecionados, PET-CT.

Particularidades do câncer de reto (RM dedicada)

No câncer de reto, a RM de pelve é muito importante para avaliar profundidade do tumor, relação com estruturas próximas e linfonodos, ajudando a decidir se é melhor fazer tratamento antes da cirurgia.

Marcadores (CEA): para que serve e para que não serve

O CEA (antígeno carcinoembrionário) é um marcador que pode estar elevado em alguns pacientes com câncer colorretal, mas:

  • não é exame de rastreamento (pode estar normal mesmo com câncer e pode subir por outras causas);
  • é mais útil para acompanhar resposta ao tratamento e vigilância em quem já teve diagnóstico, conforme orientação médica.

Tratamento do câncer colorretal (por estágio e localização)

O tratamento depende do estágio (I a IV), da localização (cólon ou reto), do perfil do tumor (biologia/mutações) e das condições do paciente. Em termos simples: não existe um único tratamento padrão para todo mundo.

Para visão institucional sobre modalidades, veja:

Cirurgia

A cirurgia é a base do tratamento quando a doença está localizada e ressecável.

Quando a cirurgia pode ser suficiente (casos iniciais)

Em alguns casos iniciais (especialmente quando detectados cedo), a cirurgia pode remover completamente o tumor e os linfonodos regionais, e o médico avalia se há necessidade de quimioterapia complementar (adjuvante) com base em fatores de risco patológicos.

Técnicas (aberta, laparoscópica, robótica, transanal) e preservação do esfíncter

A cirurgia pode ser:

  • aberta (incisão maior),
  • laparoscópica (minimamente invasiva),
  • robótica (laparoscópica assistida por robô, em centros especializados),
  • e, em casos selecionados de reto, técnicas transanais.

No câncer de reto, quando possível, busca-se preservar o esfíncter para manter o controle evacuatório, mas isso depende da altura do tumor e da segurança oncológica.

Quando pode ser necessária ostomia (colostomia/ileostomia)

Às vezes é necessário criar uma abertura no abdome para saída de fezes (ostomia):

  • colostomia (quando a saída vem do cólon),
  • ileostomia (quando vem do intestino delgado).

Ela pode ser temporária (para proteger uma anastomose/cicatrização) ou definitiva, dependendo do caso. Com orientação de estomaterapia, a maioria das pessoas consegue retomar atividades e qualidade de vida.

Radioterapia

Quando é mais usada (especialmente em câncer de reto)

A radioterapia é particularmente importante no câncer de reto, muitas vezes combinada com quimioterapia antes da cirurgia para reduzir o tumor e diminuir o risco de recidiva local.

Modalidades especiais (ex.: radioterapia intraoperatória, braquiterapia)

Em situações específicas e centros especializados, podem existir modalidades como braquiterapia ou radioterapia intraoperatória, mas não são indicadas para todos os casos.

Quimioterapia

Neoadjuvante, adjuvante e paliativa

A quimioterapia pode ser usada:

  • neoadjuvante (antes da cirurgia, para reduzir tumor),
  • adjuvante (depois da cirurgia, para reduzir risco de voltar),
  • paliativa (em doença avançada, para controlar a doença e sintomas).

O esquema depende do estágio e das características do tumor.

Terapias-alvo e imunoterapia (quando podem ser indicadas)

Em alguns casos, principalmente em doença avançada, o oncologista pode indicar:

  • terapias-alvo (medicamentos que atacam alvos específicos do tumor),
  • imunoterapia (estimula o sistema imune a reconhecer e matar o câncer).

A indicação costuma depender de testes do tumor (biomarcadores), por isso o laudo anatomopatológico e exames moleculares são tão relevantes.

Metástases e tratamento em doença avançada

Locais mais comuns (fígado, pulmões, peritônio)

Quando o câncer colorretal se espalha, os locais mais comuns incluem:

  • fígado,
  • pulmões,
  • peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal).

Opções selecionadas (ex.: cirurgia citorredutiva + HIPEC)

Em casos selecionados, pode haver estratégias combinadas como:

  • cirurgia para remover metástases (por exemplo, no fígado/pulmão) quando tecnicamente possível;
  • e, para alguns casos peritoneais, cirurgia citorredutiva + HIPEC (quimioterapia aquecida dentro do abdome), indicada apenas para perfis específicos e em centros experientes.

Prognóstico, acompanhamento e risco de recidiva

Prognóstico é a estimativa de evolução. Em geral, quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de controle e cura.

Fatores que influenciam prognóstico e recidiva (linfonodos, margens, invasão vascular etc.)

Alguns fatores patológicos que pesam na decisão de tratamentos complementares e no risco de recidiva incluem:

  • comprometimento de linfonodos;
  • margens cirúrgicas (se o tumor foi removido com bordas livres);
  • invasão vascular/linfática (presença de células na corrente sanguínea ou linfática);
  • profundidade de invasão na parede intestinal;
  • características biológicas do tumor (avaliadas em testes específicos).

Seguimento após tratamento (incluindo uso do CEA)

O acompanhamento costuma incluir:

  • consultas periódicas;
  • exames laboratoriais (podendo incluir CEA em casos indicados);
  • exames de imagem em intervalos definidos;
  • colonoscopias de controle, porque quem teve câncer ou pólipos pode precisar de vigilância mais próxima.

O cronograma exato varia por estágio e conduta, então deve ser individualizado.

Quando considerar pesquisa clínica/estudos clínicos

Estudos clínicos (pesquisa clínica) podem oferecer acesso a novas combinações de tratamento e estratégias de cuidado, com acompanhamento rigoroso. Vale considerar principalmente quando:

  • a doença é avançada ou recidivou;
  • há opções padrão limitadas;
  • o paciente quer avaliar alternativas com base científica.

Converse com o oncologista sobre elegibilidade e centros de pesquisa disponíveis.

Prevenção no dia a dia: o que você pode fazer agora

Prevenção combina hábitos + rastreamento. Um não substitui o outro.

Alimentação e fibras

Medidas práticas:

  • inclua feijão/lentilha/grão-de-bico na rotina;
  • aumente verduras, legumes e frutas diariamente;
  • prefira grãos integrais quando possível;
  • reduza frequência de ultraprocessados e embutidos.

Se você tem intestino preso e vai aumentar fibras, faça isso aos poucos e aumente a ingestão de água para evitar desconforto.

Atividade física

A meta mais importante é a consistência. Caminhadas regulares, musculação leve, bicicleta ou natação já ajudam. Se você está sedentário, começar com 10–15 minutos por dia e evoluir é melhor do que tentar “perfeito” e parar.

Peso, álcool, tabaco e ultraprocessados

  • Se houver excesso de peso, buscar redução gradual e sustentável ajuda.
  • Se você fuma, parar é uma das melhores decisões para a saúde geral.
  • Se consome álcool, reduzir a frequência e quantidade é uma estratégia realista.
  • Ultraprocessados: tente trocar parte deles por comida de verdade ao longo da semana, sem radicalismo.

Checklist prático de prevenção + rastreamento

Use como guia:

  • Tenho 45–50+ (ou menos, se alto risco) e já conversei sobre rastreamento do câncer colorretal?
  • Tenho história familiar (parente de 1º grau)? Sei a idade do diagnóstico dele?
  • Tenho sintomas persistentes (sangue nas fezes, mudança intestinal, anemia)? Marquei consulta?
  • Fiz FIT/sangue oculto quando indicado?
  • Se preciso, fiz colonoscopia e entendi o resultado (pólipos? intervalo de retorno?)
  • Estou aumentando fibras e reduzindo ultraprocessados aos poucos?
  • Estou me movimentando ao menos algumas vezes por semana?
  • Estou cuidando de tabaco e álcool?

Para uma visão geral institucional no Brasil, veja: Prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer colorretal (Ministério da Saúde)

Perguntas frequentes sobre câncer colorretal

O que é câncer colorretal e onde ele aparece?

O que é câncer colorretal: é um tumor maligno que surge no cólon ou no reto, partes do intestino grosso. Ele pode crescer lentamente e, no começo, não causar sintomas.

Câncer colorretal tem cura?

Muitos casos têm, especialmente quando o diagnóstico é feito cedo e o tumor pode ser removido completamente. Por isso, rastreamento e investigação de sintomas persistentes são tão importantes.

Quais são os sintomas mais comuns do câncer de cólon e reto?

Os sintomas mais comuns incluem sangue nas fezes, mudança do hábito intestinal, sensação de evacuação incompleta, dor abdominal e anemia. Em fases iniciais, pode não haver sintomas.

Sangue nas fezes sempre significa câncer colorretal?

Não. Pode ser hemorroida, fissura ou outras causas, mas sangue nas fezes é um sinal que merece avaliação, principalmente se for recorrente ou vier com perda de peso, anemia ou mudança intestinal.

O que causa câncer colorretal?

Ele não tem uma causa única: envolve fatores como idade, histórico familiar/genética, além de fatores de estilo de vida (obesidade, sedentarismo, tabagismo, álcool e alimentação). Doenças inflamatórias intestinais também aumentam o risco em alguns casos.

Colonoscopia previne câncer colorretal?

Sim, porque, além de detectar lesões, a colonoscopia pode remover pólipos que poderiam evoluir para câncer. Ela é um dos exames mais importantes no rastreamento.

Quando começar o rastreamento do câncer colorretal?

Depende da diretriz e do risco individual, mas muitas recomendações atuais discutem iniciar entre 45 e 50 anos para a população geral. Quem é alto risco pode precisar começar antes e com intervalos menores.

Qual a diferença entre FIT/sangue oculto, sigmoidoscopia e colonoscopia no rastreamento?

O FIT procura sangue oculto nas fezes (geralmente anual). A sigmoidoscopia avalia apenas o reto e a parte final do cólon (ex.: a cada 5 anos), e a colonoscopia avalia todo o intestino grosso e permite remover pólipos (ex.: a cada 10 anos, se normal), conforme orientação médica.

Como é feito o diagnóstico do câncer colorretal?

O diagnóstico é confirmado com colonoscopia e biópsia. Depois, exames de imagem como tomografia e ressonância ajudam a definir o estágio e planejar o tratamento.

CEA serve para diagnosticar ou rastrear câncer colorretal?

Não é indicado para rastreamento, porque pode estar normal mesmo com câncer e pode subir por outras causas. Ele é mais usado para acompanhamento e vigilância em quem já teve diagnóstico, quando o médico considerar apropriado.

Foto de Dr. Antonio Carlos Buzaid

Dr. Antonio Carlos Buzaid

Destacado oncologista clínico, graduado pela Universidade de São Paulo, com experiência internacional nos EUA, onde foi diretor de centros especializados em melanoma e câncer de pulmão, além de professor na Universidade de Yale. No Brasil, foi membro do comitê gestor do Centro de Oncologia do Einstein e dirigiu centros de oncologia nos hospitais Sírio Libanês e BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Atualmente é Diretor Médico Geral do Centro de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis. CRM 45.405

Foto de Dr. Fernando Cotait Maluf

Dr. Fernando Cotait Maluf

Renomado oncologista clínico, graduado pela Santa Casa de São Paulo, com doutorado em Urologia pela FMUSP. Ele foi chefe do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica do Hospital Sírio Libanês e atualmente é diretor associado do Centro de Oncologia do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, além de membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein e professor livre-docente na Santa Casa de São Paulo. CRM: 81.930

Publicação: 30/01/2025 | Atualização: 26/04/2026

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