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Colposcopia

A colposcopia é um exame ginecológico essencial que permite observar detalhadamente o colo do útero, a vagina e a vulva. 

Frequentemente realizada em conjunto com o exame de Papanicolau, ela é indicada em casos de resultados anormais no Papanicolau, presença de verrugas genitais, suspeita de inflamação no colo do útero ou sangramento vaginal anormal.

Este procedimento é crucial para auxiliar na detecção precoce de várias condições, incluindo: inflamações, lesões benignas, lesões pré-cancerosas e até mesmo câncer em todo trato genital inferior (colo uterino, vagina e vulva). Não é indicado para avaliação do corpo uterino e ovários. 

Ao identificar essas alterações em estágios iniciais, a colposcopia aumenta significativamente as chances de um tratamento bem-sucedido e eficaz. Entender a importância desse exame pode ser a chave para a sua saúde ginecológica.

Pontos-chave

  • Importância da colposcopia: A colposcopia é um exame crucial para a detecção precoce de condições ginecológicas, como inflamações, lesões pré-cancerosas e câncer cervical.
  • Indicações do exame: É indicada após resultados anormais no Papanicolau, presença de verrugas genitais, suspeita de inflamação no colo do útero, ou sangramento vaginal anormal.
  • Procedimento detalhado: A colposcopia é feita em consultório médico, utilizando um colposcópio que permite a visualização ampliada do colo do útero, vagina e vulva. Soluções especiais são aplicadas para realçar áreas anormais.
  • Cuidados pós-procedimento: Evitar atividades físicas intensas, relações sexuais e o uso de produtos vaginais por alguns dias após o exame. Monitorar sinais de complicações como sangramento intenso ou febre.
  • Frequência do exame: A frequência recomendada varia conforme a idade e histórico de saúde, com ajustes específicos para mulheres entre 21-65 anos e aquelas com lesões ou alterações celulares.

O que é colposcopia e para que serve?

O que é colposcopia?

A colposcopia é um exame ginecológico usado para observar detalhadamente o colo do útero, a vagina e a vulva. Utiliza um colposcópio, que amplia a visão das áreas examinadas, permitindo identificar alterações ou lesões anormais. É um procedimento crucial para monitorar a saúde ginecológica.

Para que serve a colposcopia?

A colposcopia tem várias finalidades. Primeiramente, diagnosticar lesões pré-cancerosas como lesões intraepiteliais de alto grau (HSIL) e de baixo grau (LSIL). Estes diagnósticos são importantes, pois essas lesões podem evoluir para câncer cervical se não tratadas. 

Em 2022, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou mais de 16 mil novos casos de câncer cervical no Brasil, evidenciando a importância do exame.

Colposcopia no detalhe
Colposcopia | Imagem: BruceBlaus, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O exame também confirma resultados de rastreamentos, como o exame Papanicolau, que detecta doenças como infecções virais, inflamações, e células pré-cancerosas. Se o resultado do Papanicolau for anormal, a colposcopia detalha melhor a área afetada e o tipo de alteração detectada pelo Papanicolau.

Além disso, a colposcopia pode remover lesões anormais durante o próprio exame, prevenindo o desenvolvimento de câncer cervical. Isso é crucial para tratar precocemente alterações identificadas, aumentando as chances de um tratamento bem-sucedido.

Quando a colposcopia é indicada?

A colposcopia é indicada em várias situações. Entre elas: resultados anormais no exame Papanicolau, presença de verrugas genitais, suspeita de inflamação no colo do útero e sangramento vaginal anormal. Uma colposcopia detalha estas condições e auxilia na definição do tratamento adequado.

Os exames preventivos, como a colposcopia e o Papanicolau, são fundamentais para a detecção precoce de diversas condições ginecológicas. Devido à alta incidência de câncer cervical, exames como esses tornam-se ferramentas indispensáveis para a saúde feminina.

Como é feito o exame de colposcopia?

A colposcopia é feita em um consultório onde a paciente deita-se em uma posição similar ao exame Papanicolau. O médico insere um espéculo para visualizar o colo do útero, vagina e vulva, e usa o colposcópio para ampliar a imagem. 

Colposcópio: utilizado para ampliar a imagem no exame de colposcopia
Colposcópio: utilizado para ampliar a imagem no exame de colposcopia | Foto: domínio público

São aplicadas, sistematicamente, soluções como ácido acético ou iodo (teste de Schiller) para realçar áreas anormais.

Uma biópsia destas áreas identificadas com as soluções acima é realizada durante a colposcopia, onde pequenas amostras de tecido são removidas para análise detalhada. Esse procedimento ajuda a obter um diagnóstico preciso e definir o tratamento.

Indicações para a realização da colposcopia

Alterações no exame de papanicolau

Quando o exame de Papanicolau mostra alterações, a colposcopia é indicada. Resultados como células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS), lesões escamosas intraepiteliais de baixo grau (LSIL) e de alto grau (HSIL) necessitam de uma avaliação mais detalhada. Nesse caso, a colposcopia pode detectar lesões precursoras ou malignas.

Acompanhamento pós-tratamento

Pacientes que passaram por tratamento de lesões no colo do útero, vagina ou vulva devem realizar a colposcopia para controle e pós-tratamento. Esse exame identifica se as lesões foram completamente tratadas ou se novas alterações surgiram. Devido à possibilidade de recorrência de lesões, a monitorização periódica contínua deve ser orientada pelo ginecologista.

Teste de HPV positivo

Mulheres com teste de HPV positivo, especialmente se infectadas pelos tipos 16 e 18, são orientadas para a realização de colposcopia. Essas variantes virais têm maior potencial oncogênico, tornando crucial a avaliação minuciosa do trato genital inferior. Mulheres acima de 30 anos devem ter particular atenção a essa recomendação.

Presença de verrugas genitais

Aparecendo verrugas genitais, a colposcopia se torna mandatória. Lesões verrucosas na vulva, vagina e colo do útero precisam ser avaliadas para determinar a extensão e o tipo de tratamento necessário. Caso as verrugas sejam associadas ao HPV oncogênicos, pode haver um risco de evolução para lesões malignas.

Citologias com alteração persistente

Citologias que mostram inflamação persistente por mais de três exames sucessivos também indicam a necessidade de colposcopia. A persistência de inflamação pode sinalizar alterações patológicas no tecido, incluindo lesões pré-cancerosas. Na colposcopia, identificam-se essas anomalias para direcionar o tratamento adequado.

Outros fatores clínicos

Sangramento vaginal anormal ou ferida no colo do útero também são razões para realizar a colposcopia. Esse exame auxilia a definir a origem do sangramento ou da lesão, diferenciando entre causas benignas e malignas. 

Procedimentos e confirmatórios

Quando se precisa de confirmação de resultados obtidos por outros exames, como a colpocitologia oncótica, a colposcopia pode ser utilizada. Ela complementa o exame citológico ao fornecer uma visualização ampliada e detalhada das lesões identificadas, permitindo a realização de biópsias para um diagnóstico preciso.

Preparação necessária

Para uma colposcopia eficaz:

  • Evite relações sexuais e uso de produtos vaginais 24 horas antes do exame.
  • Informe ao médico sobre quaisquer medicações ou alergias.
  • Não requer jejum ou preparo especial.

Durante o exame

No exame:

  • Você se posiciona como em um exame pélvico.
  • O colposcópio, um instrumento com lente de aumento, é utilizado para inspecionar vulva, vagina e o colo do útero.
  • O médico usa uma solução de ácido acético e solução de iodo para destacar áreas anormais e realizar biópsias destas áreas e, por vezes, é necessário o uso de tampões vaginais.
  • Pode ocorrer leve sangramento.
  • Evite relações sexuais, duchas vaginais, e uso de tampões por 5-7 dias.
  • Se for realizada uma biópsia, o resultado determinará os próximos passos.

Colposcopia com biópsia

A colposcopia com biópsia é um procedimento essencial quando lesões pré-malignas ou malignas são detectadas durante a colposcopia comum. Isto permite uma análise mais detalhada do tecido.

O que esperar durante a biópsia

Durante a colposcopia com biópsia, o médico usa uma pinça especial para remover uma pequena amostra de tecido do colo do útero. Essa remoção pode causar desconforto ou dor leve. Em casos raros, pode ocorrer um leve sangramento.

Cuidados pós-exame

Após a biópsia, é normal sentir sensibilidade nos órgãos genitais e notar um leve sangramento por até dois dias. Evite relações sexuais, duchas vaginais, e uso de absorvente interno por uma semana. Procure atendimento médico se houver sangramento intenso, dor pélvica ou corrimento com odor forte.

Resultados da biópsia

Os resultados da colposcopia com biópsia demoram geralmente de duas a três semanas, pois o material recolhido precisa de análise laboratorial. Dependendo do resultado, o médico pode optar por repetir a colposcopia, iniciar tratamento, ou encaminhá-la para outros exames.

Considerações

A colposcopia com biópsia é um passo importante para analisar e confirmar diagnósticos de lesões que podem evoluir para câncer cervical. Mesmo que o procedimento cause desconforto, sua importância para a saúde feminina é inegável. Siga todas as orientações médicas para uma recuperação rápida e eficiente.

Cuidados após o procedimento

Recomendações imediatas

Evite atividades físicas intensas como exercícios e levantamento de pesos por 24 a 48 horas após o exame. Abstenha-se de relações sexuais pelo mesmo período para permitir a cicatrização do colo do útero e reduzir o risco de infecções. 

Evite banhos quentes e o uso de sabonetes perfumados por 24 horas para prevenir irritações na área sensível. Use absorventes higiênicos para absorver qualquer sangramento ou corrimento leve. 

É normal apresentar aumento de sensibilidade nos órgãos genitais ou leve sangramento por até dois dias. Em casos de biópsia durante a colposcopia, pode ocorrer um corrimento marrom devido ao procedimento em si.

Monitoramento e sinais de alerta

Após a colposcopia, fique atenta a sintomas graves que podem indicar complicações. Busque orientação médica imediatamente se ocorrer sangramento vaginal intenso, febre, dores abdominais ou odores desagradáveis na vagina. Esses sinais podem ser indicativos de infecção e necessitam de avaliação imediata.

Evite duchas vaginais e o uso de absorventes internos por pelo menos uma semana após o exame. Seguindo essas recomendações, você assegura uma recuperação adequada e minimiza o risco de complicações. Lembre-se de que seu bem-estar é prioridade, e cuidados pós-procedimento são essenciais para a saúde ginecológica.

Frequência recomendada para o exame de colposcopia

A frequência do exame de colposcopia varia conforme a idade e o histórico de saúde. Especialistas em oncologia recomendam ajustes diferentes para garantir a saúde ginecológica adequada a depender dos achados de Papanicolau e teste de HPV.

Histórico de lesões ou alterações celulares

Mulheres com histórico de lesões ou alterações celulares anormais devem fazer o exame com mais frequência. Normalmente, a cada 6 a 12 meses. Isso garante a detecção precoce de qualquer nova anomalia.

Exame ginecológico de rotina

A colposcopia é parte importante do exame ginecológico de rotina. Complementa a colpocitologia oncótica e outros exames. Juntos, esses procedimentos ajudam a monitorar a saúde do colo do útero e detectar condições como ferida no colo do útero, lesões pré-malignas, e câncer cervical.

Importância do teste de HPV

O teste de HPV é crucial para determinar a frequência da colposcopia. Mulheres com resultados negativos em ambos os testes (Papanicolau e HPV) podem espaçar mais os exames. Converse com seu ginecologista para definir a melhor frequência para seu caso específico.

Considerações para colposcopia com biópsia

Se houver necessidade de uma colposcopia com biópsia, a frequência pode aumentar. A biópsia se torna indispensável para avaliar a gravidade das lesões. Seguir a orientação médica é vital para um acompanhamento eficaz e tratamento adequado.

Condução do exame

A colposcopia usa um colposcópio para examinar o colo do útero, a vagina e a vulva de forma ampliada. Isso permite uma avaliação detalhada à procura de anomalias diretamente visíveis. Realizá-la regularmente é essencial para a saúde ginecológica.

Perguntas frequentes sobre a colposcopia

A colposcopia é dolorosa?

A colposcopia, de maneira geral, não é dolorosa. Durante a inserção do espéculo no canal vaginal, pode haver desconforto ou sensação de pressão. Se uma biópsia for necessária, pode haver leve dor ou sensação de puxão. Produtos como ácido acético e iodo são usados para melhor visualização do colo do útero, causando possível ardor.

Quanto tempo leva para obter os resultados?

Os resultados da colposcopia variam conforme o tipo de exame e a complexidade das lesões. Em geral, são disponibilizados de 1 a 2 semanas após o exame. Nos casos em que uma biópsia é realizada, os resultados podem demorar até 4 semanas.

O que não pode fazer depois da colposcopia?

Após a colposcopia, especialmente se houver biópsia, recomenda-se evitar atividades físicas intensas e relações sexuais por pelo menos 3 dias para garantir uma recuperação adequada.

Qual o valor de um exame de colposcopia?

O valor do exame de colposcopia pode variar, mas geralmente custa entre R$ 190 e R$ 250 (em 2024), dependendo da clínica e da região.

Como descobrir se está com HPV pela colposcopia?

A colposcopia em si não detecta o vírus HPV, mas pode identificar lesões causadas por ele. O diagnóstico do HPV é geralmente feito por meio de testes específicos.

Quais doenças a colposcopia detecta?

A colposcopia pode identificar várias condições, incluindo inflamações, lesões benignas, lesões pré-cancerosas e câncer cervical.

Pode se depilar para fazer a colposcopia?

Para um resultado ideal, evite depilar a região genital nas 72 horas antes do exame e não faça ducha vaginal nas 24 horas que antecedem o procedimento.

A colposcopia causa dor?

O exame geralmente não é doloroso, mas pode causar algum desconforto. A biópsia, se realizada, pode gerar leve dor ou sensação de puxão.

Com que frequência devo fazer uma colposcopia?

Mulheres entre 21 e 29 anos devem fazer o exame a cada 3 anos se o Papanicolau for normal. Mulheres de 30 a 65 anos devem realizar a cada 5 anos se ambos os exames forem normais.


Revisão: Dr. Fabio Francisco Oliveira Rodrigues / CRM 81.824
Mastologista e Oncologista cirúrgico / A Beneficência Portuguesa de São Paulo

Artigo publicado em: 03 de julho de 2024
Artigo atualizado em: 04 de julho de 2024

Dr. Antonio Carlos Buzaid
Co-fundador do Instituto Vencer o Câncer, Dr. Antonio Carlos Buzaid é um destacado oncologista clínico, graduado pela Universidade de São Paulo, com experiência internacional nos EUA, onde foi diretor de centros especializados em melanoma e câncer de pulmão, além de professor na Universidade de Yale. No Brasil, dirigiu centros de oncologia nos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, e atualmente é diretor médico geral do Centro de Oncologia do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. CRM 45.405
Dr. Fernando Cotait Maluf
Co-fundador do Instituto Vencer o Câncer, Dr. Fernando Cotait Maluf é um renomado oncologista clínico, graduado pela Santa Casa de São Paulo, com doutorado em Urologia pela FMUSP. Ele foi chefe do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica do Hospital Sírio Libanês e atualmente é diretor associado do Centro de Oncologia do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, além de membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein e professor livre-docente na Santa Casa de São Paulo. CRM: 81.930