Próteses de silicone e o risco de linfoma

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Tratamento de câncer pode estar na pesquisa clínica.
Tratamento de câncer pode estar na pesquisa clínica.

No final de março, as autoridades de saúde da França emitiram um alerta sobre um tipo de câncer, o linfoma de células T, que poderia estar associado a próteses de silicone. Tal notícia provocou alarde. Apesar da raridade, houve preocupação por conta do aumento no número de casos diagnosticados desta doença em mulheres com silicone na França: passaram de dois em 2012 para 11 em 2014.

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Segundo o mastologista Cícero Urban, do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, o aparecimento do câncer pode ter ligação com a prótese (a estimativa é de um caso para cada 500 mil mulheres com próteses), mas o porquê ainda não está claro para a comunidade científica. “Especialistas já estão analisando a relação há anos. O FDA dos Estados Unidos (Food and Drug Administration) já emitiu em 2013 um alerta para que as pacientes tenham conhecimento de que é algo extremamente raro, mas que pode acontecer. Se fosse frequente, o próprio FDA já teria proibido. É importante dizer à população brasileira, principalmente às mulheres com próteses, sejam elas de ordem estética ou de reconstrução mamária, que não há motivo para alarde. Nenhuma mulher vai precisar retirar a prótese.”

Por enquanto, a ação tomada pela Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM) da França é alertar as mulheres que desejam colocar próteses a respeito do risco. Entretanto, o governo francês não recomenda uma nova cirurgia de retirada ou substituição das próteses. [relacionados]

Ainda segundo o especialista, este tipo de câncer é extremamente raro, na literatura médica há somente 173 casos relatados. Desse total, somente uma morte confirmada. No Brasil, foram quatro casos registrados até o momento, sem óbito.

A própria Sociedade Brasileira de Mastologia, junto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, emitiu uma nota explicando: “nos poucos casos até hoje relatados na literatura, a maioria das pacientes aparece com seromas (líquido ao redor da prótese) de aparecimento tardio, na forma de aumento de volume local. A grande maioria dessas pacientes foram curadas apenas com a remoção da prótese e da cápsula ao seu redor. Apenas em um número pequeno de casos foi necessário realizar o tratamento sistêmico com quimioterapia ou complementação com radioterapia. A chance de cura com os tratamentos neste tipo de linfoma passa de 90%”.

Segundo as entidades médicas, não há nenhum dado até o presente momento que justifique qualquer mudança de postura ou intranquilidade por parte das pacientes portadoras de implantes mamários.

“O grande problema na mama não é o linfoma, mas sim o câncer de mama, que é uma doença extremamente comum nas mulheres. Em relação às pacientes com próteses mamárias, a recomendação é fazer uma ressonância magnética a cada dois ou três anos, mas não para avaliar a presença de um linfoma, e sim a integridade da prótese. Essa é uma rotina normal das pacientes que não foi alterada”, afirma Urban.

Publicação: 07/04/2015 | Atualização: 17/07/2025

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