Os efeitos colaterais dos tratamentos oncológicos vão muito além das náuseas, cansaço e queda de cabelo, que costumam ser os mais conhecidos. Os pacientes podem ter outras complicações, entre elas feridas dolorosas na boca, dificuldade para mastigar, sangramentos na gengiva e alterações no paladar.
Quando se trata de saúde bucal, o desafio é que algumas dessas manifestações podem dificultar até mesmo a alimentação e a hidratação dos pacientes, essencial para a recuperação. Por isso, neste Outubro Rosa, a atenção à saúde bucal ganha espaço entre os cuidados que devem acompanhar as mulheres em tratamento contra o câncer de mama, especialmente porque a prevenção pode ajudar a evitar futuros problemas.
A cirurgiã-dentista Lidiana Ribeiro de Castro, especialista em Odontologia Hospitalar e Cuidados Paliativos pelo Albert Einstein e apresentadora do podcast Além da Boca, no YouTube, destaca a importância de manter a cavidade bucal saudável durante todas as fases da terapia oncológica. “A higiene e os cuidados adequados devem ser realizados em todos os períodos do tratamento oncológico (antes, durante e depois), sendo essenciais para a prevenção de complicações”.
Entre as possíveis reações indesejadas estão dor na mucosa bucal e nos dentes, sensação de boca seca, dificuldade para mastigar determinados alimentos, pequenos sangramentos nas gengivas, desconforto, infecções oportunistas e alterações do paladar.
Uma das complicações é a mucosite, inflamação das mucosas que pode ocorrer devido ao uso de alguns quimioterápicos. Ela provoca ferimentos semelhantes a aftas, que podem ser dolorosos e dificultar a alimentação e a hidratação adequadas. A laserterapia é uma opção de tratamento para essa condição, utilizando laser de baixa potência como anti-inflamatório, analgésico e cicatrizante para facilitar a cicatrização das lesões e regeneração dos tecidos da boca afetados pela quimioterapia ou radioterapia.
Infecções, boca seca e alterações do paladar
Outra alteração associada ao tratamento oncológico é a candidíase oral, infecção da mucosa bucal causada por fungos. Seu aparecimento está relacionado principalmente às alterações salivares e à queda da imunidade e o tratamento envolve o uso de medicamentos antifúngicos tópicos ou sistêmicos.
A sensação de boca seca, conhecida como xerostomia, também pode acontecer como efeito do tratamento. Nesses casos, costumam ser indicados substitutos salivares ou produtos que estimulem a produção de saliva.
A quimioterapia e a radioterapia na região de cabeça e pescoço podem provocar mudanças na percepção dos sabores ou até mesmo a perda do paladar. É importante reforçar que a higiene oral é fundamental e que, com o passar do tratamento, o paladar vai retornando.
A importância da avaliação odontológica antes do tratamento
O ideal é que o cuidado com a saúde bucal comece ainda antes do tratamento. “Consulte o dentista, preferencialmente antes do início da terapia oncológica, para que seja realizado acompanhamento e preparo bucal preventivo”, recomenda Lidiana.
Segundo a especialista, a Odontologia desempenha um papel importante na prevenção, no diagnóstico e no tratamento das alterações bucais associadas à terapia oncológica.
A orientação para quem está em tratamento é manter os cuidados de higiene bucal e seguir as recomendações odontológicas antes, durante e depois da terapia, contribuindo para a prevenção de complicações.






