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Atenção aos sinais e fatores de risco do câncer de cabeça e pescoço

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Tratamento de câncer pode estar na pesquisa clínica.
Tratamento de câncer pode estar na pesquisa clínica.

 

O câncer de cabeça e pescoço engloba os tumores que atingem a cavidade nasal, seios da face, boca, laringe e faringe. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é de 14.700 novos casos de tumor de boca (lábios e interior da cavidade oral) em 2018 e 7.670 de laringe, por exemplo. Uma ferida na boca que não cicatriza, um sangramento sem motivo aparente, um corrimento nasal malcheiroso que não passa, rouquidão e nódulos no pescoço podem ser sinais de câncer de cabeça e pescoço e precisam ser investigados por um médico. “O grande problema é confundir. Os sintomas causados por uma infecção teriam uma duração mais curta. Então, a temporalidade dos sintomas é fundamental quando se faz avaliação de um paciente com suspeita de câncer de cabeça e pescoço”, explica o oncologista Lucas Santos, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

O tabagismo e o álcool são os principais fatores de risco. Quando associados, a chance de desenvolvimento da doença aumenta ainda mais. “Não existem níveis seguros de fumar. Sabe-se que quanto maior o tempo de uso, quanto maior a intensidade ou a quantidade de cigarros fumados, maiores são as chances de desenvolver o tumor. O álcool e o cigarro têm um efeito sinérgico. Existe um fator de multiplicação que em alguns casos chega de 25 a 80 vezes maior o risco de causar neoplasia de cabeça e pescoço”, comenta o oncologista.

Outro fator de risco importante é a infecção pelo vírus HPV. Esse vírus é a principal causa do câncer de colo de útero, mas também está ligado ao desenvolvimento de tumores de canal anal, pênis, orofaringe, vagina e vulva. “Se percebeu que o HPV infecta algumas células das criptas das amídalas e da região posterior da língua e essa infecção pode promover o aparecimento de um tipo de câncer de cabeça e pescoço”, acrescenta Lucas Santos. No Brasil, a grande maioria dos casos de câncer de cabeça e pescoço está associada ao tabagismo e ao etilismo, mas em países desenvolvidos como os Estados Unidos e os do norte da Europa, a influência do HPV já grande.

Por ser um câncer muito associado a fatores de risco ambientais, a prevenção é muito importante para diminuir sua incidência. Evitar o tabaco e o álcool é fundamental. Uma pessoa que para de fumar diminui as chances de desenvolver a doença com o passar dos anos. A infecção pelo HPV também pode ser evitada. O vírus é transmitido na relação sexual, por isso, usar preservativo é uma medida de proteção. O Sistema Único de Saúde também oferece gratuitamente a vacina conta o HPV para meninas e meninos. Ela deve ser tomada em duas doses com intervalo de 6 meses entre elas.

Informar a população sobre a importância da prevenção e conscientizar sobre os fatores de risco são objetivos da campanha “Julho Verde”, promovida pela Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG). O tema deste ano é “Toda voz merece ser ouvida”. “A campanha está no segundo ano e vai reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce, do acesso rápido ao tratamento e a necessidade de darmos reabilitação integral a esse paciente que corre risco de ir a óbito sem ter iniciado um tratamento básico. Os dados do INCA apontam 10 mil mortes por ano de pessoas com tumores na cavidade oral e laringe. E isso é um número muito alto, pois muitos pacientes sequer iniciaram um tratamento”, enfatiza Melissa Ribeiro Medeiros, presidente e fundadora da ACBG.

Tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Os tumores de cabeça e pescoço quando são diagnosticados precocemente são muito curáveis. O tratamento depende de cada caso, mas houve evolução nos últimos anos. “Os tratamentos melhoram muito, não só as cirurgias. Há tratamentos que evitam cirurgias mutilantes do ponto de vista estético e funcional, que envolvem radioterapia e quimioterapia e eventualmente drogas biológicas. Os tratamentos são efetivos para maioria dos pacientes com doença ainda localizada. Na doença metastática a imunoterapia tem sido um grande avanço”, afirma o oncologista Fernando Maluf, um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer.

No caso do câncer de laringe, atualmente é possível preservar o órgão em diversos casos. É importante, no entanto, que o tratamento seja definido num centro especializado e o acompanhamento do paciente seja feito por diversos profissionais. Um paciente que precisar retirar a laringe terá sequelas, como a perda da voz e alterações no sistema respiratório; por isso, a reabilitação dele merece muito atenção. O fonoaudiólogo é um dos profissionais essenciais nessa fase, pois ajudará o paciente a voltar a falar seja com a chamada voz esofágica ou com uma laringe eletrônica.

O tratamento com radioterapia e quimioterapia também pode provocar efeitos colaterais, como queimadura na pele, vermelhidão, feridas na boca, afta, infecções na boca, perda de apetite e enjoos. “A mucosite é um efeito que pode ocorrer. São aftas distribuídas na boca e garganta que causam dor e comprometem a capacidade de alimentação. O risco nutricional do paciente tem que ser avaliado sempre. Pacientes com tumores volumosos, que vão receber radioterapia e que não tem estado nutricional bom, eventualmente, a gente indica precocemente a colocação de um tubo para alimentação”, explica Lucas Santos. O oncologista ressalta, no entanto, que os avanços dos tratamentos reduziram muito os efeitos colaterais e hoje os pacientes tem mais qualidade de vida.

Publicação: 29/06/2018 | Atualização: 02/11/2025

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