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A Medicina estuda, se aprofunda, avança na tentativa de vencer essa que é a segunda principal causa de morte em todo o mundo: o câncer – são 10 milhões de pessoas mortas anualmente pela doença. Um dos principais motivos para o câncer ser ainda tão fatal é a falta de acesso: 70% dessas mortes ocorrem em países de renda baixa a média.

Por isso a campanha deste ano para o Dia Mundial do Câncer, iniciativa da União Internacional para Controle do Câncer (UICC), tem como lema “Close the cancer gap”, ou seja, vamos trabalhar para acabar com a disparidade que existe entre as populações com melhores condições econômicas e as de maior vulnerabilidade social. “Milhões de vidas poderiam ser salvas a cada ano com a implementação de estratégias adequadas de recursos para prevenção, detecção precoce e tratamento”, destacam as informações no site da campanha, que reforça em seu vídeo: “Temos avanços incríveis em prevenção, diagnóstico e tratamento. Mas não para todos”. 

  • Mais de 40% das mortes relacionadas ao câncer podem ser evitadas, pois estão ligadas a fatores de risco modificáveis, como tabagismo, uso de álcool, dieta inadequada e sedentarismo. 
  • Quase um terço de todas as mortes relacionadas ao câncer poderiam ser evitadas por meio de exames de rotina, detecção precoce e tratamento.

O Instituto Vencer o Câncer entende que acabar com esse “gap” e dar acesso igual a todos é uma maneira de vencer o câncer. Assim como garantir cuidados para o paciente, para a família. Essa é uma discussão relevante, que trazemos para promover reflexões nessa importante data: 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer, com uma entrevista com a diretora do instituto, Ana Maria Drummond.

E vamos todos juntos nessa campanha do #WorldCancerDay #DiaMundialdoCancer: “Crie um futuro sem câncer – a hora de agir é agora!”. #ClosetheCareGap #PorCuidadosMaisJustos   

https://www.worldcancerday.org/pt-br

Sabemos que há várias formas de vencer o câncer, dependendo de cada caso, cada situação da doença. Como o Instituto entende essa ideia de vencer o câncer?

Ana Drummond – Acreditamos que todas as pessoas têm direito à saúde integral e que vencer o câncer passa pela história de cada paciente. Vencer, para nós, é garantir aos pacientes acesso à prevenção, diagnóstico precoce e uma jornada completa de tratamento. 

Queremos que todos tenham a possibilidade da cura, mas sabemos que não é possível. Neste sentido, vencer pode ser controlar a doença, superar sessões de quimioterapia, pode ser transformar o desafio emocional em novos olhares sobre a vida, pode ser um outro olhar sobre qualidade de vida, entre outras vivências. 

Aprendi com uma médica que teve câncer e infelizmente faleceu que ela venceu o câncer. Ela viveu intensamente e pôde tratar vários pacientes – com ou sem câncer.

Como as estratégias de prevenção, que são direcionadas a pessoas sem diagnóstico, estão ligadas a esse conceito de vencer a doença?

Ana Drummond – Sabemos que o câncer é uma epidemia. A sociedade precisa ser cada vez mais alertada disso e as políticas públicas para prevenção do câncer devem ser ampliadas. Deveríamos ter a pirâmide invertida – com a prevenção no topo.

Vencer a doença é incorporar o entendimento de que o risco existe para todos e que desde cedo devemos cuidar da nossa alimentação, não fumar, praticar atividade física, gerenciar o estresse, vacinar jovens contra o HPV e reforçar a importância de um rastreio primário.

Quando o tema é diagnóstico precoce, o que precisamos melhorar?

Ana Drummond – Agilidade é fundamental, assim como o empoderamento do paciente com conteúdos que conversem com ele. Sabemos que há um gap grande entre o acesso ao diagnóstico precoce dentro do sistema privado e público. Fazer cumprir a lei que determina 30 dias para fechamento de um diagnóstico e 60 para o início do tratamento é garantir direitos. 

Falamos muito sobre a jornada do paciente, mas devemos reconhecer que ela pode ser extremamente fragmentada, dependendo de onde esta pessoa vive e o tipo de acesso que ela tem.

As inovações na Medicina têm possibilitado avançar com o tratamento dos pacientes. Mas a limitação do acesso dificulta que todos sejam beneficiados. O que deve ser feito para mudar essa realidade?

Ana Drummond – Melhorar a gestão do sistema é uma estratégia relevante. Sabemos que é necessário investir mais e mais em prevenção e diagnóstico precoce. Sem um olhar e uma prática de mudança sistêmica para isso, vamos continuar assistindo ao aumento desta lacuna de acesso, pois a complexidade da doença avançada demanda investimentos cada vez mais altos. 

Acreditamos que a pesquisa clínica traz acesso para parte da população a tratamentos de ponta e o Vencer o Câncer pretende ampliar seus investimentos para montagem de centros de pesquisa oncológica em hospitais do SUS e filantrópicos.

>A evolução possibilitou que em muitos casos o câncer seja visto como uma doença crônica ou demande cuidados para garantir uma melhor qualidade de vida. Essas revoluções nos trazem novas ideias sobre superação, certo?

Ana Drummond – Sem dúvida. Com as inovações científicas será cada vez mais possível tratar, controlar e curar. O desafio é fazer com que esses benefícios, ainda são voltados a poucos, sejam acessíveis a muitos. Nosso olhar para inovação deve ser sempre coletivo.

Por que a vacinação contra o HPV tem tanta relevância quando se fala em vencer o câncer?

Ana Drummond – A vacina contra o HPV, que é aplicada gratuitamente em meninas e meninos no Sistema Público de Saúde (SUS), é fundamental na prevenção do desenvolvimento do câncer de colo de útero, tumor que mata uma mulher a cada 90 minutos no Brasil. Alguns países, que conseguiram promover uma alta cobertura vacinal, já consideram a possibilidade de erradicar essa doença.

É uma forma de vencer um tipo de câncer, algo incrível e, por isso, o Instituto realiza um projeto que visa levar informação sobre essa doença e os cuidados para prevenir e diagnosticar precocemente. 

Em parceria com o Grupo Mulheres do Brasil, desenvolvemos o “Unidos pela Vacina HPV e Prevenção do Câncer”. O objetivo é promover informações de forma clara e segura sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer colo do útero. Com uma atuação conjunta na prevenção primária, queremos contribuir para aumentar a cobertura vacinal contra o HPV.

Qual é o papel do Instituto Vencer o Câncer nesse desafio de vencer a doença reduzindo disparidades e melhorando o acesso a todos?

Ana Drummond – Nosso papel passa por educar a população para prevenção, conseguir alcançar a diversidade do brasileiro com uma linguagem que empodere cada um a ser agente da sua própria saúde e apoiar pacientes na jornada de enfrentamento ao câncer. 

Influenciar políticas públicas através de projetos estruturantes, como o de fortalecimento do ecossistema brasileiro de pesquisa clínica, seguramente é uma contribuição relevante para redução de disparidades e melhoria do acesso a todos. Temos um compromisso incansável com a qualidade da informação e as true news sobre o câncer em todos os canais que ativamos.

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Categorias: DestaqueNotícias câncer de colo de útero